Depois de Piura seguimos no dia 18/12/14 para nossa última parada no Peru – Zorritos. Passamos a noite em um hotel a beira mar, mas o mais estranho é que não tivemos dificuldade para encontrar um quarto; praticamente todos os hotéis tinham quartos disponíveis – então quando será a alta temporada?
Estranho também foi nossa última parada policial em terras peruanas. Um pouco antes de chegar em Zorritos fomos parados pela Polícia e já estávamos pegando os documentos quando o policial disse que não seria necessário; ele apenas estendeu a mão para nos cumprimentar, perguntou para onde estávamos indo, desejou boa viagem, nos cumprimentou novamente e nos liberou para seguir viagem.
Hoje (19/12/14) era dia de acordar cedo, encerrar o capítulo do Peru e inaugurar um novo capítulo dessa viagem, o Equador, e assim fizemos. Estávamos empolgados pois esse é um dos poucos países da América do Sul que não conhecemos, mas um pouco preocupados pois a fronteira Tumbes (Peru) – Huaquillas (Equador) tem a fama de ser uma das piores e mais perigosas fronteiras da América do Sul.
Entretanto, há pouco tempo foi inagurado um novo complexo e tudo está mais organizado, limpo e seguro. A fronteira é integrada, o que significa (supostamente) que você faz todos os trâmites de imigração e aduana em um único lugar, mas não é bem assim. Por ser um complexo grande, as aduanas peruanas e equatorianas ficam em lugares diferentes – apenas as imigrações estão no mesmo lugar.
Demoramos um tempo para achar tudo e mais um tempo com a burocracia peruana e equatoriana, o que tornou essa a segunda fronteira mais demorada (a primeira foi a do Chile quando saímos de Mendoza sentido Santiago), mas se levarmos em conta o número de pessoas que estavam atravessando a fronteira (não muitas), essa foi a mais demorada.
A complicação do dia ficou por conta do SOAT (Seguro Obrigatória de Acidentes de Trânsito), que também é obrigatório no Equador. Quando entramos no Peru, a poucos metros da fronteira tinha um lugar que fazia o SOAT; agora, no Equador, tivemos que entrar em Huaquillas (cidade da fronteira) para procurar um lugar que fizesse o seguro.
Obviamente não é fácil andar em uma cidade de fronteira – carros, gente, tuc-tucs, feira (fomos parar no meio de uma feira livre com o Godzilla), taxis e nada de achar um lugar que fizesse o seguro. Já estávamos quase desistindo e voltando para a estrada para ver se encontrávamos um posto do SOAT no caminho, quando vimos o caminhão de um casal de alemães que estava na fronteira logo atrás de nós.
A primeira coisa que nos veio a cabeça é que os alemães são práticos e organizados, então eles deveriam conhecer um lugar que fizesse o SOAT; e não deu outra. Seguimos o caminhão (sempre limpo como todo caminhão alemão) pela bagunçada Huaquillas e quando eles estacionaram fomos até lá perguntar se eles tinham alguma indicação.
Com a ajuda deles achamos uma loja (situada nas Calles Machala y Santa Rosa) de eletrodomésticos, computadores, som e video, motos e afins que fazia o SOAT para estrangeiros. Aí veio o segundo problema do SOAT; geralmente é possível contratar o SOAT por 30/90/365 dias, mas esse local só queria emitir a apólice por 1 ano, que custou quase USD 50,00. Segundo a moça que me (Dan) atendeu, a legislação mudou e blá, blá, blá… Como não achamos nenhum outro lugar que fizesse o SOAT para estrangeiros acabamos aceitando.
No final, da nossa chegada à fronteira até a contratação do SOAT perdemos quase 3 horas, mas deu tudo certo e conseguimos seguir para Cuenca, onde chegamos no fim do dia. No caminho vimos uma placa curiosa que não sabemos o que significa… Algum palpite?
O Peru é um lugar de belezas naturais incríveis, uma história fantástica e um povo muito simpático, mas o péssimo trânsito e a falta de educação/imprudência dos motoristas faz da experiência de dirigir pelo país quase um pesadelo.
Também encontramos um Peru diferente de nossa primeira visita em 2010 e dessa vez pudemos realmente entender que existe um país bom, caro e sofisticado para os gringos; e um outro país pobre para a grande maioria dos peruanos, que tenta sair da informalidade e prosperar.
Com esses comentários, vamos aos números do Peru:
GPS
| Km rodados | 4034 |
| Km médio/dia | 183 |
| Dias com o carro parado | 8 |
| Paradas policiais | 5 |
| Paradas fitosanitárias | 1 |
Diesel
| Litros consumidos | 437,10 |
| Autonomia média Km/L | 9,23 (aprox) |
| Litro mais caro (USD) | 1,28 |
| Litro mais barato (USD) | 1,08 |
| Valor médio diesel (USD) | 1,16 |
Calendário
| Data inicial | 27.11.14 |
| Data final | 19.12.14 |
| Número de dias previstos | 22 |
| Número de dias total | 22 |
| Províncias (Estados) | 14 |
Clima
| Condição | Dias |
| Sol | 17 |
| Nublado | 2 |
| Neve | 1 |
| Sol/Chuva | 2 |
| Calor > 20 | 14 |
| Normal | 7 |
| Frio < 10 | 1 |
Acomodação
| Condição | Dias |
| hotel | 12 |
| acampamento | 10 |
Curiosidades
| itens perdidos* | 1 |
* Perdemos a nossa vassourinha no Camping de Nasca.
Saímos hoje (17/12/14) com destino à nossa penúltima cidade peruana, Piúra. No caminho entre Lambayeque e Piúra paramos na cidade de Túcume, que é conhecida como “El Valle de las Pirámides”, para visitar o museu de Túcume e ver algumas das mais de 26 pirâmides de adobe que fazem parte do complexo construído pelo povo Lambayeque.
A primeira parada é no museu, entretanto, em 6 de setembro de 2014 foi inaugurado um novíssimo e modernismo museu a 500 metros do antigo. Como não sabíamos e tínhamos deixado o carro no estacionamento alguns metros antes, dois policiais gentilmente ofereceram uma carona até o novo museu.
