No último dia da travessia, deixamos nosso refúgio em Aravilla e passamos no povoado de Mauque que tem impressionantes 4 habitantes. Apesar do pequeno número de habitantes, esse povoado conta com uma quadra poliesportiva novinha e uma escola que atende até o sexto ano do nível primário – impressionante!
Outra coisa impressionante nesse povoado é a igreja construída no final do século 17 toda em pedra e argila, com uma nave de 5,8 metros de largura por 23 metros de comprimento. Seu teto é feito de madeira de cactos e coberto por uma palha local, chamada paja brava. Ainda existe um campanário de 2 níveis, independente da estrutura principal, como muitas outras igrejas construídas durante o período de colonização espanhol.

Infelizmente essa linda igreja, que foi declarada monumento histórico nacional em 2006, está sofrendo com o tempo e descaso das autoridades. Parte de seu teto desabou e todas as paredes tem danos visíveis decorrentes de terremotos e da ação do tempo.
Voltando à estrada, seguimos pela Ruta del Desierto até Iquique, capital da região de Tarapacá, com direito a uma parada no caminho para um lanchinho no estilo do Explora. Com cerca de 167.000 habitantes, essa cidade as margens do Oceano Pacífico é vibrante e ao mesmo tempo calma. Aqui ficamos hospedados em um hotel de frente para o mar, com todos os confortos da vida moderna – inclusive wifi e energia elétrica.
A noite jantamos todos juntos para comemorar o final de uma travessia de mais de 950 km e seis dias. A Bolívia ficou para trás, mas sempre nos lembraremos dessa experiência incrível. Agora vamos em frente, que dizer, vamos voltar para buscar o Godzilla que ficou quase 1 semana esquecido em San Pedro de Atacama.
No nosso último dia na Bolívia e penúltimo dia de travessia acordamos cedo (5h30), tomamos o café da manhã, tiramos uma foto e nos despedimos da atenciosa equipe que cuidou de nós na Bolívia e saímos rumo ao Chile.
Na foto, da esquerda para a direita – Dan; Adriano (BRA); Margareth (BRA); Felix (nosso motorista); Hortência (esposa do Felix e nossa cozinheira); Vladimir (ajudante do Felix e da Hortência); Santusa (ajudante da Hortência); Liene; Marlies (GER); Achim (GER); e Álvaro (nosso guia)
Antes de chegar à fronteira passamos pelas vilas de Llica (leia-se jica), Irpa e pelo Salar Coipasa. As condições da estradas continuaram péssimas, o que fez o trajeto de pouco mais de 150 km durar longas e sacolejantes 6 horas, mas 15 km antes da fronteira pegamos pela primeira vez na Bolívia um trecho de asfalto da estrada que liga a fronteira com o Chile à cidade de Oruro e mais adiante La Paz.
Nossa última entrada em território chileno foi pelo Pazo Fronterizo Colchane. Ao contrario da fronteira em San Pedro de Atacama, que era extremamente bagunçada, em Colchane a fronteira Bolívia/Chile é integrada e muito organizada. Os trâmites foram super rápidos e em menos de 20 minutos já tínhamos nos despedido do nosso motorista Felix, carimbado a saída da Bolívia e a sexta (e última) entrada no Chile, passado pelas aduanas boliviana e chilena e encontrado nosso novo motorista chileno Cornélio.
Da fronteira seguimos para nosso último refúgio no altiplano chileno que fica na base do Vulcão Isluga no vilarejo de Aravilla. O vulcão Isluga é mais um dos inúmeros vulcões chilenos em atividade; do nosso refúgio podíamos ver sua cratera fumegante, o que torna o lugar ainda mais interessante.
E por falar em coisas interessantes, nesse último refúgio fomos recebidos pelo Chef do Explora Atacama, Mathias. Ele veio pessoalmente de San Pedro de Atacama com o nosso motorista Cornélio para preparar o penúltimo jantar da travessia (o último foi em um restaurante em Iquique).

O jantar estava fantástico e abusamos da sua gentileza e experimentamos um pouco de tudo – risoto de cogumelos, quinoto (quase um risoto, mas com quinua), bife, truta e a sobremesa, que segundo ele era uma mistura de sabores e texturas. Tudo muito bom!
No quarto dia de travessia ficamos na região de Tagua, de onde partimos logo de manhã para uma visita a um outro cemeterio de chulpas localizado pouco abaixo da cratera do vulcão Thunupa na vila de Coqueza. O cemitério fica a cerca de 4900 metros de altura e tem 7 múmias (5 adultos e 2 crianças). Apenas a família que era composta pela mãe (18 anos), avó (35 anos) e duas crianças (2 anos aproximadamente) são originalmente desse local; as demais foram trazidas de outros lugares como uma forma de incentivar o turismo.
Saindo de Coqueza, passamos por uma outra vila chamada Chantani, onde um morador local chamado Santos expõe artefatos recolhidos por ele na região nos últimos 5 anos. Muitas das peças expostas em sua casa/museu são únicas e contam uma parte da rica história pré-colombina.
O senhor Santos nos explicou que ele recolhe essas peças para evitar que sejam roubadas ou que se deteriorem, mas não sabemos se concordamos com esse tipo de conduta. Por um lado ele se preocupa em preservar a sua cultura e história, mas por outro lado as peças são retiradas de seus locais originais sem o devido estudo e armazenadas/expostas muitas vezes sem cuidado, o que pode resultar em uma perda ainda maior.
