Parque Nacional Queulat

Saímos de Puerto Ibañez na manhã de sexta-feira (24/10/14) sentido norte pela Carretera Austral e já ficamos aliviados pois a estrada até Coyahique era toda asfaltada. Assim, pudemos aproveitar um pouco mais as paisagens. No caminho fomos parados pela primeira vez em território chileno; o policial muito simpático olhou os documentos e disse que o Godzilla era muito bonito e já nos liberou para seguir viagem.

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Apesar de ser a capital da Província de Aysén, Coyahique é uma cidade relativamente nova e pequena, já que foi fundada apenas em 1929 e tem cerca de 44 mil habitantes (metade de toda população da província). Achamos a cidade um pouco caótica, mas talvez seja só impressão já que não passamos por uma cidade grande há algum tempo. De qualquer forma, foi ótimo passar a noite em Coyahique – pudemos abastecer o Godzilla, comer em um bom restaurante, tirar dinheiro e buscar informações sobre a região.

Um dos maiores atrativos de Coyahique é o fly-fishing (Tony e Tchel – é para vocês), já que a cidade fica na confluência dos rios Simpson e Coyahique, ambos renomados pela pesca de truta e salmão. A cidade também tem outros atrativos, como o Parque Nacional Simpson e a Reserva Nacional Coyahique, ambos fantásticos para acampar ou para a prática de trekking.

Site_0245 (Pedra do Índio em Coyahique – consegue enxergá-lo?)

Hoje (25/10/14) pela manhã, saímos de Coyahique e infelizmente a vida boa acabou. Andamos cerca de 100 km em ótimas estradas pavimentadas e depois retornamos à Ruta 7 para pegar um trecho em obras (o centro de visitantes de Coyahique nos informou que esse trecho estava em obra e que eles interrompem o trânsito entre 13h e 17h) muito ruim, mas com paciência e muita lama chegamos ao nosso destino, o Parque Nacional Queulat.  Nunca ouviu falar? Tudo bem, muitos chilenos também não.

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Site_0252 (trecho em obras da Ruta 7)

Segundo  o Frommer’s o Parque Nacional Queulat é um dos menos explorados em razão da densa concentração de floresta virgem e, apesar da Ruta 7 cortar o parque em praticamente toda a sua extensão, existem poucos pontos de acesso, fazendo com que muitas áreas continuem praticamente inexploradas.

A maior atração do parque é o Ventisquero Colgante – um tremendo rio de gelo em formato de V suspenso a centenas de metro do chão em uma imensa parede de granito, com algumas algumas cascatas que descem pelas pedras para completar o cenário. É incrível! Para poder ver o Ventisqueiro Colgante é necessário pegar uma das 3 trilhas, sendo que a mais difícil (Sendero Mirador Ventisquero Colgante) leva cerca de 3 horas (ida e volta) e tem dificuldade média.

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No final do dia chegamos a Puyuhapi, onde passaremos a noite em uma casa construída toda em madeira em 1957, e amanhã seguiremos sentido norte pela Ruta 7.

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De volta ao Chile

Holá Chile!

Hoje (23/10/14), pela terceira vez nessa viagem, voltamos ao território chileno. Dessa vez cruzamos pelo Paso Fronterizo Rio Jeinimeni que divide Los Antiguos de um lado do Lago Argentino, de Chile Chico do outro lado do Lago, que aqui se chama General Carrera.

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A saída no lado argentino foi super tranquila e rápida; andamos mais alguns quilômetros e chegamos à mais bonita fronteira chilena até agora, que também foi a mais complicada.

Os trâmites de imigração e aduana foram relativamente rápidos, mas pela primeira vez tivemos que tirar todas as malas, bolsas e sacolas do carro e levar para o raio-x (Liene), enquanto eu (Dan) fiquei abrindo e fechando todos os armários para o fiscal sanitário (lembramos do bife da Eleni novamente), mas foi tudo tranquilo…nenhum bife encontrado em nosso carro.

De Chile Chico (que bem é chico mesmo) rodamos pouco mais de 300 km em estradas de rípio cujo sofrimento com as costelas de vaca e buracos só era compensado pela incrível paisagem. Saindo de Chile Chico seguimos pela CH-265 contornando o Lago General Carrera até encontrar a famosa Carretera Austral (CH-7), que é estreita, esburacada e muito movimentada (dá para imaginar o quanto foi tenso).

Site_0234 (Chile Chico)

Aos trancos, solavancos e muito pó chegamos a Puerto Ibañez, às margens do lago. Esse simpático povoado tem uma vista privilegiada do lago e do Cerro Castillo e está próximo ao Monumento Nacional Las Manos de Cerro Castillo. Amanhã vamos acordar cedo para explorar um pouco a área e partir para nosso próximo destino, Coyhaique.

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El Chaltén e Los Antiguos

Saímos de El Calafate na terça-feira (21/10/14) a caminho de El Chaltén, onde ficamos uma noite e seguimos na manhã seguinte (22/10/14) para Los Antiguos, que fica às margens do Lago Buenos Aires e faz fronteira com a cidade chilena de Chile Chico.

El Chaltén é definida pelo Lonely Planet como um amontoado irregular de chalés e cabanas, e é considerada por muitos por aqui como a capital nacional do trekking. Essa charmosa cidade, que foi fundada há menos de 30 anos para rechaçar uma reivindicação de terras do Chile, funciona praticamente de outubro a abril, quando milhares de trekkers vêm explorar suas trilhas. No inverno (maio a setembro) a maioria dos hoteis e serviços fecham e é difícil até encontrar transporte de/para a cidade.