Esse museu, assim como o Museu Tumbas Reales de Sipán, é muito interessante e conta a história da cultura Lambayeque que dominou a região entre os anos 750 D.C. e 1375 D.C., sendo sucedida pelos Chimús (entre 1375 D.C. e 1470 D.C.) e finalmente pelos Incas até a chegada dos espanhóis em 1532 D.C. Também existem exibições sobre a cultura local, como por exemplo a dança “Diáblicos de Túcume” que foi declarada patrimônio cultural do Peru e é encenada na festa da Virgen Purísima (patrona de Túcume). Essa dança representa os sete pecados capitais (chamados “Los Siete Vicios”).
(fantasia dos Diáblicos de Túcume)
Voltando às pirâmides de Túcume. Os historiadores acreditam que esse local foi construído pelos Lambayeques por volta do ano 1000 D.C. e ocupado até o ano de 1532 D.C., quando foi incendiado e abandonado. A fundação desse impressionante local coincide com a queda de Batán Grande (próximo a Trujillo) que também foi incendiada e abandonada.
O interessante nessa coincidência de datas são eventos climáticos (secas e chuvas provocadas pelo El Niño) e a invasão dos espanhóis (considerados deuses montados em bestas), que para os povos pré-incas poderiam ser os Deuses insatisfeitos com seus rituais, templos e práticas. Assim, as cidades eram queimadas para que fossem purificadas e novas cidades eram construídas.
Saindo do museu existem dois sítios arqueológicos que podem ser visitados. O primeiro que passamos foi a Huaca Las Balsas, que teria sido um templo religioso/funerário que integrava o complexo de Túcume. Os trabalhos de escavação continuam, mas pudemos admirar de uma passarela os muros, rampas e figuras esculpidas nas paredes. Muito interessante!
Depois seguimos ao sítio arqueológico principal onde ficam a Huaca Larga, Huaca 1, o Templo da Pedra Sagrada e outras construções do complexo. Entretanto, é muito difícil enxergar qualquer coisa. Como as construções eram feitas de adobe (barro), com o tempo as chuvas e o vento causaram a erosão das pirâmides, que hoje parecem mais um monte de terra. De qualquer forma, pegamos uma foto da internet que mostrava a dimensão das construções.
Maquete do complexo de Tucum
(foto da internet)
Huaca 1 vista do mirante do Morro do Purgatório (Pugatory Hill)

Huaca 1 vista da esquerda para a direita

Huaca Larga ao fundo (coberta com o telhado) e demais construções.
Apesar da nossa evidente dificuldade de enxergar qualquer coisa que lembre uma pirâmide, a grandiosidade desse sítio arqueológico impressiona (ficamos um tempo no alto do mirante observando e imaginando como teria sido essa cidade); também impressiona a quantidade de outras pirâmides e construções que se pode ver no meio do vale verde de Lambayeque.
(foto do perfil do Bish no facebook/Bish’s photo in the facebook)
(quarto da esquerda para a direita/forth from left to right)
Ainda no hostel em Lima conhecemos o polonês Bish Melerowski, que está viajando sozinho de bicicleta pelo Peru, Bolívia e Argentina. Essa não é a sua primeira viagem de bicicleta pela América do Sul e ele ainda conhece muito bem a cidade de São Paulo, em especial o bairro da Vila Madalena, onde um sobrinho casado com uma brasileira mora.
Em muitas ocasiões nessa viagem cruzamos com outros viajantes de bicicleta, mas geralmente só dá tempo para um rápido aceno e mais nada, então foi muito legal ouvir suas histórias. As perspectivas, necessidades e dificuldades de quem viaja de bicicleta são totalmente diferentes de quem viaja de carro e foi muito legal conhecer esse lado (até então só podíamos imaginar como era).
Bish, desejamos que sua estrada seja sempre tranquila e segura, com vento a favor e subidas leves.
* * *
In the hostel in Lima we have also met the polish Bish Melerowski, that is traveling alone in a bicycle through Peru, Bolívia and Argentina. This is not his first bicycle trip through South America and he also know São Paulo where his nephew lives with his Brazilian wife.
In many occasions during this trip we have crossed paths with travelers on bicycles, but usually we only have time to a short wave of hand and nothing else. Thus it was great to hear Bish’s stories. The perspectives, needs and difficulties of someone traveling in a bicycle are completely different from one traveling in a car and it was great to know this side.
Bish, we wish you that all roads are safe with the wind blowing in your back and light uphills.
Ficamos algum tempo sem escrever pois tiramos uns dias para descansar e repor as energias; e junto com o computador, nossas câmeras também ganharam um merecido descanso e praticamente não saíram da mochila, então temos pouco para contar e mostrar. Nossa última parada para descanso tinha sido ainda no começo de novembro em Mendoza/Argentina e desde então não tínhamos parado mais…
Como já conhecíamos Lima, achamos que esse seria um bom lugar para descansar. Assim, saímos de Nasca no dia 08/12, passamos por Ica e as dunas de Huacachina, pernoitamos em Pisco e chegamos em Lima no dia 09/12 com a intenção de ficar até o dia 14/12, mas esquecemos que Lima, como toda cidade grande, é caótica, barulhenta e movimentada.
Dunas de Huacachina
O hostel em Miraflores é um dos poucos (se não for o único) lugar onde se pode acampar, mas foi muito difícil descansar com todo barulho da rua, além do movimento do próprio hostel. Sem muita opção e um pouco frustrados, desmontamos o acampamento no dia 12/12 e seguimos em frente rumo ao pouco explorado norte do Peru.
Diferentemente do sul, onde tudo (lugares, pessoas, belezas naturais e sítios arqueológicos) faz com que você queira ficar mais, o norte (pelo menos para nós) é quase um convite para deixar o país. Apesar de ter alguns lugares muito interessantes, como a Cordillera Blanca (ótimo para trekkings e escaladas) e as ruínas de Chan-Chan, acho que cansamos da sujeira, total falta de educação dos motoristas (falamos disso em um post específico), barulho etc, isso sem falar que o Peru não é um lugar barato.
