Se alguém nos dissesse que só pode visitar um único parque na Costa Oeste e nos perguntasse qual nós recomendamos, a resposta seria o Yosemite National Park. Talvez essa também seja a opinião de 3.7 milhões de pessoas que visitam o parque criado em 1890 e declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1984.
Em nossa última visita em 2012 ficamos apenas um dia e meio no Yosemite e focamos a parte Sul e central do parque, que é enorme. Dessa vez decidimos passar mais tempo e procurar um lugar mais central para dormir, de onde pudéssemos sair para explorar o parque sem perder muito tempo em deslocamentos.
Demos muita sorte pois conseguimos reservar um camping no Yosemite Village por 3 noites. O esquema desse camping é muito legal, pois são cabanas pré-montadas com 3 paredes de alvenaria e uma parede e teto de lona, uma área cercada com mesa para 6 pessoas, uma pequena bancada que serve de cozinha e uma churrasqueira do lado de fora. A cabana acomoda 4 pessoas (1 cama e 1 beliche), mas é possível colocar 2 camas extras.
Com tanto espaço ficamos felizes que o Amabry e a Rosely do Vamos por Alasca (https://www.facebook.com/vamosproalasca?fref=ts) aceitaram o nosso convite e passaram 2 noites conosco no Yosemite. Encontramos com eles em Mammoth Lakes no dia 30/05/15, onde comemoramos o aniversário da Rosely pela segunda vez e na manhã seguinte pegamos a estrada para o Yosemite National Park.
A novidade já começou pela estrada que pegamos, a Highway 120, também conhecida como Tioga Road, que cruza a Sierra Nevada e liga a pitoresca Highway 395 ao parque. Essa estrada fecha nos meses mais frios, entre novembro e abril, o que é uma pena pois o visual é INCRÍVEL!
A chegada ao Yosemite pela Tioga Road já é bonita, mas ela é apenas um prenúncio de que algo mais bonito ainda está por vir.
Tão bonito que um dos mais reconhecidos fotógrafos americanos, Ansel Adams (1902 – 1984) passou boa parte da sua vida registrando em preto e branco as incríveis paisagens do parque. É claro que nós, de forma muito humilde, prestamos nossa homenagem a esse ícone da fotografia.
Ao final de 3 ótimos dias retornamos à Los Angeles para buscar nosso companheiro de viagem que ficou no SPA, mas como ele só ficará pronto na sexta-feira (05/06/15), aproveitamos para rever o Xixo, Barbara e Francisco da Nossa Grande Viagem (http://www.nossagrandeviagem.com) e curtir um pouco L.A.
No dia 28/05/15 saímos de Las Vegas e seguimos rumo ao Death Valley na fronteira entre Nevada e Califórnia. Esse lugar faz jus ao nome e sozinho é dono de 3 recordes impressionantes: o da maior temperatura já registrada (137 Fahrenheit / 57 Celsius), o do lugar mais seco da América do Norte (chove em média 60 mm por ano), e o do ponto mais baixo dos EUA (282 ft / 86 metros abaixo do nível do mar).
Mesmo com esse nome, o Death Valley é extremamente bonito e com bastante vida (vimos lagartos, pequenos roedores, coiotes e roadrunners, mais conhecido como o papaléguas). E, além disso, esse lugar totalmente inóspito é habitado desde meados do século 19, durante a corrida do ouro.
Apesar da mineração de ouro ter acabado há muito, ainda existem muitas minas espalhadas pelo parque, como essa que se chama Eureka. Ela data de 1905 mas até hoje existem muitas estruturas de pé.
Ainda, durante anos as empresas exploraram as reservas de Borato de Sódio (Bórax), mas com a queda da demanda pelo minério a principal atividade econômica da região gradualmente migrou para o turismo, sendo o Death Valley convertido em parque nacional em 1994.
O parque é enorme e a temperatura chega fácil aos 40 graus celsius (o termômetro do nosso carro estava marcando 112/113 fahrenheit / 44 celsius às 13h30), então não é recomendável fazer qualquer tipo de atividade física após às 10 da manhã.
Por isso, decidimos ficar duas noites por aqui e explorar o parque por partes. No dia 28/05/15 fizemos a parte sul e sudeste e passamos por:
Dante’s View – ponto mais alto do parque (14.505 ft/4.421m ) de onde se tem uma vista privilegiada de todo o lugar;
Zabriske Point – de onde se pode admirar o pôr do sol (não ficamos) e as formações rochosas em formato de ondas;
Badwater – que é o ponto mais baixo (86 metros abaixo do nível do mar) e um simpático salar, mas nem se compara ao Salar Uyuni na Bolívia;
Devil’s Golf Course – imagina jogar golfe com um calor desse. Somente o diabo mesmo… Pelo menos não tem O.B. nem hazard…rs;
Artists Drive e Artists’ Pallet – se trata de um desvio de 9 milhas da estrada principal, mas que é recompensada por uma vista incrível;
Do camping, apesar do calor, assistimos um belo pôr do sol.