Vimos muito disso em nossa passagem pela Bolívia. Os bolivianos têm um interesse legítimo de preservar suas raízes e cultura, mas o fazem muitas vezes de forma totalmente improvisada e sem qualquer apoio do governo.
No fim da tarde voltamos ao Salar Uyuni para nos despedirmos desse lugar incrível com um bonito por do sol. As cores do salar no por do sol são incríveis e ficamos um bom tempo admirando a sua beleza.
Ao retornamos para o nosso refúgio de Tahua fomos recebidos com um belo jantar de despedida com pratos típicos da cozinha boliviana e após a sobremesa nos recolhemos já que teríamos que acordar cedo no dia seguinte.
O terceiro dia de travessia era o mais aguardado pois, enfim, entraríamos no Salar Uyuni – ponto alto da viagem, mas antes de chegarmos ao Uyuni passamos por outros pontos importantes da história da Bolivia.
O primeiro foi San Pedro de Quemes, que foi queimada pelos chilenos durante a Guerra do Pacífico em 1879. Os sobreviventes do massacre se mudaram para um local a cerca de 7 km chamado Ikala (hoje desabitado), mas alguns anos mais tarde retornaram e reconstruíram a cidade que hoje tem aproximadamente 500 habitantes.
Ainda em San Pedro de Quemes vimos uma trilha marcada por totens brancos até o vulcão próximo ao povoado. Todos os anos os locais sobem até a cratera do vulcão e sacrificam lhamas como uma oferenda a terra.
Saindo de San Pedro Quemes visitamos a Galaxia Dos Estrellas, que é uma gruta onde foram encontradas diversas algas fossilizadas. Infelizmente, apesar desse local abrigar um importante sítio arqueológico, existe muito pouco apoio do governo para pesquisas, sendo tudo mantido pelo esforço das pessoas que o descobriram.
No mesmo local da Galaxia Dos Estrellas fica o Cemeterio de Chulpas, um antigo cemitério onde os mortos eram deixados sentados com os braços apoiados nos joelhos pois acreditava-se que eles retornariam a vida e levantariam de seu túmulo.
Os túmulos também não eram fechados e estavam sempre voltados para o Vulcão Thunupa, que na realidade é uma Deusa para a antiga cultura local e fica no extremo norte do Salar Uyuni, próximo do nosso próximo refúgio.

Saindo da Galaxia Dos Estrellas finalmente entramos no Salar Uyuni. Que lugar deslumbrante!!!

O Felix, nosso motorista, e o Alvaro, nosso guia, nos deixaram no meio do salar para que tivéssemos a experiência de caminhar sozinhos por esse lugar, enquanto eles preparavam nosso almoço poucos quilômetros adiante. Tudo é impressionante e assustador! Apesar de conseguirmos ver o carro estacionado, não fazíamos ideia da distância que teríamos que caminhar. Por ser um imenso deserto branco perdemos a noção de distância e algo que imaginamos estar a cerca de 10km pode, na realidade, estar a 110km.
Ainda no Salar Uyuni passamos pela Isla del Pescado que tem cactos e algumas biscachia que ninguém sabe explicar como foram parar ali, e antes de chegarmos ao nosso terceiro refúgio em Tagua, pudemos ver os espelhos d’água que se formam no salar após as chuvas.
Vulcão Thunupa antes do pôr do sol visto de nosso refúgio em Tagua:
Após um merecido descanso acordamos para mais um dia da nossa travessia. Como chegamos em Cañapa a noite, não fazíamos ideia do lugar que estávamos, e o amanhecer revelou mais uma paisagem maravilhosa do altiplano boliviano.
Voltando a nossa travessia, no segundo dia as condições da estrada não melhoraram muito. Rodamos cerca de 140 km por estradas muito precárias e mal sinalizadas (para não dizer que não havia nenhuma sinalização), mas todo esse sacrifício foi compensado pelas incríveis belezas naturais. Saindo de nosso refúgio, conhecemos de perto a Laguna Cañapa e seus inúmeros flamingos;
Também fizemos uma caminhada de mais de 2 horas pela Laguna Turquiri e almoçamos em frente a uma pedra apelidada de Margareth Tacher;
Cruzamos o Salar Chiguana; e chegamos ao nosso segundo refúgio em Chituca.
O fato mais curioso do dia foi pararmos literalmente no meio do nada para usar o celular. Segundo o nosso guia esse é o único lugar durante toda nossa travessia onde o celular funcionaria (sinal da Movistar chilena), mas descobrimos mais tarde que em Tahua a operadora boliviana (Bomov) funciona (pelo menos o celular).
(E.T. phone home)
Finalmente, no fim do dia, chegamos ao nosso segundo refúgio. Diferentemente de Cañapa, onde os quartos, cozinha, banheiros e estruturas de apoio eram todos em conteiners, em Chituca foi preservada a estrutura externa em pedras e apenas o telhado e o interior foram reconstruídos pelo Explora.
Apesar do mal estar da Liene provocado pelos solavancos do carro nas péssimas estradas bolivianas, a segunda noite no altiplano boliviano foi um pouco mais agradável. Primeiro estávamos em uma altitude menor (3.600m) e depois a temperatura estava mais amena, então conseguimos dormir um pouco melhor.