O mais engraçado é que outros overlanders que encontramos desde Lima têm opiniões parecidas – então achamos que é mesmo hora de seguir em frente…
Mas nem tudo foi ruim… Em Lima comemoramos o meu (Dan) aniversário em um belo jantar no restaurante japonês Maido, com direito a uma degustação de 20 nigiris que incluiu um interessante e muito gostoso nigiri a lo pobre (nigiri, bife de wagyu e um micro ovo), tudo isso preparado na nossa frente por um sushiman exclusivo – MUITO BOM!
Ainda temos alguns dias aqui no Peru, então vamos ver se conseguimos fazer alguma coisa diferente para deixar o país com uma boa impressão.
Desde que entramos no Peru uma das coisas que mais nos impressionou foi o trânsito. Em nossa passagem anterior por aqui, já tinhamos notado que o trânsito era caótico, mas a experiência de dirigir tem sido um teste e tanto para nossa paciência.
O trânsito nas cidades é caótico e nas estradas a imprudência dos motoristas é o que mais assusta. O excesso de velocidade quase sempre vem acompanhado de manobras arriscadas e ultrapassagens pra lá de forçadas, tanto que quase fomos tirados da estrada por um ônibus (com passageiros) que estava fazendo uma ultrapassagem em uma curva (coisa normal de se ver com ônibus, caminhões, carros e motos).
Ainda na fronteira, em Tacna, pudemos ver o que nos aguardava… tuc-tucs (moto-taxis), carros, ônibus, vans e motos para todos os lados e sempre buzinando; em Arequipa entendemos que cada um faz o que quiser no trânsito; em Juliaca ficamos perdidos no centro da cidade que não tem qualquer sinalização (seja o nome da rua ou a mão e contramão) no meio de um tumulto que só não era maior do que o lixo espalhado pelas ruas; em Lima ficamos mais de 1 hora e meia presos no engarrafamento monstruoso para sair da cidade ouvindo uma verdadeira sinfonia de buzinas; mas o ápice foi no dia 13/12 em Trujillo, onde ficamos parados quase 3 horas no acesso à cidade.
Como as 2 pistas que seguiam sentido norte estavam paradas nada mais lógico fazer uma terceira fila pelo acostamento – parou? Não tem problema, é só enfiar o carro na contramão e seguir em frente buzinado para os carros que seguem em sentido contrário… O resumo disso? Um bololô de 5 pistas em um sentido e outras duas no sentido oposto (é claro que o outro lado parou também) registrado do alto do Godzilla para que ninguém diga que estamos inventando…
(como resolver isso?)
(esse ônibus estava sem passageiros, mas seguia rodando pela estrada)
Aí vocês perguntam, e a polícia? Pois é, a polícia estava lá apenas observando esse gigantesco tumulto e parecia que tudo era absolutamente normal. Não houve nem sequer um olhar feio para o motorista parado na contramão, multa então… Até o ato de buzinar (chega a ser cômico para não dizer trágico como os peruanos buzinam) é cultural – aqui se buzina para absolutamente tudo! Tanto que nem percebemos que um outro casal de brasileiros (Christian e Sabrina) tentava chamar nossa atenção em Chimbote.
A sensação que temos é a de que estamos no desenho do Pateta em que ele se transforma em um monstro ao assumir o volante (Dr. Jekyll and Mr. Hyde versão Disney)…
No hostel que ficamos em Lima conhecemos a família Atmani do Planet Khmissa (http://planetkhmissa.com), que saiu do Marrocos há mais ou menos 1 ano e meio e planeja dar a volta ao mundo em uma viagem de 5 anos a bordo de um motorhome chamado Meskellil. Khmissa é o famoso amuleto no formato da palma da mão, utilizado como proteção contra o mal olhado; e literalmente khmissa significa 5, o que tem um significado especial para a família Atmani já que eles são 5 e viajarão por 5 anos.
Ficamos encantados com o Anouar, Malika (Kika) e seus filhos Meïssa (11 anos) Mehdi (10 anos) e Maya (8 anos) e passamos alguns bons momentos com eles no hostel de Lima, onde comemoramos o meu (Dan) aniversário no dia 10/12 e o aniversário do Mehdi no dia 12/12; depois nos encontramos novamente no camping de Huanchaco, onde ficamos mais umas boas horas batendo papo.
Eles tinham acabado de voltar de uma viagem ao Marrocos para regularizar os documentos (passaportes, vistos etc.) e estavam em Lima resolvendo outros assuntos burocráticos (visto da Colômbia, prorrogação do prazo de permanência do motorhome etc.), mas já estavam seguindo para o Equador, onde planejam ficar alguns meses.
Nós seguiremos para o Equador em breve e esperamos rever essa incrível família novamente. O amuleto que ganhamos ficará no carro como proteção e, acima de tudo, como uma lembrança dessa família incrível que tivemos o privilégio de conhecer.
À bientôt Planet Khmissa!
* * *
At hostel in Lima we have met the Atmani family from Planet Khmissa (http://planetkmissa.com), that has left Marrocos 18 months ago and is planning to travel the world in a trip of 5 years on a motorhome named Meskellil. Khmissa is the popular palm-shaped amulet used against the evil eye and literally it means 5, which is perfect for them since they are 5 and will be traveling for 5 years.
It was a pleasure meeting Anouar, Malika (Kika) and their sons Meïssa (11 years), Mehdi (10 years) and Maya (8 years) and we had some good moments with them in Lima, where we celebrate my (Dan) birthday on 12/10 and Mehdi’s birthday on the 12th, and again in the camping in Huanchaco, where we met again.
They had just returned from a trip back to Marrocos to regularize the documents (passports and visas) and were in Lima to handle with other bureaucratic issues (Colombian visa and extension of the motorhome authorization in Peru). From Peru they are heading to Ecuador, where they want to stay for a few months.
We will be in Ecuador soon and we hope to meet this fantastic family again. The amulet we won from them will stay in the car as protection and as a nice memory of this great family.
À bientôt Planet Khmissa!