Na manhã seguinte (29/05/15) fizemos o lado norte e noroeste do parque e passamos por algumas estradas secundárias que nos levaram a uma antiga carvoaria e também às dunas, chamadas Mesquite Dunes. Tudo muito bonito.
Gostamos bastante do Death Valley, mas o calor judia bastante. Por isso, hoje (30/05/15) saímos em busca de um clima mais temperado. Nosso objetivo é chegar ao Yosemite Park, parque das Sequóias, mas antes passaríamos a noite na simpática Mammoth Lakes, que fica super movimentada durante a temporada de ski no inverno.
No caminho entre o Death Valley e Mammoth Lakes vimos uma placa indicando um parque chamado Ancient Bristlecone Pine Forest. Não tínhamos ideia do que se tratava, mas como era cedo resolvemos fazer um desvio e conhecer esse parque.
Os Bristlecone Pines são árvores que crescem apenas em condições específicas (baixa humidade, solo alcalino e altitude) e estão entre os seres vivos mais antigos da terra. Algumas dessas árvores têm mais de 4.000 anos e ao contrário do que podemos imaginar, não são árvores enormes.
O parque fica a mais de 3.000 metros de altitude, então caminhar é um pouco cansativo, mas o esforço vale a pena pois a vista das árvores com os picos da Sierra Nevada ao fundo é maravilhosa.
No domingo (24/05/15), após o problema com a correia do alternador, conseguimos chegar com uma certa dificuldade à capital mundial da diversão, Las Vegas ou simplesmente Vegas.
Vegas foi fundada em 1905 e reconhecida como cidade em 1911, mas seu desenvolvimento só foi impulsionado na década de 30 com a legalização dos jogos de azar no Estado de Nevada e a construção da represa Hover, na fronteira dos Estados de Nevada e Arizona.
Os primeiros cassinos de Las Vegas ficavam no centro da cidade ao redor da Fremont Street. Somente mais tarde, com a inauguração do Mirage em 1989, é que surgiram os mega resorts. Hoje é possível encontrar a Torre Eiffel quase em frente ao Empire State; também podemos assistir à erupção de um vulcão e depois o baile das águas ao som de Frank Sinatra. Isso sem mencionar as luzes da cidade à noite – incrível!
Essa não é a nossa primeira visita à cidade, mas nem por isso deixamos de ficar impressionados. Tudo nela é grande e exagerado; pessoas, limusines, carros esportivos, baladas nas piscinas, restaurantes, shoppings etc. Vegas é tudo isso e muito mais.
No domingo estávamos cansados, mas encontramos com nossos amigos Ossamu e Lívia para almoçar e a noite para tomar algo e conversar. Isso nos ajudou a relaxar um pouco.
Segunda-feira (25/05/15) era feriado nos EUA (Memorial Day) e consequentemente teríamos que adiar o conserto do Godzilla para a terça-feira. Assim aproveitamos para dormir até mais tarde, caminhamos pela Strip, como é conhecida a Las Vegas Boulevard, jogamos um pouco nos cassinos (empatamos), jantamos em um belo restaurante japonês no Caesar Palace e fomos dormir cedo pois a terça-feira seria longa.
Na terça-feira (26/05/15) acordamos cedo e saímos às 5h30 de Las Vegas para levar nosso parceiro de viagem até a West Coast Rover em Los Angeles (http://www.wcr4x4.com). Parece loucura rodar praticamente a distância entre São Paulo e o Rio de Janeiro apenas para levar o carro para a oficina, mas decidimos que essa era a nossa melhor opção e assim fomos.
Mais uma vez o Andrew nos recebeu e foi muito solícito. Explicamos o que havia acontecido no domingo e aproveitamos que o carro ficaria parado alguns dias para solicitar uma inspeção geral, troca dos óleos e filtros e a instalação da suspensão nova.