Saímos de San Pedro de Atacama por volta das 8h30. A imigração e aduana chilena ficam dentro da cidade de San Pedro (estão construindo um novo paso fronterizo a cerca de 40 km de San Pedro, mais próximo a fronteira). De San Pedro seguimos em direção a Bolivia, cuja fronteira é uma bagunça incrível com carros, ônibus e gente por todos os lados, mas mesmo assim foi tudo muito rápido e duvidamos que o oficial de imigração tenha sequer olhado nossa foto.
Com os passaportes carimbados, é hora de trocar de carro. Na Bolivia apenas carros e motoristas bolivianos podem transportar turistas. Segundo nosso guia, só no Salar Uyuni são mais de 90 empresas bolivianas que oferecem passeios e traslados, mas nem sempre de forma honesta ou segura.

Vimos alguns Toyotas Land Cruisers guiados por motoristas que aparentavam ter menos de 18 anos. Também vimos outros com excesso de pessoas (até 9 pessoas), excesso de carga, excesso de velocidade, em mal estado de conservação, enfim…

Isso sem falar nas precárias estradas bolivianas. Sabíamos que não seria fácil e que muitas vezes as pessoas se guiam pelas montanhas e vulcões, mas sinceramente não esperávamos nada parecido com o que vimos. Estradas sem nenhuma sinalização, onde cada um segue o rumo que quiser, um rípio (se é que dá para chamar isso de rípio) que faz o pior caminho que pegamos parecer um tapete e motoristas totalmente imprudentes.
Vendo tudo isso tivemos certeza que a decisão de deixar o carro em San Pedro foi a melhor que tomamos até agora, mas nem tudo é ruim. A Bolívia também tem um lado surpreendentemente bonito e a imensidão do deserto nos convida a fazer uma reflexão profunda além de trazer uma enorme sensação de paz interior.
No primeiro dia visitamos a Laguna Blanca;
A Laguna Verde;
Os Geisers Sol del Mañana com o seu inconfundível cheiro de enxofre;
A Laguna Colorada e seus inúmeros flamingos;
A Arbol de Piedra;
A Laguna Onda; a Laguna Negra; e a Laguna Hedionda, de onde vimos o pôr do sol.
O dia foi longo e o mais incrível é que andamos apenas 220 km! Mas fechamos o primeiro dia de nossa travessia em um espetacular acampamento a mais de 4300 metros de altitude construído e mantido pelo Explora especialmente para essas travessias.
A Bolívia e em especial o Salar Uyuni sempre nos fascinaram e durante a fase de planejamento da viagem conversamos bastante sobre a melhor forma de conhecer esse lugar único. Como estamos fazendo uma viagem de carro, a primeira ideia foi cruzar a Bolivia a partir de San Pedro de Atacama, mas estávamos preocupados com esse trecho e nossos instintos diziam que seria melhor não ir de carro.
Muitas pessoas já fizeram esse mesmo trecho de carro, moto, com excursões chilenas/bolivianas, então parecia um pouco exagerada a nossa preocupação, mas decidimos confiar nos nossos instintos e deixar o Godzilla descansando em San Pedro de Atacama debaixo de uma belíssima sombra.
Parte da decisão de ficar no hotel Explora Atacama foi tomada em razão de um pacote que o hotel oferece chamado travessia. São diversas travessias, sempre saindo ou chegando em um dos hotéis Explora na Patagônia ou no Atacama. Nas travessias o Explora oferece a possibilidade de conhecer rotas únicas, ficando em acampamentos ou estruturas nômades chamados refúgios, que foram construídos ou reformados especificamente para atender os viajantes do Explora.
Os refúgios da Bolívia são lugares simples, sem energia elétrica, TV, wi-fi ou sinal de celular, mas mesmo assim são confortáveis dentro do possível, com quartos e banheiros individuais, cozinha e área para refeições.
Cada travessia do Explora tem um máximo de 6 hóspedes e tudo é pensado para atender esse número de viajantes, desde o número de quartos e banheiros disponíveis até o staff que nos acompanha. O staff é composto por um guia e um motorista que nos acompanham todos os dias e uma equipe de apoio com 3 pessoas que seguem na frente e preparam o refúgio seguinte e cuidam das refeições.
Em nossa travessia, ficamos 4 dias nos aclimatando com a altitude em San Pedro de Atacama, no hotel Explora Atacama, e 6 dias cruzando a Bolivia desde San Pedro, terminando novamente no Chile na Cidade de Iquique, que contaremos a partir desse post.
Em San Pedro de Atacama ficamos no Hotel Explora Atacama, que é irmão do Explora Patagônia onde ficamos em nossa visita ao Parque Nacional Torres del Paine.
Chegamos no hotel no dia 14/11/14 de manhã para aproveitar o dia, já que o lema por aqui, da mesma forma que o Explora Patagônia, é não ficar parado. Todos os dias são oferecidas diversas opções de trekkings, cavalgadas e passeios de bicicleta com diferentes níveis de dificuldade e que podem ter a duração de meio dia ou dia inteiro. Por tudo isso, uma boa dica para quem planeja ficar em hotéis como o Explora, é chegar o mais cedo possível, pois assim você pode aproveitar o dia da sua chegada também.