Da estrada já dá para entender o porquê da fama de El Chaltén. Em dias de tempo bom o Cerro Fitz Roy, cartão postal da cidade, aparece imponente e instiga os mais aventureiros a fazer a extenuante caminhada de cerca de 12 km e 10 horas (ida e volta) para atingir a sua base. Como ficamos apenas uma noite em El Chaltén, optamos por passeios mais tranquilos e visitamos o Lago del Desierto e o Chorillo del Salto.

Katia, infelizmente não conseguimos registrar a matrícula da Bianca no La Tapera. Agora temos uma desculpa para voltarmos juntos a esse lugar incrível.

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Na manhã seguinte (22/10/14) partimos de El Chaltén rumo norte pela Ruta 40. Nossa ideia inicial era quebrar o trecho entre El Chaltén e Los Antiguos em 2 dias, parando próximo ou em  Bajo Caracoles; mas Bajo Caracoles é “uma encruzilhada de importância insignificante com estradas que, em todas as direções, levam aparentemente a lugar algum” (trecho de Na Patagônia, de 1975).

Para piorar, em Bajo Caracoles tem o único posto razoavelmente confiável e caro entre El Chaltén (542 km ao sul) e Perito Moreno (128 km ao norte), que também funciona como hotel, lanchonete, restaurante e mercado…e isso só para quem tem cara de durão. Como não é o nosso caso e ainda era começo da tarde, decidimos não encher o tanque (obrigado, tanque extra) e seguir até Perito Moreno.

Perito Moreno já é uma cidade mais organizada, com hoteis, campings e lanchonetes. Tinha até um centro de informações turísticas onde descobrimos que os hoteis pelos quais passamos e estavam fechados na verdade só abrem às 19h (como?). Achamos muito curioso o fato do hotel só abrir às 19h e não gostamos dos comentários no Lonely Planet que alguns quartos não têm janelas (lembramos de Montevidéu). Assim, decidimos seguir mais 60km até a última cidade antes de cruzar a fronteira com o Chile, Los Antiguos.

Los Antiguos é uma minúscula cidade que se auto proclama a capital da cereja. Infelizmente, como iríamos atravessar a fronteira no dia seguinte, não pudemos comprar as cerejas, mas ficamos com água na boca. Além das cerejas, Los Antiguos é conhecida pelo Lago Buenos Aires, que do lado chileno se chama Lago General  Carrera. As paisagens por aqui são incríveis (valeu pela dica, Sérgio) e vamos contornar o lago pelo lado chileno para explorar um pouco mais a região.

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El Calafate

El Calafate é uma cidade muito charmosa as margens do Lago Argentino na região da Patagônia argentina. Sua atração principal é o Parque Nacional Los Glaciares, onde fica a Geleira de Perito Moreno (principal destino no parque), as Geleiras Upsala, Seco e Spegazzini – que só são acessíveis de barco e o Cerro Fitz Roy (já na região de El Chaltén), que fazem parte dos campos de gelo sul.

Começamos nosso passeio ontem (19/10/14) pelo Glaciar Perito Moreno e ficamos surpresos com a infraestrutura do local, que a exemplo do lado argentino das Cataratas de Iguaçu, é muito boa. O primeiro ponto de parada foi em um mirante de onde se pode apreciar de perto a impressionante massa de gelo que é o Perito Moreno; e olha que ele nem é o maior por aqui.

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Vimos até uma enorme massa de gelo se desprendendo da geleira, agitando as águas do Lago Argentino e fazendo um barulhão!

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Em seguida, pegamos um barco que nos levou até a margem mais próxima ao Glaciar Perito Moreno onde, após algumas explicações sobre a formação da geleira e a colocação dos grampões, pudemos caminhar sobre o gelo. A imensidão branca e azul nos dá uma sensação gostosa de paz e quase não percebemos que caminhamos quase 1h30 no gelo. No final do passeio foi servido um whisky (oba!) com gelo do Perito Moreno e um alfajor típico argentino…que jeito gostoso de terminar o passeio!

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O fato curioso do dia ficou por conta de um motorhome que vimos estacionado próximo ao mirante do Perito Moreno com placa de Ilha Solteira. Já tínhamos visto esse mesmo motorhome em Torres del Paine, mas no dia não conseguimos parar e muito menos pegar o endereço do site. Infelizmente não tinha ninguém em casa, mas mandamos uma mensagem para eles e esperamos conhecê-los em breve.

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Hoje (20/10/14) fizemos um passeio de barco chamado Rios de Hielo (Rios de Gelo) com duração aproximada de 5h para ver as Geleiras do braço norte do Lago Argentino. Pena que o tempo fechou e começou a chover, mas nem mesmo esse tempo tira a beleza do lugar.

As geleiras desse lado (Upsala e Spegazzini – na ordem das fotos abaixo) são muito maiores do que a Geleira Perito Moreno, mas nesse passeio não descemos do barco. Também vimos vários icebergs que se soltaram da Geleira Upsala e eles são enormes! Ainda bem que nosso barco não era o Titanic…

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Gostamos bastante de El Calafate e ficar uns dias a mais por aqui foi uma ótima decisão, mas amanhã é dia de seguir em frente pois ainda temos muito chão para cobrir…

De volta à Argentina

Voltamos! Depois de uns dias no Chile vivendo como rei e rainha, voltamos à Argentina. Essa é a terceira vez que entramos no país dos nossos hermanos – a primeira foi quando atravessamos de Colônia (Uruguai) para Buenos Aires; a segunda foi após a travessia do estreito de Magalhães (Chile) para Rio Grande e a terceira hoje (18/10/14) de Torres del Paine (Chile) para El Calafate.