O Godzilla ficará no SPA, como diria o Xixo da Nossa Grande Viagem (http://www.nossagrandeviagem.com), até o próximo dia 04/06/15 e enquanto isso continuaremos zanzando a bordo de um Toyota Corolla 2014. Aliviados por ter conseguido chegar a Los Angeles sem maiores incidentes (apenas tivemos que fazer uma chupeta para ligar o carro quando paramos para abastecer) e chateados por ter que deixar o Godzilla lá, pegamos nossas coisas e retornamos a Las Vegas.
À noite, mesmo cansados da viagem, mas com a incrível sensação de missão cumprida, encontramos com o Amabry e a Rosely do Vamos Pro Alasca (https://www.facebook.com/vamosproalasca?fref=ts), que estavam com os filhos Sandra e André, e a nora Sarita. Jantamos na Strip e fomos passear na Fremont Street, e só lá ficamos sabendo que era aniversário da Rosely (poderia ter avisado antes – não Dona Rosely? rs).
Que belo jeito de comemorar o aniversário, em Vegas com a família reunida. Ficamos felizes por fazer parte da comemoração e desejamos a você, Rosely, muita saúde, sucesso e Vamos Pro Alasca!
Hoje (28/05/15) fizemos um tour pela cidade, visitamos a loja de penhores e a oficina de restauração de objetos que aparecem nos programas Trato Feito – O Preço da História e Mestres da Restauração. Não encontramos com nenhum dos protagonistas, mas foi interessante conhecer os lugares onde são gravados os programas.
Também aproveitamos para passar no mercado e rever o roteiro e cronograma que ficaram bagunçados depois que decidimos levar o Godzilla para Los Angeles. Ufa! Nossa ideia inicial era descansar um pouco em Vegas, mas foram dias bem agitados; tudo bem, isso faz parte da viagem. Agora é só esperar o que está por vir.
Nós não acreditamos em bruxas, mas que elas voam, voam…
Pois é, tudo que não tivemos de problema em toda América do Sul e Central, estamos tendo aqui nos EUA. Hoje (24/05/15) foi a vez da correia do alternador arrebentar. Saímos de St. George logo após o café da manhã e estávamos tranquilos pois seriam apenas 200 quilômetros até Las Vegas pela rodovia interestadual 15.
Após rodarmos quase 90 quilômetros a luz da bateria acendeu no painel. Logo pensamos que o alternador (famoso criador de caso para os donos de Defenders) tinha queimado e paramos no acostamento para dar uma olhada. Qual não foi a nossa surpresa quando vimos a correia do alternador destruída.
Bom, estamos carregando correias sobressalentes e tínhamos as ferramentas para fazer o reparo – nada de mais. Pegamos a correia e as ferramentas, tiramos o que restou da correia que rompeu e colocamos a nova correia – até aí tudo bem, mas para colocar tudo no lugar é necessário levantar o tensionador com uma chave de boca 15. Achamos a chave 14 e a 16, onde está a 15? Não está! Perdemos, levaram ou esquecemos em algum lugar! Tentamos resolver de outras formas, mas não deu certo. O jeito foi levar o carro até um lugar mais seguro e pensar no que fazer.
Conseguimos tirar o carro da estrada e levar até um posto de gasolina na cidade de Mesquite (20 quilômetros adiante), já no estado de Nevada, e de lá chamamos uma pessoa que nos ajudou a colocar a correia no lugar. O problema é que hoje é domingo e para piorar amanhã é feriado nacional, ou seja, para encontrar alguém foi um problema, mas deu certo ($$$).
Como perdemos outra ventoinha do alternador, fizemos um bypass e desligamos o alternador (nessas horas ficamos felizes que o carro é praticamente todo mecânico e dá para rodar sem o alternador) e assim chegamos na Cidade das luzes e do pecado, Las Vegas!
A recompensa por essa manhã difícil foi encontrar nossos amigos Ossamu e Lívia que estão passeando em Vegas. Nós almoçamos com eles, demos uma volta rápida para tirar a foto no famoso luminoso que fica na entrada da The Strip (Las Vegas Boulevard) e marcamos de nos vermos novamente mais tarde. Valeu Ossamu e Lívia por levantar o nosso astral!
Quanto ao Godzilla, não há muito que possamos fazer hoje e amanhã. Na terça vamos levá-lo novamente à oficina e, como o Xixo (Nossa Grande Viagem) fez com a sua Lola, vamos deixá-lo em um spa para reparar esse problema e dar uma geral.
No dia 20/05/15 saímos de Page bem cedo com destino à entrada norte do Grand Canyon, que não conhecíamos. Antes de chegar lá ainda paramos para ver o Horseshoe Bend, que é um lugar próximo à Page onde o Rio Colorado faz uma curva em formato de ferradura – muito legal!