Nos hotéis Explora não existe televisão e wi-fi só no lobby. Eles fazem isso para que você fique o menor tempo possível no quarto – basicamente para dormir – e possa interagir com os outros hóspedes do hotel. Em compensação tudo que você quiser (de bebidas – exceto alguns vinhos premium – a comida, snacks e lanchinhos no meio da tarde) está incluído na diária.
Por falar em interação, logo no dia que chegamos fizemos um passeio à tarde para o Valle de la Luna, mas por causa de uma confusão, acabamos entrando em um grupo de californianos que estavam no Chile para falar sobre fontes de energia renováveis. Apesar de estarmos literalmente de penetra no passeio desse grupo, fomos muito bem recebidos por todos e, inclusive, recebemos convites para visitá-los quando chegarmos à região de San Francisco.
No dia seguinte (15/11/14), fizemos uma caminhada de meio dia de Guatin (um povoado de 2 habitantes – um de cada lado do riacho que corta o povoado) a cerca de 20 minutos do hotel até as Termas de Puritama, que pertencem ao Explora.
No período da tarde fizemos uma cavalgada muito gostosa em Las Cornisas. Essa cavalgada foi bem diferente da outra que fizemos na Patagônia, principalmente em razão da paisagem. Na Patagônia era tudo verde e tínhamos um gaúcho legítimo à frente, enquanto que no Atacama a paisagem era desértica, com dunas e montanhas.
À noite o jantar foi servido no Quincho – nome que se dá ao lugar onde são feitos os assados. Comemos cordeiro, carnes, linguiças e muitas outras coisas e ainda assistimos um show de música e dança típica – tudo muito bom.
No nosso último dia no Explora Atacama (16/11/14), fizemos uma caminhada de dia inteiro em Kulamar, situado a cerca de 2 horas do hotel a mais de 4.200 metros de altitude. Essa caminhada é muito bonita, começando em um salar e terminando em outro; e também é muito importante como parte da aclimatação para quem quer subir o Vulcão Licancabur ou fazer a travessia para a Bolivia (nosso caso).
Na manhã seguinte (17/11/14) fizemos o check-out do hotel, mas ainda não deixamos o Explora. Partimos com outros 2 casais e um guia rumo à Bolívia, para uma travessia de 6 dias pelo Altiplano Boliviano e o Salar Uyuni, mas isso é assunto para outro post.
Nossos últimos dias foram bem longos, dirigimos quase 1.800 km pela Ruta 5 (Panamerican Highway) passando por La Serena, Chañaral e Antofagasta para chegar ao nosso próximo destino, San Pedro de Atacama.
Apesar dos longos trechos, nossos dias não foram nada tediosos. Nós vimos a paisagem mudar drasticamente, do verde das parreiras e oliveiras próximas a Santiago, passando pelo azul das praias de Coquimbó e La Serena, até o marrom de um dos desertos mais altos e áridos do mundo;
Pegamos um engarrafamento monstro em razão de um protesto;
Fizemos novos amigos em Vallenar;
Ficamos em um hotel que é melhor por dentro do que por fora e jantamos no restaurante chinês pra lá de “sospechoso” vizinho ao hotel;
Descobrimos que o lugar que dormimos na cidade de Chañaral está sujeito a tsunamis (e pensar que em Pucón a ameaça era o vulcão);
Paramos para cumprimentar a mano del desierto;
Ficamos em um apartamento com uma vista muito bonita de Antofagasta;
Cruzamos novamente o Trópico de Capricórnio (a primeira foi saindo de São Paulo ainda no começo da viagem);
Vimos alguns carros diferentes saindo de Calama; e
Finalmente chegamos a San Pedro de Atacama.
O deserto do Atacama se extende por ceca de 1.000 km no norte do Chile até a fronteira com o Peru. As temperaturas variam de 1 grau à noite até 40 graus durante o dia e são poucas as cidades e vilas que sobrevivem nesse lugar de clima extremo. A mais conhecida é São Pedro de Atacama, que está a mais de 2.400 metros de altura e hoje tem aproximadamente 3.000 habitantes.
Apesar de pequena e isolada no coração do deserto mais árido do mundo, San Pedro possui uma vida agitada. Durante o dia são inúmeras as atividades (caminhadas, cavalgadas, passeios de bicicleta etc.) e a noite restaurantes e bares, fazendo com que San Pedro seja um destino muito procurado por todos os tipos de viajantes.
Aqui ficaremos no Explora Atacama, que é o irmão do Explora Patagônia em Torres del Paine. Escolhemos esse hotel por oferecer um pacote muito legal que inclui 3 dias no hotel em San Pedro de Atacama e 7 dias em uma travessia pelo Salar Uyuni na Bolívia. Assim, passaremos os próximos dias nos acostumando com a altitude e fazendo passeios pela região do Atacama e no dia 17/11 partiremos para a Bolívia.
Hoje (11/11/14) conhecemos o simpático casal Castro e Rosely (http://www.vamosproalasca.blogspot.com | http://www.facebook.com/vamosproalasca), que saíram de Campinas em Setembro e também estão a caminho do Alasca a bordo de um Daihatsu Terios.
Nosso encontro foi totalmente por acaso. Nós paramos para abastecer em um posto (Petrobrás) em Vallenar (uma cidade no meio do nada) e o Castro apareceu para dizer olá. Nem tínhamos notado que o carro deles estava estacionado no posto a poucos metros da bomba que estávamos e ficamos muito contentes com esse encontro.