A travessia de hoje foi pelo Paso Fronterizo de Rio Don Guillermo ou Cerro Castilho. Os trâmites novamente foram super tranquilos e se não fosse por um ônibus que estava entrando no Chile e chegou à fronteira 15 minutos antes de nós, teria sido muito mais rápido. De qualquer forma, em menos de 30 minutos já estávamos liberados para seguir viagem.

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A partir de agora seguiremos sentido Norte pela famosa Ruta 40, que é a estrada mais longa da Argentina, correndo paralela à Cordilheira dos Andes de Cabo Vírgenes (Província de Santa Cruz) até a fronteira com a Bolívia ao Norte. Ainda cruzaremos a fronteira com o Chile algumas vezes antes de deixar de vez o território argentino, mas falaremos sobre isso mais para frente.

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Por enquanto ficaremos com o destino dessa perna da viagem – El Calafate, ainda na Província de Santa Cruz. A princípio ficaríamos apenas 1 noite por aqui, mas seria impossível ver tudo que esse lugar tem em pouco mais de meio dia. Assim, decidimos ficar 3 noites por aqui e fazer os passeios com calma. Nos próximos dias faremos uma caminhada pelo Geleira de Perito Moreno (muito legal) e uma navegação chamada Rios de Hielo, que nos dará uma outra perspectiva das geleiras.

Torres del Paine

O Parque Nacional Torres del Paine leva o nome dos 3 pilares de granito que se erguem quase 3.000m acima da estepe patagônica. O parque de 1.810 km2 foi criado em 1959 a partir de uma estância (fazenda) e desde 1978 faz parte da Reserva da Biosfera da UNESCO. Infelizmente houve no Parque 2 grandes incêndios, o primeiro em 2005, causado por um fogareiro de camping; e o segundo em 2011, causado pela queima de lixo em um acampamento (segundo o culpado). Esses incêndios queimaram uma boa parte da vegetação, que até hoje não se recuperou – uma pena!

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Por aqui tudo gira em torno do ecoturismo e o mais comum para os trekkers é fazer o famoso W a partir da Laguna Amarga, que leva de 4 a 5 dias para ser percorrido ou o circuito Paine, que inclui o W e a parte de trás dos picos e leva de 7 a 9 dias. Como estávamos em um hotel dentro do parque, optamos por fazer passeios em regiões diferentes do parque, mas sempre retornando ao hotel para comer e dormir.

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O primeiro passeio foi um hikking moderado de 2h30 até o Mirador del Condor a partir do Hotel Explora, de onde se tem uma vista incrível do maciço Paine. O dia estava muito bonito, com poucas nuvens e um vento moderado (o que é muito difícil), então foi um passeio muito legal.

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Também fizemos um passeio muito puxado de um dia inteiro até a base das torres, que é uma das pernas do W, com direito a neve, gelo, quedas, frio e muita lama. Nessa trilha, caminhamos pouco mais de 18 km, mas subimos cerca de 800 m. Apesar do cansaço valeu a pena conhecer as formações que dão nome ao parque. Para se ter uma ideia de como essa trilha é difícil, basta olhar o estado da bota do William (outro hóspede do Explora) ao final dela (ficamos com dó, mas foi engraçado).

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Conhecemos, ainda, o Lago Sarmiento e suas formações de calcário, semelhantes a um recife de corais que só existem aqui, na Nova Zelândia e Austrália. Infelizmente o dia estava nublado e o lago não estava azul como de costume, mas mesmo assim foi muito bom.

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Caminhamos as margens do Lago Grey, de onde pudemos contemplar a incrível Geleira Grey e alguns icebergs enormes que flutuam da geleira até a parte mais rasa do lago Grey.

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E para terminar fechamos com uma incrível cavalgada nos limites do Rio Paine com direito a mate na caballeriza.

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Ufa! Parece que fizemos muita coisa, mas na verdade não vimos nem um décimo do que o Parque tem a oferecer. A beleza desse lugar é indescritível e as opções são infinitas – realmente somos privilegiados por poder ver tudo isso.

Explora Patagônia – Porque a vida boa é boa!

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Na terça-feira (14/10/2014) chegamos a um dos pontos altos da nossa viagem, o hotel Explora Patagônia, em Torres del Paine – lugar escolhido para comemorarmos nossos 5 anos de casados. Como mencionamos em um post anterior, há alguns anos flertamos com a possibilidade de passar alguns dias nesse hotel, mas as datas nunca coincidiram, então ficamos muito contentes quando conseguimos uma reserva justamente para o período que estaríamos passando por aqui.

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O Explora é um hotel que combina o melhor do ecoturismo com todo conforto e mimos que queremos de uma forma única. São três hotéis no Chile – Patagônia (onde ficamos), Atacama (onde queremos ficar) e Rapa Nui (que um dia pretendemos visitar). Nas palavras do Presidente e fundador do Explora, Pedro Ibáñez, “o Explora proporciona a interação da natureza e cultura local com um esforço físico razoável, que é necessário se você quer ver o que há de melhor; e oferece ao final do dia o conforto e prazer como recompensa por todo esforço.”

A estrutura do hotel é fantástica, com um staff muito grande (guias, motoristas, recepcionistas, barmen, garçons, chefs, camareiras etc.) para atender os hóspedes dos 51 quartos do hotel. E a ordem por aqui é não ficar parado. Todos os dias tem uma programação diferente com diversas atividades de meio dia ou dia inteiro como caminhadas, cavalgadas ou passeios de barcos, além de interessantes palestras sobre fauna, flora e geologia.