A estrada entre Page e a entrada norte do Grand Canyon é um show a parte, mas atenção, pois ela só está aberta entre maio e outubro (durante os meses mais quentes). Existem vários mirantes no caminho de onde se pode apreciar a paisagem e o Rio Colorado. A vegetação próxima ao Grand Canyon também é totalmente diferente do lado sul, com muitos pinheiros e muita neve acumulada nos locais onde o Sol não bate.
O lado norte do Grand Canyon é bem menos movimentado do que o lado sul, mas como ele fecha no inverno, os meses em que está aberto são bastante concorridos, especialmente para quem quiser ficar no camping ou no hotel que existe dentro do parque. Obviamente chegamos sem reserva e não tinha lugar para ficar, assim só caminhamos um pouco, fizemos um picnic e seguimos em direção a Cidade de Kanab, no Estado do Utah.
De Kanab seguimos para o Bryce Canyon National Park no dia 21/05/15, que está localizado a cerca de 130 quilômetros de distância por uma estrada muito bonita. Como o trecho seria curto, aproveitamos para dar um merecido banho no Godzilla e, como tudo aqui nos EUA, você mesmo faz tudo e coloca as moedas para ligar a água; tudo muito simples e prático.
O Bryce Canyon é um parque que sempre tivemos vontade de conhecer, mas por ficar mais afastado acabamos excluindo do nosso roteiro quando visitamos a Costa Oeste em 2012. Apesar do seu nome, os cânions não são as maiores atrações desse parque. O que atrai milhares de turistas todos os anos são as formações rochosas chamadas hoodoos, que se parecem com um anfiteatro natural.
A principal atividade dentro do parque são as caminhadas, e haja trilha (rs). É um sobe e desce intenso e a altitude do parque (de 2.400 a 2.900 metros) atrapalha um pouco, mas as paisagens certamente compensam o esforço.
Para incentivar as pessoas a explorar as trilhas do parque, existe até um pequeno brinde para quem achar três marcos ou caminhar pelo menos 4.8 quilômetros (3 milhas) pelas trilhas do parque. É claro que registramos nossa passagem por três marcos e conseguimos o nosso pin!
Passamos a noite no camping do Bryce Canyon National Park e, apesar do frio que fez (-1 de madrugada), foi muito bom. Na manhã seguinte (22/05/15) fomos visitar o último parque de cânions dessa perna da viagem, o Zion National Park. Diferentemente do Grand Canyon e do Bryce National Park, o Zion tem menos áreas onde se pode estacionar o carro e caminhar. Por ser sexta-feira, o parque estava lotado e acabamos apenas fazendo um passeio de carro pelo parque, mas mesmo assim foi muito legal.
Quem viaja por muito tempo como nós sabe que mudanças de planos são comuns. Por melhor que seja o planejamento da viagem, não conseguimos controlar variantes como as condições do tempo, problemas mecânicos, obras e até manifestações nas estradas que nos impedem de seguir a rota planejada.
No nosso caso, acabamos ganhando uns dias pois deixamos o Overland Expo mais cedo em razão do tempo ruim. Também ficamos menos tempo do que o planejado no Grand Canyon em razão do alto preço dos hotéis. Com isso pudemos colocar em nosso roteiro um lugar que não estava programado, o Monument Valley, que fica na divisa dos Estados de Arizona e Utah, dentro da reserva dos índios Navajos.
Apenas como curiosidade, os índios Navajos tiveram um papel fundamental durante a Segunda Guerra Mundial, pois sua língua nativa foi utilizada como código de guerra nas batalhas do Pacífico e nunca foi decifrada pelos japoneses. Essa história foi contada em diversos livros e documentários, além de ter sido tema de um filme de 2002 com o Nicolas Cage, chamado Códigos de Guerra.
Assim, saímos do Grand Canyon no dia 18/05/15 pela manhã, passamos no mirante chamado Desert View e na Torre de Vigia, que não conhecíamos, e seguimos sentido leste até a Cidade de Kayenta, mas só fomos ao parque na manhã seguinte (19/05/15) pois quando chegamos o tempo estava fechado, frio e ameaçava chover.
O Monument Valley é um parque que conta com formações rochosas de até 300 metros de altura, que se destacam pelo bonito tom avermelhado das rochas. Para entrar no parque é necessário pagar uma taxa de 20 USD por carro com até 4 pessoas e aqui não vale o passe anual America The Beautiful, já que esse não é um parque federal.