Em nosso breve bate papo ficamos sabendo que eles já fizeram outras viagens de férias com esse carro para o Ushuaia, Venezuela, Colômbia e Peru, mas decidiram largar tudo e cruzar as 3 Américas até o Alasca em uma viagem com previsão de duração aproximada de 8 meses.
Castro e Rosely, esperamos encontrá-los muitas outras vezes no caminho e quem sabe subir parte desse longo caminho juntos. Vamos manter contato e conte conosco se precisarem de alguma coisa.
* * *
Today (11/11/14) we have met the couple Castro and Rosely (http://www.vamosproalasca.blogspot.com | http://www.facebook.com/vamosproalasca). They have left Campinas in late September and are also on their way to Alasca in a Daihatsu Terios.
Our meeting was totally unexpected. We stopped in a gas station (Petrobrás) in Vallenar (in the middle of nowhere) and Castro came up to say hello. We didn’t notice their car parked a few meters away, but we were very happy with this meeting.
In our brief chat, we have learned that they already visited Ushuaia, Venezuela, Colômbia and Peru with this car during their vacations, but they have now decided to leave all behind and drive all the way up to Alaska in a trip that shall take 8 months.
Castro and Rosely, we hope to see you again many other times and hopefully share some days of this long journey. Let’s keep in touch and let us know if you need something.
Ontem (08/11/14) celebramos nossa última noite na Argentina em grande estilo. Aproveitamos a agradável noite para tomar um vinho e comer tapas no restaurante do hotel Park Hyatt Mendoza, localizado na Plaza Independencia no prédio do antigo Hotel Plaza, que foi totalmente restaurado. Os quartos, academia, piscina e o casino ficam em um prédio anexo mais moderno, enquanto o lobby, restaurante, bar e salão de festa ficam na estrutura preservada do Hotel Plaza – muito bonito!
Hoje (09/11/14) saímos de Mendoza para cruzar pela última vez a fronteira Argentina/Chile. Dessa vez entramos em território chileno pelo Paso Fronterizo de los Libertadores, que fica a quase 3.000 metros de altura, no meio da Cordilheira dos Andes. Eu (Dan) me lembrava vagamente dessa fronteira da viagem que fiz com minha família em meados da década de 80. É claro que muita coisa mudou, mas não esqueço que ficamos horas sentados no portamalas do carro comendo nectarinas, maçãs e outras frutas que tínhamos acabado de comprar em Mendoza; também me lembrava da estrada que fazia um ziguezague incrível, com curvas fechadas e muitos caminhões.
Deixando o saudosismo de lado, chegamos à fronteira pouco depois das 13h, mas dessa vez não foi tão simples quanto das outras vezes. Primeiro porque a fronteira é integrada, ou seja, você faz os trâmites de imigração e aduana argentina e chilena no mesmo lugar, mas na estrada não existe qualquer indicação; tanto que ao chegarmos ao Paso Fronterizo, demos meia volta para procurar o lado argentino.
Segundo porque essa é uma das fronteiras mais movimentadas (senão a mais movimentada de todas) entre a Argentina e o Chile. Caminhões, ônibus, motos e carros – muitos carros. Levamos cerca de 1 hora na fila para chegar ao complexo – ainda bem que o tempo estava bom e, apesar da altitude, a temperatura estava muito agradável.
Terceiro porque depois dos trâmites normais de imigração e aduana, ficamos mais 1 hora abrindo e fechando todos os armários, malas e caixas que têm no carro para o fiscal da vigilância sanitária, mas não tínhamos nenhum ojo de bife escondido. No total levamos mais de 2h30 para entrar em território chileno, mas deu tudo certo!
Depois de ziguezaguear pela Cordilheira dos Andes chegamos ao nosso destino, a cidade de Los Andes, a cerca de 100 km da capital chilena. Apesar de adorarmos Santiago, decidimos abortar a ideia de passar por lá para não ter que entrar em uma cidade grande no horário do rush, sem ter um lugar para ficar e com um carro complicado para estacionar.
Nos próximos dias cumpriremos alguns trechos de deslocamento rumo note na Ruta Panamericana até o Deserto do Atacama, um dos pontos altos de nossa passagem pelo Chile.