Esse é um post especial, pois no dia 08/12/14 completamos 100 dias de estrada. Como nos próximos dias ficaremos na capital peruana Lima descansando e repondo as energias, resolvemos fazer um balanço dos últimos 100 dias de estrada.
Parece que foi ontem que começamos a planejar essa viagem maluca de carro até o Alasca, mas lá se vão quase 12 meses de planejamento e 1oo dias de muitas histórias…
Até agora passamos por 6 países diferentes, mas cruzamos mais de 12 fronteiras; rodamos mais de 20 mil km e consumimos quase 2.800 litros de diesel; pegamos temperaturas acima dos 35 graus e abaixo de zero; vimos neve, chuva e vento (muito vento); vencemos bravamente altitudes acima dos 4.500 metros e respiramos aliviados ao nível do mar; vimos tuiuiús, quatis, baleias, pinguins, guanacos, llamas e outros tantos animais diferentes; conhecemos gente viajando de bicicleta, carro, caminhão, ônibus e a pé; dormimos em hotel, hostel, hostal e campings; vimos muitas coisas legais, mas temos certeza que ainda temos muito pela frente.
Os últimos 100 dias foram importantes para mostrar que ter um carro confiável e um planejamento bem feito de nada adiantam se não houver companheirismo e cumplicidade; também entendemos que não é possível fazer e ver tudo; e que por melhor que seja o planejamento, temos que estar preparados para mudanças de última hora e imprevistos.
Somos abençoados por ter a chance de fazer tudo isso e agradecemos a nossos pais, família e amigos que nos apoiaram quando tomamos a difícil decisão de deixar tudo para trás e viver um ano na estrada. Ainda temos muito pela frente, então continuem zanzando com a gente.
Um abraço,
Dan e Liene
Nasca ou Nazca, segundo o Frommer’s, seria apenas uma pequena e empoeirada cidade do deserto de pouco interesse se não fosse pela estranha presença de enormes e misteriosos desenhos – as famosas linhas de Nasca – gravados nas areias do altiplano há mais de mil anos. A maioria dos especialistas acreditam que as figuras são obra da cultura Nasca (pré-inca) entre os anos de 300 A.C. e 700 D.C.
Os geoglifos são tão grandes (algumas figuras têm mais de 300 metros) que só podem ser realmente apreciados do ar. Na Ruta Panamericana, a aproximadamente 19 km de Nasca, existe uma torre de observação, mas ela só permite uma vaga e parcial visão de duas figuras – as mãos e a árvore. Entretanto, comentários de outros viajantes que acompanhamos dizem que é impossível ver qualquer figura desse mirador.
Como esse lugar sempre despertou nossa curiosidade, decidimos fazer um sobrevoo de 45 minutos para ver os principais desenhos. Alguns são mais discretos e difíceis de ver (baleia, cachorro e o albatroz) outros são bem marcantes (astronauta, macaco e aranha), mas todos são incríveis pelo tamanho e precisão dos traços.
O avião
Baleia
Triângulos
Astronauta
Macaco
Cachorro
Beija-flor
Condor
Aranha
Árvore e as mãos
Libélula
ALERTA – Como esses sobrevoos são feitos em aeronaves pequenas (monomotores), que não têm um controle muito rígido de manutenção, no passado aconteceram muitos acidentes (os consulados dos EUA e UK ainda mantêm alertas sobre esses sobrevoos). Dizem que hoje o controle é mais rígido, mas não vale a pena arriscar e pegar o mais barato (os valores são em média de 100 USD por pessoa); também se prepare para uma viagem bem turbulenta – se você fica enjoado em viagens de carro e barco, talvez seja uma boa ideia tomar um remédio contra enjôo.
No dia 03/12/14 desmontamos o acampamento de Cusco e partimos para o Vale Sagrado. Os Incas construíram várias vilas, templos e palácios nesse vale que segue o curso do Rio Urubamba de Pisac até Ollantaytambo. Juntamente com Cusco e Machu Picchu, o Vale Sagrado é um dos principais destaques do Peru e vale muito a pena procurar um tour que pode ser de 1 dia ou mais a partir de Cusco para conhecer esse lugar incrível.
Nossa primeira parada saindo de Cusco foi em Q’enqo, que servia como um templo, possivelmente utilizado em rituais de fertilidade e celebrações de solstícios e equinócios. Logo na entrada existe uma pedra que algumas pessoas juram ser um puma – nós não conseguimos enxergar, mas enfim…
Em seguida visitamos a fortaleza de Pukapukara, que pode ter servido como um posto de guarda na estrada que ligava o Vale Sagrado a cidade de Cusco.
Também passamos pela vizinha Tambomachay e ficamos impressionados com o sofisticado sistema de aquedutos e canais de pedra.
Entrando propriamente no Vale Sagrado, nossa primeira parada foi nas ruínas de Pisac. Essa incrível fortaleza situada no alto de um despenhadeiro e rodeada de terraços verdes garantem vistas de tirar o fôlego. Infelizmente pouco se sabe sobre o real propósito dessa cidade e para nossa tristeza, o passeio foi abreviado por uma forte chuva que caiu justo quando estávamos no ponto mais distante da entrada. Mesmo assim, ficamos impressionados com a excelente condição de conservação desse local.
Antes de chegar em Ollantaytambo paramos para almoçar em Urubamba, no hotel Sol y Luna. Achamos o lugar super agradável e ainda assistimos uma apresentação com cavalos durante o almoço. Esse hotel, juntamente com o Sonesta e o Casa Andina, são os melhores lugares para se hospedar no Vale Sagrado…quem sabe um dia, se voltarmos a esse lugar, não ficamos em um desses hotéis.
Chegamos em Ollantaytambo no final da tarde e no dia seguinte (04/12/14) visitamos Machu Picchu. Só fomos conhecer de fato as ruínas de Ollantaytambo no dia 05/12/14 pela manhã e ficamos impressionados – não é a toa que todos os guias de viagem classificam Ollantaytambo, Machu Picchu e Saqsaywaman como as melhores atrações.