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Os passeios nem sempre são fáceis, mas todo o esforço é recompensado quando chegamos ao hotel e somos recebidos com um delicioso banho quente, um belo vinho e um jantar digno dos melhores restaurantes que já estivemos. Isso tudo sem mencionar a vista, que é um show a parte…

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E melhor do que os passeios é a interação entre as pessoas. Em nossa breve estadia no Explora Patagônia, tivemos o privilégio de conhecer o Carlos e Mônica, os recém casados Enio e Carol, o aniversariante Yuri e o Alex, a família Gaspar, Sandra e Victor, a fantástica Rosário, os guias, Benjamim, Cami, Daniela, Victoria, Catalina, Garret, Man, enfim, muita gente legal…

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Chegamos aqui com uma expectativa muito alta e saímos com a certeza de que ela foi superada.

A caminho de Torres del Paine

No dia do aniversário da Cidade mais austral do mundo (12/10/14), nos despedimos do fim do mundo para inaugurar uma nova categoria em nosso menu – o Chile; e nossa despedida foi debaixo de neve.

Estávamos um pouco apreensivos com a condição da estrada, em especial o Paso Garibaldi que fica no meio da Cordilheira Fueguina, já que no dia anterior nevou forte o dia todo e quando saímos voltou a nevar forte. Até pensamos em comprar correntes para as rodas (obrigatório no inverno) pois a Polícia que fica na saída de Ushuaia, dependendo das condições da estrada, não deixa o carro sair da cidade se não tiver correntes para gelo/neve, mas conversamos com o pessoal do hotel e concordamos que não seria necessário.

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No final pegamos apenas um pouco de neve na estrada e logo chegamos em Rio Grande, que como já dissemos é parada obrigatória para todos que chegam e saem de Ushuaia. Dormimos no mesmo hotel que ficamos na ida para Ushuaia, comemos no mesmo restaurante.

Na manhã seguinte (13/10/14) acordamos cedo e pegamos a estrada rumo ao Paso Fronterizo de San Sebástian. Os trâmites de saída da Argentina e entrada no Chile foram novamente super tranquilos e em 30 minutos estávamos liberados para entrar em território Chileno. Pegamos os mesmos 140 kms de rípio – dessa vez com o tempo seco – e acabamos levando duas pedradas no parabrisa dos carros que vinham na mão contrária, que resultaram em 2 belos pés de galinha; e chegamos à fila da Balsa para a travessia do Estreito de Magalhães, que não foi tão tranquila quanto a primeira vez por causa dos fortes ventos.

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Os ventos nessa parte do mundo sopram sempre sempre de oeste para leste e nós estávamos seguindo sentido noroeste, ou seja, além do forte balanço da balsa na travessia do Estreito de Magalhães, por causa do vento contra não conseguimos passar de 80 km/h e o consumo subiu de uma média de 8,5 km/l para lamentáveis 6,0 km/l, o que tornou os 570 km de distância de Rio Grande a Puerto Natales ainda mais longos. Até perdemos a capa do estepe que fica preso no bagageiro do carro, que foi arrancada pelo vento no meio do caminho.

Apesar do vento o caminho entre Rio Grande e Puerto Natales é muito bonito. Achamos curiosa uma placa indicativa de minas e uma cidade quase abandonada entre Punta Delgada e Punta Arenas.

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No terceiro dia de deslocamento (14/10/14) saímos de Puerto Natales em direção ao Hotel Explora, que fica no Parque Nacional Torres del Paine – nosso próximo destino. Esse era um dos destinos mais esperados de nossa viagem, já que há alguns anos tentamos vir para esse hotel, mas as datas nunca bateram. Esse é o nosso presente/comemoração pelos nossos 5 anos de casados, mas falaremos do Hotel Explora e tudo que ele oferece em um post específico.

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Museo Marítimo y del Presidio

No sábado (11/10/14) acordamos com tudo branco; nevou durante a noite e praticamente o dia todo. Nós, como bons brasileiros, corremos para tirar fotos e curtir um pouco da neve fora de hora e do frio.

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Como estava nevando bastante, aproveitamos para conhecer um dos lugares mais visitados no centro de Ushuaia, o Museo Marítimo y del Presidio. O museu ocupa o prédio do antigo presídio de Ushuaia, que funcionou de 1902 a 1947 e posteriormente foi utilizado como base da armada naval argentina, que até hoje ocupa parte do terreno.

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Como comentamos em nosso primeiro post sobre Ushuaia, o governo argentino sempre se preocupou com a sua soberania sobre essas terras, tendo tomado ao longo da história diversas medidas para garantir a sua ocupação. Uma das primeiras, ainda no final do século 19, foi criar nessa região uma colônia penal, que começou com cerca de 27 presos – 18 homens e 9 mulheres, mas pouco depois, em razão das condições climáticas difíceis, acabou se tornando um presídio exclusivamente masculino.

Os próprios presos foram responsáveis pela construção do presídio, que levou aproximadamente 18 anos para ser concluída. Durante o período de funcionamento, nenhuma fuga foi registrada; que dizer, nenhum preso conseguiu efetivamente escapar pois foram recapturados ou se entregaram voluntariamente em razão do frio ou da fome.

Hoje, além do museu, o prédio abriga uma galeria de arte e uma interessante exibição sobre a história naval da região, com informações sobre naufrágios, maquetes e fotos. Do lado de fora existe uma réplica do antigo farol de San Juan de Salvamento, que ficava na remota Isla de los Estados e inspirou o livro de Jules Verne chamado “O Farol do Fim do Mundo”.

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Com esse clássico da literatura, fechamos nossa passagem pelo fim do mundo. Agora é hora de subir em direção ao outro extremo do planeta, o Alasca.