Para ver de perto as formações rochosas, pode-se ir com o próprio carro (RVs e motos não podem circular pelo parque) ou com um tour que sai do visitor center a um custo de 75 USD (1h30) a 95 USD (2h30). O trajeto tem cerca de 30 quilômetros em uma estrada de terra vermelha e passa por várias formações com nomes como três irmãs, camelo, elefante e Deus da chuva (justo onde começou a chover). Tudo muito bonito!
Após visitarmos o Monument Valley, seguimos sentido oeste até uma cidade chamada Page, novamente no Arizona. Antes de levantarmos o acampamento, ainda paramos em um lugar chamado Antelope Canyon, que também está localizado dentro da reserva dos índios Navajos. O Antelope Canyon só pode ser visitado com guia e são dois trajetos, o superior e o inferior. Nós escolhemos o inferior pois já tínhamos vistos algumas fotos e achamos o lugar incrível.
Ficamos cerca de 1 hora caminhando dentro do cânion, mas parece que o tempo passou voando. As formações são incríveis; parece até que estamos em outro planeta. Valeu!
Após passarmos a tarde secando o toldo e a barraca, limpando o barro das nossas botas e arrumando e limpando a bagunça do Godzilla, hoje (17/05/15) de manhã saímos de Kingman e pegamos a famosa Route 66. A “Mother Road” (Estrada Mãe), como é carinhosamente chamada pelos Americanos, é uma das primeiras rodovias dos EUA, inaugurada em 11 de novembro de 1926, ligando Chicago (Illinois) a Los Angeles (Califórnia).
A Rota 66 tem uma extensão total de 2.448 milhas (3.940 quilômetros) e corta 8 estados norte americanos (Illinois, Missouri, Kansas, Oklahoma, Texas, Novo México, Arizona e Califórnia). Em nossa passagem por Los Angeles visitamos o marco final da Rota 66 no Pier de Santa Mônica e hoje rodamos cerca de 130 quilômetros de Kingman até Seligman. No caminho vimos muitos postos de gasolina, lojas, restaurantes e motéis que parecem ter parado nos anos 60.
O clima na Rota 66 é de pura nostalgia. Vimos muitas pessoas viajando em suas Harleys e em carros antigos, mas possantes conversíveis modernos e ônibus de turismo também são aceitos. A paisagem pela Rota 66 é maravilhosa e é impossível não parar para tirar fotos, por isso levamos mais de 2 horas para percorrer esse trecho e chegamos em Seligman na hora do almoço (timing perfeito!).
Após um hambúrguer de carne de búfalo grelhado à perfeição, seguimos nosso caminho até o Grand Canyon. Já estivemos aqui antes, mas esse é um lugar tão magnífico que todas as visitas são tão deslumbrantes como a primeira. Chegamos no final da tarde e corremos até a borda do cânion para assistir o pôr do Sol, que é sempre um espetáculo. Vimos até um cervo na trilha – muito legal!
As cores do Grand Canyon intensificadas pelo Sol que está se pondo são incríveis e por melhor que seja o fotógrafo (que não é o nosso caso) acho que nunca vimos uma foto que retrate a emoção de estar lá ao vivo e a cores, mas sempre tentamos captar um pouquinho desse show da natureza com nossas câmeras. Ainda bem que os dois principais personagens dessa história (o Sol e o cânion) estarão sempre lá!
Com esse pôr do Sol maravilhoso, encerramos um dia incrível. Que venham outros como esse!
Recebemos essa dica da Paula Guimarães do Outsiders Brazil (http://www.outsidersbrazil.com.br) e achamos tão legal que não poderíamos deixar de compartilhar.
Nos EUA é possível comprar um passe que garante o acesso de até 4 pessoas (desde que estejam no mesmo veículo) a mais de 2.000 parques federais. O passe chamado America the Beautiful (http://www.nps.gov/findapark/passes.htm) custa 80 USD (equivalente ao custo de 4 ou 5 entradas individuais em parques federais) e vale por 12 meses.
Na lista estão parques como o Grand Canyon (Arizona), Death Valley, Joshua Tree e Yosemite (California), Yellowstone (Wyoming), Denali (Alasca) e muitos outros. Só o Grand Canyon tem um custo de 25 USD por veículo e seu ingresso é válido por 7 dias, mas se considerarmos que apenas em uma visita à Costa Oeste dos EUA você visitará pelo menos 3 parques, já valeu a pena o custo do passe anual.
Fica dada a dica!