Essa enorme fortaleza foi construída pela elite Inca com templos, terraços e canais de irrigação. O mais interessante é a posição estratégica da seção superior, no alto de mais de 200 degraus. Esse local serviu de abrigo para o rebelde Manco Inca, que tinha fugido após a tomada de Saqsaywaman pelos espanhóis em 1537.
Saindo de Ollantaytambo, passamos por outro local interessante – Moray. Não se sabe ao certo qual a finalidade desse local com seus concêntricos terraços circulares, mas a perfeição dos círculos instiga a nossa curiosidade. O mais difícil é o acesso até esse local, que se dá por estradas secundárias de rípio, mas o visual do caminho é uma atração a parte.
Última parada no Vale Sagrado dos Incas, vistamos a cidade de Chinchero, onde uma igreja católica foi construída no início do século XVII sobre as fundações do palácio Inca Tupac Yupanqui, que datava do final do século XV.
Esse foi o final do nosso passeio pelo Vale Sagrado. Todos os locais visitados faziam parte do Boleto Turístico. Assim, se você tiver tempo e ânimo para percorrer o Vale Sagrado como nós fizemos, fica a dica desse ingresso que por um valor único, te dá a possibilidade de visitar vários lugares diferentes. Talvez ele não seja tão útil em Cusco, mas certamente faz diferença para quem percorre o Vale Sagrado.
No final do dia chegamos a Abancay, mas ainda ficamos retidos por 1h30 a cerca de 150 km de Abancay, aguardando a abertura da estrada que estava em obras e de quebra fomos parados pela polícia peruana pela primeira vez (tudo tranquilo).
Hoje (06/12/14) saímos de Abancay com destino a Nasca, famosa pelas excepcionais e enigmáticas Linhas de Nasca, que são cerca de 70 figuras gigantesca de plantas e animais. No caminho, o mais curioso foi começar com um dia muito bonito de céu azul e calor, passando por frio e neve (sim, neve em Dezembro) ao meio dia a mais de 4.500 metros de altitude, para terminar novamente com céu azul e calor…vai entender esse tempo maluco!
No dia 03/12/14 saímos de Cusco e percorremos o Vale Sagrado até a cidade de Ollantaytambo (vamos falar sobre o Vale Sagrado em um post específico) e hoje (04/12/14) deixamos o Godzilla parado no hotel, tomamos o trem e passamos o dia em Machu Picchu. O Santuário de Machu Picchu é acessível somente de duas formas; a primeira é pela famosa Trilha Inca, que consiste em uma jornada de 4 a 5 dias a pé a partir do km 82 – próximo a Ollantaytambo; e a segunda é de trem que parte de Cusco ou Ollantaytambo até Águas Calientes.
Ficamos em dúvida se valeria a pena ir para Machu Picchu, pois já conhecíamos o Santuário de nossa viagem pelo Peru em 2010 e a previsão do tempo não era muito animadora (estamos na época das chuvas). Para piorar, o custo (passagem de trem, ônibus e entrada do Santuário) não é baixo, mas resolvemos jogar os dados e visitar novamente a maior atração turística do Peru – e foi ótimo!
Em 2010 fizemos o trajeto de Cusco à Machu Picchu no trem Hiram Bingham, que por si só já é uma atração (brunch na ida, guia no santuário, jantar com show e música na volta), mas dessa vez optamos por um pacote mais “econômico” e tomamos o trem Expedition a partir de Ollantaytambo com lanchinho e água na mochila. A dica para quem for de trem é sentar do lado esquerdo na ida e do direito na volta – as paisagens são incríveis!
Sobre a Cidade de Machu Picchu a palavra que melhor define a principal atração turística peruana é INCRÍVEL. Em nossa primeira visita já ficamos impressionados com esse lugar e dessa vez pudemos conhecer locais que não vimos. Uma coisa que chamou a nossa atenção foi o cuidado para preservar os pontos mais importantes das ruínas e o aumento expressivo de guarda parques. Nessa segunda visita não pudemos circular por lugares que passamos em 2010 sob o argumento de que eles estão preservando essas áreas para as futuras gerações; e também vimos muitos operários trabalhando na manutenção e restauração das construções – muito legal!
Muitos dizem que Machu Picchu tem uma energia especial, poderes místicos, esotéricos etc. Se isso é verdade nós não sabemos, mas para nós Machu Picchu é um daqueles lugares que você pode visitar várias vezes que sempre será tão encantador como a primeira.
No dia 01/12/14 saímos de Puno com destino à cidade que foi capital do Império Inca do século XIII até a conquista pelos espanhóis em 1532. Cusco ou Cuzco foi declarada patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1983 e é um dos principais destinos turísticos no Peru, atraindo mais de 2 milhões de visitantes por ano.
Mas antes de chegar a Cusco tivemos que passar novamente pela horrorosa cidade de Juliaca e dessa vez, felizmente, não nos perdemos e ainda conseguimos registrar algumas imagens desse lugar.
Também ficamos parados na estrada em razão uma manifestação de estudantes pela reabertura de uma escola em Sicuani (até participamos do protesto emprestando o parabrisa do Godzilla), o que tornou o dia bem mais longo do que o previsto, mas tudo isso foi devidamente recompensado com um delicioso pisco e um ótimo jantar.
Voltando a Cusco, essa é a nossa segunda passagem por essa magnífica cidade. Em nossa primeira visita em 2010 conhecemos a maioria de suas atrações, como a Plaza de Armas, a Catedral de Cusco, que foi construída sobre as ruínas do palácio Viracocha, o Templo de La Compañia de Jesús, que foi construído sobre as ruínas do palácio Huayna Cápac, Qoricancha (Templo del Sol) e a Catedral de Santo Domingo, a Iglesia y Convento de San Francisco, Templo de La Merced, Museo Inka, Museo de Arte Precolombino etc.
Assim, nessa segunda visita aproveitamos para conhecer os lugares que não tivemos tempo para ver. No topo da lista estava o impronunciável templo de Saqsaywaman, localizado em uma colina acima da Plaza de Armas. Em razão dos altos muros, esse local é frequentemente mencionado como uma fortaleza, mas sua função era de um Templo Religioso, utilizado apenas em celebrações específicas.