Aniversário no fim do mundo

Sexta-feira (10/10/14) – Hoje celebramos o aniversário do Ditian, Erika, Lutty, Priscila e o mais importante, nosso quinto aniversário de casamento. O tempo não estava muito bom e para ajudar a gente ainda tinha que passar na oficina para consertar a mangueira do ar condicionado e trocar o óleo do Godzilla. Assim, deixamos as comemorações para a parte da tarde.

É incrível, mas no fim do mundo existem várias Land Rovers Defenders que são utilizadas pelas agências de turismo para fazer passeios na região e, consequentemente, existem várias oficinas especializadas em Defenders – o único ponto é que você tem que levar tudo que ele vai usar – filtros, óleos, peças etc – ele só entra com a mão de obra e as ferramentas. Essa oficina nos foi recomendada pelo Sergio Medeiros do Projeto Mundo Cão – Valeu!

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O início das comemorações foi debaixo de neve – sim NEVE! Fizemos uma caminhada até o Glaciar Martial (a cerca de 15 min de carro do centro de Ushuaia), que durante a temporada de inverno é uma agitada pista de esqui; e como aqui no fim do mundo o tempo muda de uma hora para outra, no final da subida fomos surpreendidos por uma nevasca moderada e acabamos descendo.

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A noite jantamos no gostoso restaurante Kaupé, que fica na parte alta da cidade e tem uma vista privilegiada e aproveitamos para brindar o nosso aniversário de casamento e os 130 anos da cidade de Ushuaia comemorado no domingo (12/10/14).

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La Pingüinera

Na quinta-feira (09/10/14) fizemos um passeio muito bacana até a Isla Martillo, situada no meio do Canal Beagle, entre a Argentina e o Chile, onde pudemos caminhar por cerca de 1 hora em meio a centenas de pinguins. No caminho paramos para observar uma curiosa árvore, que cresceu torta por causa do vento (e como venta por aqui).

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Por volta da década de 70 uma colônia de Pinguins de Magalhães se estabeleceu nessa ilha particular e fez dela um grande berçário. Todos os anos entre Outubro e Abril os pinguins aparecem nessa ilha para procriar, sendo que hoje já são mais de 1.000 ninhos. A fêmea põe apenas 2 ovos no final do mês de outubro e da metade de novembro até o início de dezembro nascem os filhotes.

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Também existe uma pequena colônia de Pinguins Papúas, que são maiores e mais coloridos do que os Pinguins de Magalhães. Segundo nossos guias, essa colônia com cerca de 30 Pinguins Papúas é a única na América do Sul.

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A cereja do bolo desse passeio ficou por conta de um único Pinguin Rei que estava no meio dos Pinguins Papúas. Nos últimos 2 anos a ilha recebeu 2 Pinguins Reis e esse ano apenas 1, e poder obervá-lo de perto tornou nosso passeio muito especial.

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Ao sair da ilha visitamos o Museu Acatushún, que também funciona como instituto biológico e centro de pesquisa de animais marinhos. O tour guiado por uma bióloga do centro de pesquisa foi muito bom e pudemos aprender um pouco mais sobre baleias, golfinhos e pinguins.

No final do dia, jantamos com a Alex (nossa carona do Parque) e o Yannick (seu amigo) em um restaurante local onde comemos o tradicional cordeiro fueguino, além de chorizo (linguiça), vacio (fraldinha) etc. O esquema era um rodízio, mas nem pensem que se trata de um rodízio como o nosso – acho que estava mais para um “all you can eat buffet”, mas mesmo assim muito bom.

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Parque Nacional Tierra del Fuego

Na quarta-feira (08/10/14) visitamos o Parque Nacional Tierra del Fuego e chegamos ao final da Ruta 3, que também é considerado o final da famosa Panamerican Highway, que liga o Ushuaia a baía de Prudhoe no Alasca a mais de 17.000 km de distância.

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Segundo o Livro de Recordes do Guinness, a Panamerican Highway é a rodovia mais longa do mundo e é trafegável em praticamente toda sua extensão, exceto pelo trecho conhecido como Darien Gap, que é uma falha geológica na fronteira entre a Colômbia e o Panamá.

Voltando ao assunto, a beleza do Parque Nacional Tierra del Fuego é indescritível. Apesar do tempo nublado ficamos algumas horas contemplando a paisagem e caminhando pela Bahía Lapataia, Laguna Negra e Enseada Zaratiegui.

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Na Enseada Zaratiegui está localizada a última agência de correio argentina, que leva o nome de Agencia “Fin del Mundo” (evidentemente), de onde você pode mandar um postal ou carta com o carimbo do fim do mundo…legal!

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No parque nos despedimos do Ivan e Flor da Veraneio Viajante (www.veraneioviajante.com.br), que estão viajando em uma Veraneio 1973 e já estão há 3 meses na estrada – 2 só na Argentina, desejando encontrá-los novamente em breve.

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Também conhecemos a Alexandra Lewis-Wortley, uma inglesa que está há 14 meses mochilando pelo mundo, passando pela Ásia e Oceania; e agora está rodando pela América do Sul. Mesmo sem banco, demos uma carona para ela do parque até Ushuaia para não deixá-la literalmente a pé no fim do mundo.

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Alexandra Lewis-Wortley

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Esse foi o encontro mais inusitado da viagem (até agora). Estávamos no Parque Nacional Tierra del Fuego, no final da Ruta 3, quando a Alex nos pediu uma informação sobre a trilha até Laguna Negra, que ficava a cerca de 5 km de onde estávamos.