No dia 14/05/15 saímos de Phoenix e seguimos para o Mormon Lake que fica a cerca de 20 quilômetros de Flagstaff. O objetivo era participar do Overland Expo West, um dos maiores eventos dos EUA com foco nessa forma única de viagem. Seguindo a dica do Roy (Mundo por Terra), há alguns meses fizemos nossa inscrição para a feira e ganhamos ingressos vips para os 3 dias de feira, o que nos deixou muito animados e ansiosos.
Antes de chegar em Flagstaff ainda passamos pela charmosa cidade de Sedona, famosa por suas formações rochosas vermelhas, com inúmeros parques e trilhas para caminhadas e prática de moutain bike. Não importa quantas vezes passemos por aqui, sempre ficamos impressionados com a beleza desse lugar.
No começo da tarde chegamos ao Mormon Lake e logo de cara encontramos o Amabry e a Rosely do Vamos pro Alasca (https://www.facebook.com/vamosproalasca) e o Renan e a Paula do Outsiders Brazil (http://www.outsidersbrazil.com.br), que tinham retornado da Asia há poucos dias e seguiram direto para a feira.

Marcando Território – Godzilla (Zanzando) à esquerda; Brasileirinho (Outsiders Brazil) no centro com a nossa bandeira; e o Tatu (Vamos pro Alasca) à direita
No final da tarde chegaram o Roy e a Michelle do Mundo por Terra (http://www.mundoporterra.com.br) e o Xixo, o Francisco e a Bárbara do Nossa Grande Viagem (http://www.nossagrandeviagem.com). Assim montamos nosso acampamento brasileiro no Overland Expo; pena que era proibido fazer fogueira ou teríamos providenciado um churrasco que só nós brasileiros sabemos fazer.
Infelizmente à noite o tempo virou e, além do frio (-2 graus celsius), choveu bastante durante a madrugada e toda a área de camping começou a virar um lamaçal. Quando acordamos até pensamos em ir embora, mas como já estávamos lá fomos conferir a feira. Saímos para caminhar e parecia que o dia iria ficar apenas nublado, mas a chuva voltou a cair e não deu mais trégua. Como o evento inteiro era a céu aberto e estava um frio de de 2 graus positivos, acabamos voltando para o nosso acampamento.
Ficamos todos escondidos do frio e da chuva dentro do Lobo da Estrada (carro do Roy e da Michele do Mundo por Terra) e quando pensávamos que não cabia mais ninguém, chegaram o Xixo, o Francisco e a Bárbara com comida e bebida para todos. Fizemos uma macarronada no estilo cada um junta o seu pacote de macarrão e a Bárbara (cozinheira de mão cheia) fez um delicioso molho com um pouco de tudo que encontramos em nossas despensas.

Preparando a janta
Levamos tudo para dentro do Lobo da Estrada e ficamos até pouco mais da meia noite batendo papo, dando risadas, ouvindo as histórias de viagem e tomando vinho, cerveja, whisky (não necessariamente nessa ordem). A noite estava tão boa que nem nos demos conta que estava caindo a maior nevasca do lado de fora.
Como a condição do terreno havia deteriorado muito durante o dia (virou literalmente um mar de lama), seria muito complicado para o Xixo, Francisco e Bárbara armarem a barraca no chão, então a solução foi o Xixo e Francisco dormirem no carro e a Bárbara se espremer na nossa barraca. Detalhe, com exceção da Liene, acabamos ficando todos sem banho nesse dia (eca!).
Na manhã seguinte forçosamente resolvemos levantar acampamento e deixar o evento. Infelizmente não havia condições de permanecer na área de camping e em razão da chuva, frio e neve muitos outros já haviam deixado o camping. Foi um verdadeiro festival de atolamentos e muita solidariedade para tirar os carros do lamaçal. Nós engatamos a reduzida do Godzilla, bloqueamos o diferencial e com um pouco de jeitinho não atolamos; isso prova que Land Rover Defender domina! (rs)
Saímos todos ilesos, inclusive o Troller do Outsiders Brazil (rs).
Tomamos café da manhã aí mesmo, na beira da estrada e nos despedimos de todos. Esse fim de semana tinha tudo para ser um desastre, mas vocês salvaram o dia.
Decidimos seguir sentido Los Angeles pela I-40 até encontrarmos um lugar mais quente e seco, onde pudéssemos abrir a barraca e toldo, tirar as coisas do Godzilla, limpá-lo por dentro e colocar tudo em seu devido lugar. Chegamos em Kingman, a cerca de 250 quilômetros de Flagstaff pouco depois da hora do almoço e ficamos até o final do dia limpando nossas coisas, arrumando a bagunça do carro, secando a barraca e o toldo e lavando roupa. Ufa, não é glamuroso, mas faz parte!