Saindo de Saqsaywaman, aproveitamos para conhecer o Museo de Sítio del Qoricancha, o Museo Municipal de Arte Contemporaneo e o Museo Historico Regional. Amanhã deixaremos Cusco rumo ao Valle Sagrado, passando por Pisac, Urubamba até chegar a Ollantaytambo.
Uma dica para quem quiser conhecer esses lugares é adquirir o Boleto Turístico del Cusco que inclui dezenas de atrações em Cusco e no Valle Sagrado por um único valor.
No dia 29/11/14 saímos de Arequipa com destino a cidade de Puno, que fica às margens do Lago Titikaka – sua maior atração. Entretanto, para chegar a Puno, passamos por uma cidade chamada Juliaca. Pela descrição do Frommer’s transcrita abaixo já dá para imaginar como é, então imagine ficar perdido por quase 1 hora nesse lugar, mas sobrevivemos…
“Dicas – Em Juliaca, aterrisse correndo
Juliaca, local do aeroporto regional, talvez seja a cidade mais desgraçada de todo o Peru. Se você está voando para Juliaca no caminho para Puno, não passe tempo por lá. A cidade é caótica e é uma confusão feiosa de casas inacabadas, estradas de terra esburacadas, e ruas cheias de lixo, entupidas com carroças vendendo artigos e ciclotaxis. Como se isso não fosse o suficiente, Juliaca também tem a reputação de ser extremamente perigosa. A única razão pela qual recebeu um aeroporto é porque Puno está fechada por montanhas e os políticos locais tinham o cofre de Lima sob uma camisa de força.”
(Frommer’s Peru 4 edição, 2010, Stalin Alta Con. Com. Ltda., pg. 286)
Deixando Juliaca de lado, o Lago Titikaka é considerado o lago navegável mais alto do mundo (3.812 metros de altitude) e o maior volume de água da América do Sul, com uma área de 8.372 km quadrados e uma profundidade máxima de 281 metros. A maioria dos turistas que visitam Puno fazem um passeio de barco para conhecer as Ilhas Flutuantes de Uros e a Ilha Taquile, e nós não somos diferentes. Hoje (30/11/14) fizemos um passeio de dia inteiro para conhecer as duas ilhas.
As Ilhas Flutuantes de Uros são impressionantes balsas feitas à mão de uma espécie de palha chamada totora, que é posta sobre uma espécie de cortiça que é retirada das partes mais rasas do lago. Em cada balsa (são cerca de 90 ao todo com mais de 1000 habitantes) vive uma ou mais famílias, com suas casas, fogões, abrigos etc. Segundo o guia que nos acompanhou, essas balsas duram cerca de 25 anos e depois começam a afundar. Assim, uma nova balsa terá que ser construída e todos se mudam para lá com todos seus pertences, inclusive as casas.
Essa comunidade sobrevive basicamente do que eles tiram do lago e do turismo… Palavras como “amiga”, “amigo” e “compra por favor” são repetidas de forma quase insistente, mas ainda assim foi muito interessante conhecer essa comunidade. Também demos uma volta em um barco de totora – muito legal!
Em seguida visitamos a Ilha Taquile, que é a segunda maior ilha do Lago Titikaka (a maior fica do lado boliviano) onde também almoçamos um peixe grelhado com sopa de quinua (estava delicioso) mas, além da comida, o grande destaque dessa ilha fica com a tecelagem, que muitos dizem ser a melhor de todo Peru.
Os habitantes dessa ilha se vestem de forma totalmente diferente. Os homens usam cintos e gorros que indicam sua idade e estado civil (até mesmo os que têm namorada devem usar o gorro de uma forma específica) e as mulheres usam saias coloridas e xales com pompons, que da mesma forma servem para indicar sua idade e estado civil.
Nossa passagem por Puno foi breve, levaremos uma terrível lembrança de Juliaca mas uma ótima lembrança de Puno e do Lago Titikaka. Amanhã é dia de arrumar as coisas e seguir para Cusco de onde, se o tempo permitir e não chover, queremos visitar novamente o vale sagrado.
Em Puno ficamos no hotel Posada del Inka que hoje leva a bandeira do Sonesta. Esse hotel é famoso entre os overlanders pois tem uma área gramada enorme que pode ser utilizada para camping.
Quando chegamos conhecemos o Daniel e a Jessica, que estavam de saída para Cusco. Em nossa breve conversa ficamos sabendo que eles, seus dois filhos e o cachorro, saíram da Inglaterra, compraram um motorhome na Alemanha (com o volante do lado errado) e embarcaram para a América do Sul em uma viagem que deve durar ainda alguns meses.
O destino final deles será a Colômbia, de onde eles devem voltar para casa e, como estamos fazendo praticamente a mesma rota, esperamos cruzar com eles novamente.
Cheers my friends!
* * *
In Puno we stayed at Posada del Inka that now has the Sonesta flag. This hotel is famous between overlanders due to the huge green area that may be used for camping.
When we arrived we have met Daniel and Jessica, but they were just about to leave to Cusco. In our brief chat we learned that they left England with their two sons and a dog, bought a motorhome in Germany with the steering wheel in the wrong side (according to their perspective) and came down to South America for a trip that has some months left.
Their final destination is Colombia, from where they will go back home. Since we are doing practically the same route, we hope our paths cross again soon.
Cheers my friends!
No dia 27/11/14 deixamos Arica para sair pela última vez do território chileno e inaugurar um novo capítulo em nossa jornada – o Peru. Cruzamos pelo Complejo Fronterizo Chacalluta, no quilômetro 2092 da Ruta Panamericana, e saímos da Ruta del Desierto no Chile para entrar na Ruta del Pisco no Peru.

Essa fronteira nos surpreendeu pela organização (foi a mais organizada até agora) e pela cortesia dos agentes de fronteira peruanos. Em menos de 20 minutos estávamos liberados para seguir viagem, mas temos dois alertas para quem quiser cruzar por aqui:
O primeiro alerta é que todos os carros que ficarem mais de 7 dias em território peruano ou que saírem da província de Tacna têm que fazer o processo de importação temporária (existe um posto fiscal saindo de Tacna e o documento será exigido), e segundo o oficial que cuidou da liberação do Godzilla, eles não estão aceitando autorizações (“poderes”) para carros brasileiros em nome de terceiros.