A Argentina nos surpreendeu. Pela primeira vez saímos do circuito turístico tradicional e pudemos conhecer um pouco mais desse país incrível. Como o Brasil, a Argentina é um gigante e seria impossível conhecer tudo, mas ficamos satisfeitos com o que vimos. Para fechar, seguem os números da nossa passagem pela vizinha Argentina:
GPS
| Km rodados | 8.446 |
| Km médio/dia | 256 |
| Dias com o carro parado | 6 |
| Paradas policiais | 8 |
| Paradas fitosanitárias | 4 |
Diesel
| Litros consumidos | 1.270,64 |
| Autonomia média Km/L | 6,65 (aprox.) |
| Litro mais caro (USD) | 1,44 |
| Litro mais barato (USD) | 0,63 |
| Valor médio diesel (USD) | 0,81 |
Calendário
| Data inicial | 27.09.14 |
| Data final | 09.11.14 |
| Número de dias previstos | 33 |
| Número de dias total | 33 |
| Províncias (Estados) | 8 |
| Fronteiras (Argentina/Chile) | 4 |
Clima
| Condição | Dias |
| Sol | 15 |
| Nublado | 5 |
| Neve | 6 |
| Chuva | 3 |
| Sol/Chuva | 4 |
| Calor > 20 | 6 |
| Normal | 16 |
| Frio < 10 | 9 |
| Frio < 0 | 2 |
Acomodação
| Condição | Dias |
| hotel | 14 |
| acampamento | 3 |
| hostel | 6 |
| apart hotel | 9 |
Curiosidades
| itens perdidos* | 2 |
| Banhos frios | 1 |
* Perdemos uma sacola do Ushuaia que foi para a lavanderia e não retornou e uma foto de Bariloche que não foi entregue no nosso hotel
Saímos de Pucón no dia 02/11/14 e retornamos à Argetina pelo mesmo Paso Fronterizo Mamuil Malal. Dessa vez, apesar de ser domingo fim de feriado prolongado no Chile, a fronteira estava super tranquila e os trâmites de imigração e aduana foram rápidos. Em menos de 20 minutos tínhamos autorização para entrar pela última vez nessa viagem em território argentino.
Nosso plano inicial era subir a Ruta 40 e ficar em Zapala, mas pouco depois de Junín de Los Andes fomos parados pela Polícia que informou que a Ruta 40 estava fechada em razão de um acidente com um caminhão causado pelo acúmulo de neve. Apesar de estarmos em novembro estava nevando bastante nessa região. O jeito foi retornar e passar a noite em Junín de Los Andes.
Na manhã seguinte (03/11/14) saímos cedo de Junín de Los Andes e seguimos direto para Chos Malal, que seria nossa parada após Zapala. Lá o tempo já estava bem melhor e fazia menos frio, então pudemos acampar. De Chos Malal seguimos no dia 04/11/14 para San Rafael, uma cidade grande já próxima a Mendoza.
Finalmente, no dia 05/11/14 chegamos em Mendoza – nosso último destino na Argentina – uma cidade vibrante com avenidas largas e arborizadas, praças agradáveis, cafés e muitas vinícolas (mais de 1.500 segundo o quiosque de informações turísticas). Aqui conseguimos um apartamento com quarto, sala e cozinha, que nos dá bastante liberdade e tem um aspecto de casa fora de casa. Também aproveitamos para fazer a manutenção do Godzilla, arrumar o ar condicionado, checar o óleo, reparar o parabrisa, lavar; e para fazer tudo isso contamos com a ajuda do Pablo Toto Peña, do Land Rover Club Mendoza.
No dia 07/11/14 fizemos um city tour por Mendoza em um ônibus double deck e pudemos conhecer um pouco da cidade e sua história. Esse serviço começou em 2013 e é administrado pelo Município de Mendoza. O ônibus conta com sistema de áudio em espanhol, inglês e português que dá informações sobre os pontos turísticos e históricos de Mendoza, além de um guia que dá dicas e informações complementares – muito bom!
Hoje (08/11/14) saímos com o Toto, sua esposa Pamela e seus dois filhos, Guadalupe e Tomas para um passeio pela região. Seguimos até o hotel Villavicencio que funcionou até meados da década de 70, mas está fechado desde então. Além do hotel, Villavicencio é famosa por sua água mineral – desde Buenos Aires temos tomado essa água e foi muito legal conhecer sua origem.
Para fechar almoçamos em um lugar muito legal, escondido na estrada de rípio que liga Villavicencio a Uspallata, mas acho que comemos tanto que ficamos meio lerdos e até deixamos um fiat 147 nos ultrapassar (incrível!).
Esse foi um jeito incrível de fechar a nossa passagem pela Argentina. Adoramos tudo e ficamos muito felizes com os novos amigos que fizemos, mas é hora de seguir em frente…
Em Mendoza conhecemos o Pablo Toto Peña ou Toto para os amigos. Ele faz parte do Land Rover Club de Mendoza e foi o nosso contato na Argentina quando a mangueira do ar condicionado quebrou, ainda a caminho do Ushuaia. Desde então estávamos trocando mensagens e quando chegamos em Mendoza ele fez questão de nos ajudar a resolver os problemas do Godzilla.
Ficamos dois dias abusando da paciência do Toto, que gentilmente nos levou para finalizar o conserto do ar condicionado, reparar o parabrisa que foi danificado por pedras no rípio saindo de Ushuaia, checar um vazamento no diferencial traseiro e (finalmente) dar um banho no Godzilla para que eventuais problemas não fiquem camuflados pela sujeira (e que sujeira).
O Toto esteve no Brasil em setembro, no encontro de Land Rovers que aconteceu em São Lourenço. Essa visita foi muito boa para estreitar os laços de amizade que surgiram por dirigirmos o mesmo tipo de carro e também para formar um grupo de ajuda para Land Rovers em toda a América Latina, cujo intuito é auxiliar viajantes como nós em situações corriqueiras como uma troca de óleo até assistência em situações mais complicadas como uma eventual quebra na estrada.
É engraçado como um carro pode unir pessoas tão diferentes, mas esse é o espírito de quem dirige um Land Rover, de um simples piscar de faróis e um aceno para outra Land Rover que passa até a ajuda para resolver problemas longe de casa, sentimos que somos todos parte de uma grande família e isso nos faz ter certeza de que escolhemos o carro certo para essa viagem.