Achamos o evento muito interessante, mas infelizmente o tempo não colaborou nada. Ficamos muito sentidos pela organização do evento, que investiu meses preparando essa feira, mas ao mesmo tempo criticamos um pouco a organização que nos pareceu um pouco bagunçada, especialmente no check-in para o evento (supostamente deveríamos ficar na área para expositores e até saímos no jornalzinho como expositores, mas ao realizarmos o check-in não encontraram o nosso registro).
No dia 12/05/15 retornamos a Phoenix para pegar os equipamentos que encomendamos para o Godzilla. Depois de 40 mil quilômetros ele ganhou 2 caixas de ferramentas novas, um painel de energia solar e um novo toldo, já que o outro foi danificado durante uma ventania em um camping na Nicaragua; além disso, ainda compramos molas e amortecedores novos, mas não tivemos tempo para instalar.
Nos últimos dias gastamos bastante com peças e manutenção do Godzilla, mas tudo isso estava previsto em nosso orçamento. Além do custo (de 1/3 à metade do valor que pagaríamos no Brasil), muitas peças e equipamentos simplesmente não existem no Brasil. Infelizmente o overlanding e o camping não fazem parte da nossa cultura e nós, brasileiros, temos pouquíssimas e caras opções de equipamentos.
Hoje 13/05/15, após resolvermos as coisas do carro, encontramos novamente com o Gerry e a Sandy para o jantar. Eles nos levaram até a Mansão Wrigley (Wrigley Mansion), que fica no alto de uma colina com uma vista privilegiada da cidade de Phoenix e do Biltmore Hotel e seu bonito campo de golfe (há quanto tempo não jogamos!).
A mansão em estilo colonial espanhol foi construída por William Wrigley Jr., magnata das gomas de mascar que levam o seu nome, entre 1929 e 1931, e conta com 24 quartos e 12 banheiros em uma área total de mais de 1.500 metros quadrados. Foi muito legal conhecer essa casa pois já tínhamos ouvido a história dos Wrigley quando estivemos em Chicago e não tínhamos ideia de que eles tinham uma propriedade em Phoenix.
Hoje a mansão abriga o restaurante Geordie e um clube chamado Wrigley Mansion Club, mas não não é necessário ser sócio do clube para jantar no restaurante ou visitar a mansão. Após um ótimo jantar com a incrível companhia do Gerry e da Sandy retornamos ao hotel e nos despedimos dos nossos novos amigos, mas não sem antes combinar o próximo encontro que será em São Paulo.
Amanhã seguiremos para Flagstaff onde acontecerá de 15 a 17/05 o Overland Expo West (http://www.overlandexpo.com/west/), que é o maior evento para overlanders na costa oeste com mais de 180 expositores, cursos, música, comida e mais de 8.000 overlanders de todo mundo. O mais legal desse evento é que ganhamos um passe vip para todo o fim de semana e além disso ficaremos em uma área de exposição dentro do evento chamada “feature vehicle area“. Esperamos que o Godzilla cause uma boa impressão (rs).
Hoje (11/05/15) acordamos cedo e levamos o Godzilla novamente a uma oficina pois notamos um vazamento de fluído da direção hidráulica (não sabemos se esse vazamento tem relação com o problema que tivemos com a ventoinha o alternador há alguns dias em Phoenix). Para alguns aficcionados em Land Rovers, um Defender nunca vaza, apenas marca território, mas se continuássemos desse jeito poderíamos deixar de escrever sobre as cidades que passamos, bastaria seguir a trilha de fluído da direção hidráulica (rs).
Encontramos uma oficina especializada em Land Rovers em Lake Forest, região metropolitana de Los Angeles a cerca 80 quilômetros do centro de Los Angeles e a 30 quilômetros do complexo da Disneyland, onde se localizava o nosso hotel. Uma coisa sobre L.A. que todo mundo aprende muito rápido é que é praticamente impossível se locomover sem carro. As distâncias são grandes e sem carro não dá para fazer quase nada.
Deixamos o Godzilla logo cedo na West Coast Rovers (http://wcr4x4.com) e tivemos uma impressão muito boa do atendimento, organização da oficina e informações técnicas. Como levaria algumas horas para realizar o conserto, aceitamos a sugestão do Andrew da WCR e alugamos um carro para dar uma volta.
Aproveitamos que estávamos motorizados (nem lembrava mais como era bom dirigir um carro automático) e passamos na Expedition Exchange (http://www.expeditionexchange.com) para pegar algumas peças que havíamos encomendado e de lá seguimos até Long Beach, onde está ancorado o navio de cruzeiro RMS Queen Mary.