Quando pegamos o carro e voltamos para a estrada lá estava ela, caminhando no frio. Paramos e oferecemos uma carona (não muito confortável já que o Godzilla não tem um terceiro banco) e acabamos percorrendo o Parque Nacional Tierra del Fuego juntos.

A Alex é uma inglesa que deixou tudo para trás e está há 14 meses mochilando pelo mundo. Ela contou que visitou vários países do sudeste asiático e Oceania e estava agora viajando pela América do Sul. Ela terminará a viagem a tempo de voltar para casa para as festas de fim de ano, mas esperamos revê-la antes disso.

Cheers Alex!

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This was the most unusual meeting so far. We were at Parque Nacional Tierra del Fuego, at the very end of the Ruta 3 when Alex asked for directions to a place named Laguna Negra which was 5 km away.

When we returned to the car and got back to the road there she was, walking on the cold Ushuaia Spring. We stopped and offered her an uncomfortable ride (the Godzilla has no back seat) and we ended driving the entire Parque Nacional Tierra del Fuego together.

Alex is a british girl that has left everything behind and is backpacking for the last 14 months. She told us that she has visited many countries of the South Asia and the Australian Continent and its now traveling through South America. She will finish her adventure this year just in time for Christmas, but we hope to see her again before that.

Cheers Alex!

Enfim o fim 

Na terça-feira (07/10/14) chegamos ao fim do mundo – Ushuaia. Por aqui tudo leva a expressão “fim do mundo” no nome – Chocolate del fin del mundo, Restaurante del fin del mundo, Hostel del fin del mundo etc; e, ao contrário do que imaginávamos, a cidade mais austral do mundo é grande e agitada.

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A Ruta 3 de Rio Grande à Ushuaia é uma das estradas mais bonitas que passamos até agora. A paisagem mudou drasticamente e passamos por praias desertas, planícies com pastos, vales cheios de árvores e montanhas cobertas de neve. Antes de chegar à Ushuaia, temos que cruzar os Andes Fueguinos por uma passagem chamada Paso Garibaldi (o primeiro veículo que cruzou essa passagem foi um jeep em 1956), que tem uma vista deslumbrante.

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Ushuaia leva o título de cidade mais austral do mundo porque tem cerca de 70 mil habitantes, mas na realidade, o lugar mais ao sul permanentemente habitado é a vila chilena de Puerto Williams, com aproximadamente 1.600 habitantes e 5 kms mais próximo do Polo Sul. De qualquer forma, deixando a controvérsia de lado, ficamos muito impressionados com a beleza desse lugar.

O crescimento da cidade foi impulsionado pelo governo argentino a partir da década de 70, como uma forma de proteger seus limites territoriais e garantir a soberania argentina sobre as terras e o importante Canal de Beagle, que liga os Oceanos Pacífico e Atlântico.

Assim, Ushuaia conta com incentivos fiscais semelhantes a da Zona Franca de Manaus e um dos salários mínimos mais altos de toda a Argentina, o que atrai argentinos e estrangeiros e provoca um crescimento um tanto desordenado.

Apesar da sua localização (no paralelo 54) Ushuaia não é uma cidade tão fria. Por ser protegida pelas montanhas e pelo Canal de Beagle suas temperaturas médias variam de -1 (no inverno) a 10 graus (no verão).

Apesar das temperaturas relativamente amenas para um local tão próximo do Polo Sul, em Ushuaia o clima é totalmente imprevisível. Em um momento está sol com a temperatura em 3 ou 4 graus positivos e no momento seguinte uma baita nevasca com a temperatura próxima de zero – até para nós, paulistas, fica difícil entender…

 

Veraneio Viajante

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O Ivan e a Flor da Veraneio Viajange (http://www.veraneiroviajante.com.br) é outro casal incrível que conhecemos na estrada. Eles viajaram de Mauá/SP até Ushuaia em uma Veraneio 1973 chamada Veruska.

Nós estamos seguindo o blog e facebook deles desde o primeiro dia de viagem no começo de agosto, mas não tivemos a oportunidade de conhecê-los pessoalmente até chegarmos ao fim do mundo. Após algumas garrafas de vinho e uma ótima conversa, nós decidimos chegar ao final da Panamerican Highway (Ruta 3) juntos e não poderia ter sido melhor.

Nós pudemos dividir com o Ivan e a Flor a sua felicidade por chegar ao fim do mundo e gostaríamos de desejar à eles uma ótima viagem com muitos vinhos incríveis. Esperamos revê-los em breve.

Saúde amigos!

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Ivan and Flor from Veraneio Viajante (http://www.veraneiroviajante.com.br) is another great couple that we have met on the road. They have traveled all the way from Mauá/SP to Ushuaia in a 1973 Chevy Veraneio named Veruska.

We were following their blog and facebook page since the very first day in early August, but we didn’t have the opportunity to meet them until we both reach the end of the world. After some bottles of wine we have decided to reach the end of the Panamerican Highway (Ruta 3) together and it couldn’t be better.

We have shared Ivan and Flor’s happiness for reaching the end of the world and we would like to wish them a great trip with lots of fantastic wines. We hope to see you again soon.

Saúde amigos!

 

Tierra del Fuego

Hoje (06/10/14) chegamos à nossa última parada antes do Ushuaia, a cidade de Rio Grande na província de Tierra del Fuego. Para chegar até aqui, de Rio Gallegos andamos cerca de 100km em uma estrada pavimentada (pela primeira vez vimos alguns buracos) até o Paso Integración Austral (horário de funcionamento das 8h30 às 22h), que é a fronteira entre a Argentina e o Chile. No caminho o tempo dava indícios que chegar ao fim do mundo não seria fácil e não deu outra, quando chegamos à fronteira com o Chile começou a chover e a temperatura desabou.