Toto, não temos como agradecer toda sua ajuda. Mais do que a tranquilidade para seguirmos viagem, ganhamos um novo amigo!
* * *
In Mendoza we have met Pablo Toto Peña (aka Toto). He is a member of Land Rover Club Mendoza and was our first contact in Argentina when the air conditioned connection has broken on the way to Ushuaia. Since this first contact we kept in touch and when we finally arrived in Mendoza he personally helped us to settle the issues with Godzilla.
In the last couple of days we have tested Toto’s patience, who took us to finish the work in the air conditioned, fix the windshield that was damaged by rocks on the way out of Ushuaia, and check the leak in Godzilla’s transmission. Finally we took the Godzilla for a necessary shower.
Toto has visited Brazil last September during the Land Rover meeting held in São Lourenço. This visit was great to strength the friendship with those driving the same cars and also to consolidate the assistance group for Land Rover in Latam. The purpose of this group is providing assistance for people driving Land Rovers, from a simple oil change to a mechanical problem on the road.
It is amazing how a car can join so many different people, but I guess this is the Land Rover spirit. From a simple blink of the lights and a hand wave to another Land Rover passing by to assistance to settle problems far from home, we feel that we are all part of a huge family. For us this is the confirmation that we have made the right choice.
Toto, we don’t have words to express our gratitude. We are now good continue our trip, but the best of all is having you as our new friend!
No dia 22/10/14, em Bajo Caracoles conhecemos a Silvia e o Paco. Eles são de Madrid, mas estavam na Argentina para fazer uma matéria sobre o Renault Duster 2.0 4×4. Quando nos encontramos eles estavam rodando com um Duster branco há mais ou menos 20 dias pela Argentina testando o carro em todos os tipos de condições (rípio, neve, asfalto etc.) e as impressões eram muito boas.
A primeira vez que vimos a Silvia e o Paco foi em El Calafate – o hotel que eles estavam hospedados ficava em frente ao nosso hostel. Depois os encontramos novamente em El Chaltén, no caminho para o Lago del Desierto, quando o Paco estava fazendo algumas fotos do Duster na estrada de rípio e também tirou algumas fotos nossas que estão publicadas neste post.
Por coincidência, saímos de El Chaltén no mesmo dia sentido norte pela Ruta 40 e, pela primeira vez, trocamos algumas palavras quando nós estávamos no acostamento da estrada de rípio e o Paco gentilmente parou para perguntar se estava tudo bem e se precisávamos de ajuda. E assim seguimos até que, em Bajo Caracoles, no hotel/posto de gasolina/mercado, vimos o Duster parado e resolvemos parar para falar oi.
Batemos um papo rápido e ficamos sabendo que eles iriam até Los Antiguos (nós também), mas que seguiram em direção a Buenos Aires para retornar no dia 30/10/14 para Madrid. Lá em Bajo Caracoles o Paco tirou algumas fotos e seguimos nossos caminhos; mais tarde descobrimos que eles ficaram presos na neve em outra estrada (Ruta 41) e tiveram que ser resgatados pela Gendarmeria Argentina. Pena que não seguimos essa mesma rota, pois poderíamos tê-los ajudado a sair desse aperto; mas no fim deu tudo certo.
Silvia e Paco, foi um enorme prazer! Esperamos encontrá-los em Madrid, São Paulo ou em alguma outra estrada do mundo.
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On 10/22/14 in Bajo Caracoles we have met Silvia and Paco from Madrid (Spain). They were in Argentina to test a Renault Duster 2.0 4×4 and write a review for a car magazine. The first time we have seen Silvia and Paco was in El Calafate – their hotel was in front of our hostel. After that we have bumped again in El Chaltén, on the road to Lago del Desierto, when Paco took some pictures from us.
On the next day we both left El Chaltén through Ruta 40 north and for the first time we had the chance to talk to each other, when Paco kindly asked if we need help (we were parked on Ruta 40). After that it was our turn to say hello when we saw their car parked on the hotel/gas station/market in Bajo Caracoles.
Like us, they were heading to Los Antiguos from Bajo Caracoles, but after that their trip would be over since their flight from Buenos Aires to Madrid was scheduled to 10/30/14. Our paths didn’t cross again, but latter Paco said that they got stuck in the snow on Route 41, being rescued by the Gendarmerie Argentina – thank God everything ended just fine.
Silvia and Paco, it was a pleasure meeting you! We hope to meet you again in Madrid, São Paulo or somewhere else on the road.
Na sexta-feira (31/10/14) de manhã saímos de San Martin de Los Andes para entrar no Chile pela penúltima vez nessa viagem. Dessa vez cruzamos a fronteira pelo Paso Fronterizo Mahuil Malal e como era feriado no Chile foi um dos mais cheios (ônibus, vans, carros, gente, malas etc.), mas com um pouco de paciência conseguimos carimbar novamente nossos passaportes (será que vamos conseguir usar todas as páginas?) e fomos liberados para seguir viagem.
O destino agora era Pucón, uma pequena e agitada cidade aos pés do vulcão Villarrica, que é considerado um dos vulcões mais ativos do Chile e faz parte de uma cadeia de 4 vulcões paralelos à Cordilheira dos Andes.