O segundo alerta fica por conta do SOAT (seguro) que passa a ser exigido a partir do Peru. O custo por um seguro com validade de 30 dias é de 35 soles, aproximadamente 13 USD. O seguro não é exigido para a liberação do carro na fronteira, mas pode ser exigido pela polícia na estrada.
Uma vez liberados seguimos até Tacna, que está a cerca de 30 km de distância da fronteira mas, como ganhamos 2 horas por conta da mudança de fuso do Chile para o Peru, resolvemos seguir em frente até Arequipa, que é a segunda maior cidade do Peru, com cerca de 1 milhão de habitantes.
Arequipa é uma cidade muito bonita e, como muitas outras cidades de colonização espanhola, os principais pontos turísticos estão próximos a Plaza de Armas e a de Arequipa é muito bonita.

Em Arequipa também aproveitamos para trocar o óleo do Godzilla (já rodamos quase 10 mil km desde a última troca no Ushuaia) e dar um merecido banho no nosso companheiro de viagem.
Com o Godzilla novo de novo, fomos curtir a cidade. Visitamos a belíssima Catedral de Arequipa, cuja construção data do século XVII.
Também visitamos o Monastério de Santa Catalina, que é uma verdadeira cidade dentro da cidade. Com uma área de mais de 20.000 metros quadrados, esse monastério construído em 1579 e aberto ao público em 1970 chegou a abrigar mais de 500 pessoas entre noviças, freiras e serviçais.
Ficamos muito impressionados com o Monastério, mas o melhor ainda estava por vir. Saindo de lá seguimos até o Museo Santuários Andinos, que é mantido pela Universidad Católica de Santa Maria. A grande atração desse museu é a “Juanita”, nome dado ao corpo de uma jovem Inca de cerca de 13 a 15 anos que foi sacrificada e enterrada no Vulcão Ampato há mais de 500 anos, como parte de um ritual Inca.
A Juanita foi descoberta pelo Antropólogo Dr. Johan Reinhard e pelo Dr. José Antonio Chaves da Universidade Católica de Santa Maria em 1995 e é considerada a mais importante dos 17 corpos encontrados em razão do seu estado de conservação. Como o corpo de Juanita ficou soterrado pela neve por mais de 500 anos, isso contribuiu para mantê-lo em ótimas condições, inclusive os órgãos internos.
O seu estado de conservação permitiu aos pesquisadores realizar grandes descobertas sobre os hábitos e costumes dos Incas, desde a casta a que pertencia Juanita (tinha origem nobre) até o que ela comeu e bebeu antes de ser sacrificada. Infelizmente não é permitido tirar fotos no museu, mas pegamos algumas imagens da internet desse que foi o ponto alto de nossa visita a Arequipa.
PUERTO NATALES (13/10/14)
Hostel The Singing Lamb (http://www.thesinginglamb.com). O hostel tem uma infraestrutura fantástica. A cozinha é super bem equipada, o staff atencioso e o quarto foi um dos melhores que já ficamos, melhor do que muitos hotéis. Fica um pouco afastado do centro de Puerto Natales, mas não chega a ser um problema. O wi-fi funciona bem na área comum, mas não conseguimos sinal no quarto. Não tem estacionamento.
Nossa classificação – Ótimo
PUERTO IBAÑEZ (23/10/14)
Cabañas Bordelago (http://www.patagoniabordelago.cl). Uma cabana próxima ao lago General Carreira muito aconchegante e bem equipada. Tinha um fogão/aquecedor a lenha que esquentava bastante e dava um charme especial ao lugar. Wi-fi e garagem coberta (o Godzilla não entrou pela altura).
Nossa classificação – Muito bom
COYAHIQUE (24/10/14)
Hosteria Coyahique (http://www.hotelcoyhaique.cl). Um hotel antigo mas confortável e limpo a cerca de 1km do centro de Coyahique próximo ao cassino. Tem um restaurante, mas não comemos por lá. Se a diária for paga em dinheiro (USD) não é cobrado o IVA. O hotel tem estacionamento e wi-fi gratuito.
Nossa classificação – Bom
PUYUHUAPI (25/10/14)
Casa Ludwig B&B (http://www.casaludwig.cl). Um B&B muito aconchegante em uma casa de 1957 construída em estilo alemã. Apesar de ser toda de madeira a casa é fria e só conta com calefação nas áreas comuns. Os quartos são gelados. Alguns quartos tem banheiro outros não, mas quando estivemos aqui não havia nenhum outro hóspede e pudemos escolher o quarto. Estacionamento, cozinha e living com wi-fi muito bom.
Nossa classificação – Razoável
PUCÓN (31/10/14)
École Hostaria (http://www.ecole.cl). Esse hotel pertence a um grupo de 40 ecologistas locais. Fica no centro de Pucón, muito próximo a bares e restaurantes. Além do hotel o École funciona como restaurante. As acomodações são rústicas, mas confortáveis. A calefação dos quartos liga automaticamente no fim do dia, então não adianta ficar mexendo no aquecedor. Não tem cozinha e também não tem estacionamento, apenas vagas na rua em frente ao hotel.
Nossa classificação – Bom
LOS ANDES (09/11/14)
Hotel Los Andes (http://www.hotellosandes.cl). Quartos limpos e bem arejados com TV, ar condicionado, wi-fi e estacionamento fechado e coberto. Fica próximo a um mercado que tem uma mini praça de alimentação.
Nossa classificação – Muito bom
LA SERENA (10/11/14)
Rent-Apart Jardines de Pañuelas (Av. Los Jardines, 300 – Pañuelas). Um apartamento de 2 quartos, 1 banheiro, sala e micro cozinha. Os apartamentos estão velhos e precisam de uma reforma com certa urgência. Os quartos são um pouco frios e úmidos. Fica próximo (cerca de 3 km) do Shopping e mercado de La Serena. Wi-fi lento, estacionamento fechado e cozinha pouco equipada.