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Os trâmites de saída da Argentina e entrada no Chile são bem organizados e levamos cerca de 25 minutos para passar pelas imigrações argentina e chilena; aduanas argentina e chilena; e vigilância sanitária chilena. Depois, com nossos passaportes devidamente carimbados, entramos na fila para a inspeção de fronteira. Os chilenos são bastante rigorosos em relação à entrada de frutas, verduras e carnes; então fiquei (Dan) mais 15 minutos debaixo de chuva com um pouco de gelo e muito frio, enquanto o agente de fronteira abria e fechava nossos compartimentos, fazendo diversas perguntas à Liene.

Passando a fronteira entramos na Ruta del Fin del Mundo debaixo de uma chuva que parecia o anúncio do fim do mundo (tá bom, estou exagerando). Seguimos cerca de 40km até a cidade de Punta Delgada, onde pegamos uma balsa (Primera Angostura Crossing) e atravessamos o Estreito de Magalhães (dos nossos livros de Geografia). A travessia leva cerca de 20 minutos e é muito tranquila. As balsas saem a cada 60 minutos e custam pouco mais de 25 USD.

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Do outro lado do Estreito de Magalhães são mais 10km de asfalto e 120km de Rípio (cascalho) até chegar ao Paso Fronterizo San Sebastian, fronteira entre o Chile e a Argentina. Dessa vez o processo de saída do Chile e entrada na Argentina foi feito em duas etapas, a primeira para sair do Chile levou 15 minutos. Em seguida andamos mais 13km em uma estrada de terra/rípio muito ruim até chegar à imigração e aduana argentina. Mais 2 carimbos no passaporte, uma breve conversa com o agente de aduana argentino sobre o frio e fomos liberados para seguir viagem.

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Ao chegarmos em Rio Grande tivemos uma bela surpresa. O tempo que até então estava fechado, chovendo e muito frio, simplesmente abriu e até esquentou um pouquinho. Deu até para ver a praia, mas quem tem coragem de entrar na água? Eu (Dan) só coloquei a mão, mas nem em sonho vou entrar nessa gelada (literalmente).

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Amanhã finalmente chegaremos ao fim do mundo! Aguardem!

Petróleo e poeira rumo ao Ushuaia

Nos últimos 3 dias estamos apenas cumprindo trechos de deslocamentos pela Ruta 3 até o Ushuaia. Após um churrasco no estilo argentino (ojo de bife e vinho) em Puerto Madryn, partimos no dia 03/10 rumo à empoeirada Comodoro Rivadavia (como definiu o Lonely Planet) a cerca de 470 km de distância. Essa cidade na província de Chubut é um importante polo petrolífero – tudo por lá gira em torno da indústria do petróleo e não por acaso foi o diesel mais barato da viagem (10,29 ARS ou 0,672 USD)

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No dia seguinte (04/10) partimos para a também empoeirada Puerto San Julian a 440 km de Comodoro Rivadavia, onde acampamos no Camping Municipal que fica a beira mar (legal!). A exemplo do que aconteceu em Mar Del Plata, o camping estava totalmente vazio. Quando chegamos algumas famílias estavam aproveitando o sábado de sol na área do camping, mas quando a noite caiu ficamos só nós. Esse camping também tem uma infraestrutura muito boa, com chuveiros (quentes), pias e wi-fi (que funcionava apenas próximo a recepção, mas tudo bem).

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Hoje (05/10) levantamos acampamento rumo a Rio Gallegos, capital da província de Santa Cruz e última grande cidade antes de cruzar a fronteira com o Chile. Sim, amanhã cruzaremos a fronteira com Chile, pegaremos um ferry e cruzaremos novamente a fronteira para a Argentina antes de chegar à última parada antes do Ushuaia, a cidade de Rio Grande.

Em comum os 3 últimos dias tiveram a poeira, estradas boas e quase retas, pouco movimento e pouquíssimos postos de combustíveis. O guia Lonely Planet, no capítulo sobre a Patagônia, recomenda que se carregue combustível extra. Nosso carro tem um tanque extra de diesel que dá uma autonomia total de cerca de 850 km, mas mesmo assim enchemos o galão de 20L que fica no bagageiro – apenas como garantia.

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Puerto Madryn e a Península Valdés

Ontem (01/10/14) rodamos quase 700km de retas intermináveis e tediosas entre Bahía Blanca e Puerto Madryn. Do que vimos até agora, podemos dizer uma coisa das estradas argentinas: apesar da crise, todas  estão em ótimas condições (bem sinalizadas e com um ótimo asfalto) – bem que o Brasil poderia fazer o mesmo.

Nesse trecho passamos por 3 barreiras fito-sanitárias, sendo que na primeira tivemos que abrir a geladeira, abrir a porta traseira e até o capô. Ficamos intrigados com a revista do motor e perguntamos para o agente se alguém já tinha escondido algo lá, no que ele respondeu que nós não imaginamos onde as pessoas escondem carne – nisso lembramos da nossa amiga Eleni, que escondeu dois bifes na bolsa ao atravessar a fronteira para o Chile e acabamos concordando com a revista desse lugar inusitado…kkk

Ainda no caminho cruzamos uma espécie de santuário (já tínhamos visto alguns pela estrada, mas nada desse tamanho). Este em especial era dedicado a uma figura religiosa de devoção popular na Argentina chamado Gauchito Gil. Segundo a versão mais difundida da sua história, Antonio Gil foi um gaúcho, trabalhador rural, que foi assassinado em 1878 e desde então muitas pessoas atribuem a ele a cura de diversas doenças e enfermidades.