A cidade de Pucón é muito agradável e tudo lembra o nosso amigo Sato pois, a exemplo do que acontece no Ushuaia, tudo gira em torno do vulcão. Hostel Volcano, Bar Volcano (inclusive no formato), Parrilla Volcano, Volcano Tour etc, e mesmo sendo feriado achamos que a cidade estava bem tranquila. Muitas pousadas e hotéis estavam literalmente caçando hóspedes, mas isso não significa que os valores abaixaram…
Por estar muito próximo de um vulcão ativo, existem diversos avisos pela cidade com a rota de fuga e inclusive um semáforo de alerta de atividade vulcânica (curioso). A regra é simples, verde significa que o vulcão está ativo, mas está tudo bem; amarelo significa que a diversão está garantida com o chão tremendo e um pouco de lava; e vermelho significa mulheres e crianças primeiro…
Mas mesmo com esse “perigo” Pucón é um destino muito procurado por pessoas de todas idades, famílias, grupos de trekkers e amantes de rafting que curtem as termas, caminhadas pelos parques ou até a cratera do vulcão Villarrica e animados passeios de bote pelas corredeiras do rio Trancura. Nós optamos por não subir o Vulcão Villarrica, mas também não ficamos no chabu chabu das termas.
Hoje (01/11/14 – Dia de Los Muertos) fizemos uma caminhada bem puxada pela Reserva Cañi; uma reserva privada que tem lagos, neve (muita neve), araucárias e um mirante no alto da montanha, a aproximadamente 1550 metros de altura, de onde se pode ver todo o vale, a cidade de Pucón e o vulcão Villarrica – que estava totalmente encoberto pela nuvens. Em dias de tempo bom também é possível ver os outros 3 vulcões que estão alinhados com o Villarrica.
Para fechar nossa passagem por Pucón, encontramos a avó do Godzilla, mas acho que ela já viu dias melhores…
Hoje tivemos uma das melhores notícias desde que começamos a viagem. Finalmente, após anos de espera, começou a funcionar ontem um ferry que fará a travessia Colón (Panamá) – Cartagena (Colômbia) – Colón (Panamá).
As Américas são ligadas por uma rede de estradas conhecida como a Estrada Pan-americana ou Panamerican Highway, que é considerada pelo Guiness Book como a mais longa rodovia do mundo. Ela liga os mais de 17.o00 km que separam a baía de Prudhoe no Alasca (EUA) no extremo norte e a cidade de Ushuaia na Terra do Fogo (Argentina) no extremo sul, e é transitável em praticamente toda sua extensão, com exceção de um trecho entre a Colômbia e o Panamá, conhecido como Darien Gap.
O Darien Gap é uma faixa com cerca de 100km de extensão entre as cidades de Turbo na Colômbia e Yaviza no Panamá que é praticamente inacessível a qualquer veículo. A floresta nesse trecho permanece praticamente intocada e não existem rotas ou qualquer acesso que ligue uma cidade à outra. Apenas alguns poucos aventureiros atravessaram esse trecho por terra, em expedições que levaram meses e não avançavam a mais de 2 ou 3 km por hora, tamanha a dificuldade do terreno.
Assim, todos que viajam de carro, moto ou caminhão pelas Américas são obrigados a embarcar o carro em um contêiner ou em um navio de transporte de carros (similar a um Ferry, mas sem espaço para passageiros) para atravessar da Colômbia para o Panamá ou vice-versa. O problema é que isso implica em altos custos (podem superar os 3.000 USD) com despachos aduaneiro, contratação do transporte marítimo, despachantes, documentos, aluguel de contêiner, seguros, taxas, passagens de avião para os ocupantes do veículo (ninguém viaja com o carro) além, é claro, do tempo que pode variar de 15 dias a 1 mês (como ouvimos de algumas pessoas que conhecemos aqui no sul da Argentina).
Além disso, muito viajantes reclamam de danos aos veículos durante o transporte; furto de coisas, especialmente quando o veículo não é transportado em contêineres, já que você tem que deixar a chave para que o carro seja manobrado, embarcado e desembarcado (o chamado transporte Ro-Ro); e problemas com as autoridades locais no desembaraço dos carros.
Desde o início do planejamento dessa viagem, considerávamos a travessia Colômbia-Panamá a parte mais complicada e fizemos praticamente tudo (das datas à altura do carro) para facilitar o processo, mas agora tudo mudou. Há alguns meses estamos acompanhando as notícias de que um Ferry faria viagens regulares entre Cartagena e Colón, mas não estávamos botando muita fé, já que essa não é a primeira vez que circulam notícias como essas.
Acontece que ontem (27/10/14), com alguns dias de atraso da data inicialmente prevista, o Ferry Adriático da Companhia Ferry Xpress com capacidade para 500 veículos e mais de 1.000 passageiros saiu de Colón no Panamá com destino à Cartagena na Colômbia e por isso ficamos super entusiasmados. Só esperamos que o serviço não seja interrompido antes de cruzarmos…
















































































































(foto da internet)









































(a caminho da Villa Traful)


