Nossa classificação – Razoável
CHAÑARAL (11/11/14)
Hotel San Nicolas (http://www.hotelsannicolas.cl). Quartos grandes e limpos. A primeira vista não parece ser muito bom, mas por dentro é bem melhor. Estacionamento fechado e wi-fi, mas os quartos são um pouco barulhentos.
Nossa classificação – Bom
ANTOFAGASTA (12/11/14)
Departamentos Parque Costanera (Calle El Azufre 23). Um apartamento com 1 suite, sala e cozinha americana. Muito confortável e limpo. A garagem é fechada, mas o acesso tem limite de altura (2,10 m). Wi-fi e TV a cabo muito bom. A rua é um pouco barulhenta.
Nossa classificação – Muito bom
SAN PEDRO DE ATACAMA (23/11/14)
Domos y Ecocamping Los Abuelos (Domingo Atienza, 294B). Um camping bem estruturado com piscina e wifi (lento). Também tem a opção de domos (quartos). Fica um pouco afastado do centro de San Pedro de Atacama e a rua é um pouco escura, mas é bem tranquilo.
Nossa classificação – Bom
ARICA (25/11/14)
Hotel Arica (http://www.panamericanahoteles.cl/arica.html). Esse hotel fica a cerca de 2km do centro de Arica. Tem wifi, estacionamento fechado, restaurante e praia privada. O hotel precisa de uma renovação e o valor da diária não condiz com a estrutura, mas ainda assim é uma boa opção em Arica.
Nossa classificação – Bom
O Chile acabou ficando espremido por conta da travessia da Bolívia, mesmo assim ficamos mais de 20 dias e cruzamos boa parte do país. Vimos diferentes paisagens, do verde da Patagônia, passando pelas regiões mais densamente habitadas no centro e o deserto ao norte. Assim, seguem os números do Chile:
GPS
| Km rodados | 4.497 |
| Km médio/dia | 204 |
| Dias com o carro parado | 7 |
| Paradas policiais | 1 |
| Paradas fitosanitárias | 1 |
Diesel
| Litros consumidos | 422,99 |
| Autonomia média Km/L | 10,63 (aprox.) |
| Litro mais caro (USD) | 1,233 |
| Litro mais barato (USD) | 0,889 |
| Valor médio diesel (USD) | 1,104 |
Calendário
| Data inicial | 14.10.14 |
| Data final | 27.11.14 |
| Número de dias previstos | 22 |
| Número de dias total | 22 |
| Regiões (Estados) | 10 |
| Fronteiras (Argentina/Chile) | 5 |
| Fronteiras (Bolívia/Chile) | 1 |
Clima
| Condição | Dias |
| Sol | 17 |
| Nublado | 1 |
| Neve | 1 |
| Chuva | |
| Sol/Chuva | 3 |
| Calor > 20 | 7 |
| Normal | 10 |
| Frio < 10 | 5 |
| Frio < 0 |
Acomodação
| Condição | Dias |
| hotel | 14 |
| acampamento | 2 |
| hostel/B&B | 2 |
| apart hotel | 9 |
Curiosidades
| itens perdidos* | 1 |
* Perdemos a capa do estepe no meio da ventania no Estreito de Magalhães.
Depois de 6 dias de travessia pela Bolívia era hora de retornar a San Pedro de Atacama para buscar o Godzilla, que ficou estacionado embaixo de uma frondosa árvore no pátio do Explora Atacama. No dia 23/11/14 de manhã, pegamos uma carona com o Cornélio, Alvaro e Mathias que estavam retornando para San Pedro de Atacama e gentilmente concordaram em nos levar de volta. O caminho pela costa (de Iquique a Totoralillo) é longo, mas muito bonito e no final do dia chegamos em San Pedro.
Dessa vez escolhemos um camping para poder arrumar nossas coisas e limpar o carro. Também aproveitamos a tranquilidade do camping para resolver um probleminha com o respiro do diferencial traseiro, que estava entupido e causava um pequeno vazamento de óleo.
À noite demos uma volta pela vila e comemos uma pizza muito boa. Demos muita sorte pois no dia 24/11/14 foi celebrado o aniversário da cidade com shows e muitos fogos e estava todo mundo na rua, curtindo.
No dia 25/11/14 pela manhã saímos rumo norte. No posto de gasolina em San Pedro de Atacama, encontramos vários brasileiros de moto que estavam iniciando o caminho de volta para o Brasil de moto e uma família viajando em um Fiat Strada rumo à Colômbia. Parecia mais um posto de uma BR brasileira do que um Copec chileno.
A princípio iríamos ficar em Calama para seguir no dia seguinte para Iquique e de lá para Arica (última parada em terras chilenas), mas estávamos empolgados depois de tanto tempo afastados do Godzilla que acabamos seguindo direto para Arica, onde passamos 2 noites antes de deixar definitivamente o Chile e seguir para o Peru.
Em Arica visitamos a Catedral de San Marcos, que foi projetada pelo escritório de Gustave Eiffel a pedido do presidente peruano José Balta, depois que a catedral original foi destruída em 1868. A montagem dessa igreja espetacular foi concluída em 1876 e, apesar de estar necessitando de uma restauração, é impressionante a sua beleza.
Também visitamos o Museo de Sitio Colón 10, que é um sitio arqueológico descoberto durante a demolição de uma antiga casa para a construção de um hotel. Ao escavar o terreno da antiga casa (hoje em parte preservada), os trabalhadores acidentalmente descobriram um cemitério do povo Chinchorro cujos corpos tem entre 3 e 4 mil anos. Muito interessante!
Agora é hora de fechar definitivamente nossa passagem pelo Chile e inaugurar um novo capítulo nessa viagem, o Peru. Quais serão as surpresas que esse país nos reserva?
























































































































