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No final da tarde chegamos em Puerto Madryn. Como comentamos em um post anterior, não tínhamos planejado ficar em Puerto Madryn, apenas passar uma noite aqui a caminho do Ushuaia. Mas, pesquisando a nossa rota, descobrimos que Puerto Madryn é vizinha da Península Valdés, importante reserva natural, que foi declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1999.

Obviamente não poderíamos passar por aqui sem conhecer esse lugar que abriga Leões Marinhos, Elefantes Marinhos, Pinguins de Magalhães, Orcas (sim, baleias Orcas) e as Baleias Francas Austrais, que estão na lista de espécies ameaçadas de extinção. A entrada é controlada e cobrada (160 ARS por pessoa) e a península tem mais de 4.000 km2 com mais de 400 km de estradas de rípio (cascalho). Nosso passeio de Puerto Madryn à Península Valdés acrescentou 430 km ao hodômetro do Godzilla – então a dica é se programar para conhecer os pontos mais interessantes ou ter mais de 1 dia para se perder pelo parque.

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Vimos muitas ovelhas (ainda existem algumas fazendas dentro da reserva), Pinguins de Magalhães chocando seus ovos, Leões Marinhos e Elefantes Marinhos tomando sol na praia (que é exclusiva para eles), mas nada das baleias. Só no final do dia, quando já estávamos retornando para Puerto Madryn, é que avistamos as primeiras baleias; e para fechar com chave de ouro, paramos em uma praia onde as baleias francas estavam a cerca de 25 metros de nós, dando um verdadeiro show.

Que dia incrível!

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A caminho do Ushuaia

Ontem (29/09/14) saímos de Buenos Aires a caminho do Ushuaia, a mais de 3.000 km de distância. Para cobrir essa distância toda vamos fazer diversas paradas, sendo a primeira delas na Cidade de Mar del Plata, importante balneário com aproximadamente 600 mil habitantes, situado a 430 km de Buenos Aires e ligado por uma estrada de pista dupla (ruta 2) muito boa.

Em Mar del Plata ficamos em um camping pela primeira vez nessa viagem (oba!). Apesar do tempo feio (nublado com uma leve névoa), decidimos que já era hora de dormirmos na barraca do teto e fomos direto ao Camping El Griego. Esse camping tem uma estrutura muito legal e faz parte de um complexo que inclui um parque aquático (tipo wet’n wild), mas como estamos fora da temporada não havia ninguém acampando – apenas nós.

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Sem vizinhos, nem wi-fi, ajeitamos nossas coisas, tomamos um banho frio (essa foi a pior parte – a água do banheiro não esquentava), fizemos um lámen (já que nem mercado aberto encontramos) com uma salada e fomos dormir. Dormir – pelo menos isso foi bom – no nosso travesseiro (nem lembrava que estávamos carregando dentro da barraca) e no nosso saco de dormir quentinho para espantar o frio que fazia do lado de fora – e que frio!

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Após uma boa noite de sono, hoje (30/09/14) voltamos para a estrada a caminho do nosso próximo destino – Bahía Blanca – que é uma parada quase obrigatória para todos que estão indo ou voltando do Ushuaia. Inicialmente pensamos em quebrar o trecho de Mar del Plata e Bahía Blanca em 2 dias, mas decidimos seguir direto para ficar um dia a mais em Puerto Madryn (nossa próxima parada) e conhecer a Península Valdés, que nessa época do ano recebe a visita das Baleias Francas Austrais (demais!).

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Hoje também fomos parados em nossa primeira blitz policial em terras argentinas. Apesar da “intenção” do oficial de nos multar por causa do GPS que estava fixado no parabrisa (onde mais deveríamos fixá-lo?) o outro oficial acabou deixando por isso mesmo e nos liberou.

 

Habemus Papam

Se Deus é brasileiro, por que o Papa não pode ser argentino? Com essa pergunta na cabeça embarcamos no Buquebus em Colonia del Sacramento e chegamos ontem (27/09/14) a cidade de Jorge Mario Bergoglio ou Papa Francisco – Buenos Aires – a terra do tango, das empanadas, do El Caminito, do estádio do Boca Juniors etc.

Segundo pesquisas recentes do Ministério do Turismo, a Argentina é o segundo destino mais procurado por brasileiros, perdendo apenas para os Estados Unidos. Contudo, as mesmas pesquisas apontam que a Argentina é normalmente o primeiro destino visitado por brasileiros que saem do Brasil pela primeira vez. A proximidade (cerca de 3 horas de vôo), língua (todos nós falamos portunhol – rs) e câmbio favorável fazem com que esse destino seja um top pick.

Nós ficamos em um ótimo hostel (America del Sur) em San Telmo. Com uma área pouco maior que 1 km quadrado, esse é um do menores e mais antigos bairros da cidade. Algumas ruas são de paralelepípedo e ainda existem muitas casas e outras construções antigas. No centro do bairro fica a Plaza Dorrego onde acontece, aos domingos, a Feria de San Telmo, que é um passeio obrigatório para quem passa um fim de semana em Buenos Aires. Pena que hoje estava chovendo, então não conseguimos andar com calma pela feirinha.

Nosso propósito em Buenos Aires era cuidar de algumas coisas do carro (não foi necessário) e, principalmente, reequilibrar as finanças após o Brasil e o Uruguai. Por aqui o câmbio oficial paga 8,20 pesos por dólar; entretanto, o câmbio paralelo estava pagando em média 15,30 pesos pelos mesmo dólar. Nós não estamos acostumados a buscar essas soluções alternativas, mas isso é uma prática comum aqui na Argentina.

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