Esse icônico navio foi construído em Clydebank – Escócia a pedido da Cunard Line (conhecida como Cunard-White Star Line), e fez sua viagem inicial em 27 de maio de 1936. No dia 31 de outubro de 1967 zarpou de Southampton com destino a Nova Iorque pela última vez e de lá seguiu para o porto de Long Beach, onde está até hoje.
Perto dos navios de cruzeiro atuais, o RMS Queen Mary parece ser pequeno, mas para a época em que foi construído era uma incrível obra de engenharia naval. Hoje o navio funciona como um museu, restaurante e hotel, sendo necessário comprar um ticket ou se hospedar para conhecer seu interior. A associação National Trust for Historic Preservation reconheceu o RMS Queen Mary como um dos hoteis históricos da América.
Saindo de Long Beach cruzamos a cidade até um destino muito famoso de Los Angeles, o Pier de Santa Mônica. O fato mais marcante em relação ao pier de Santa Mônica para nós, overlanders, é o marco final das 2.448 milhas (3.939 kms) da legendária Rota 66. É claro que nós registramos nossa passagem por lá.
De Santa Mônica retornamos à oficina para buscar nosso companheiro de viagem, antes que ele ficasse com ciúme do Kia Soul que alugamos da Hertz. Infelizmente L.A. é muito grande e precisaríamos de pelo menos uma semana por aqui para conhecer os seus principais pontos turísticos, mas como já fizemos os programas de turistas em nossa visita anterior, vamos seguir em frente.
Hoje (11/05/15) tivemos nosso dia de criança: saímos de San Diego cedo e passamos o dia das mães na Disneyland! Há exatos 3 anos, em nossa viagem pela Costa Oeste em 2012, também passamos o dia das mães na Disneyland, mas naquela ocasião estávamos com os pais da Liene. Dessa vez só pudemos desejar às nossas mães um feliz dia das mães à distância.
A Disneyland, assim como a sua irmã maior, a Disney World, é um mundo mágico de faz de conta onde adultos podem sair com orelhas de Mickey e Minnie e crianças são tratadas como príncipes e princesas. Talvez seja por isso que gostamos tantos desse lugar. Nossa primeira visita ao mundo mágico de Walt Disney foi ainda em nossa infância e até hoje todas as visitas são como a primeira.
Não importa quantas vezes visitemos a Disney, o encanto será sempre o mesmo da nossa primeira vez. Quem sabe ainda nessa viagem a gente consiga visitar o complexo de Orlando e sonhar um pouco mais.
Os primeiros assentamentos europeus no que é hoje a Cidade de San Diego foram um presídio e uma missão fundados em 1769. Em 1821 San Diego tornou-se parte do recentemente independente Estados Unidos do México, e em 1850, após a Guerra Mexicano-Americana, tornou-se parte dos EUA.
A Cidade de San Diego é hoje a segunda maior cidade da Califórnia e oitava maior cidade americana com aproximadamente 1.34 milhões de habitantes na Cidade de San Diego e 3.1 milhões na região metropolitana. Apesar do seu tamanho, San Diego ainda é uma cidade com uma atmosfera descontraída, relaxada e muito agradável para passear.
Hoje (09/05/15) fomos conhecer alguns de seus pontos turísticos. Começamos pelo Balboa Park, que já foi sede de duas feiras mundiais, em 1915-16 e em 1935-36. Lá visitamos o San Diego Zoo, que abriga aproximadamente 4.000 animais em uma área de 40 hectares. O zoológico é enorme e um dia parece pouco para percorrer todas as suas alas, mas ainda bem que existe um teleférico para levá-lo de um ponto a outro do zoológico e um tour guiado em um ônibus double deck que dá um panorama geral dos animais em exibição.
Os destaques para nós foram os Pandas, os Ursos Polares, Koalas (que não estavam dormindo) e Girafas, mas existem muitos outros animais e muitos deles, como os macacos, estavam com filhotes recém nascidos – muito legal!
Do San Diego Zoo fomos ao bairro de Old Town, que hoje é um Parque Estadual criado com a finalidade de preservar os prédios históricos construídos entre 1820 e 1870. Os prédios históricos hoje abrigam museus, lojas e restaurantes; dá para perder um dia facilmente caminhando por suas ruas, e garantimos que vale a pena.
No final da tarde fomos até Coronado Beach, de onde se tem uma vista muito bonita do skyline de San Diego. Comemos uma pizza e tomamos um drink para brindar nossa curta, mas ótima passagem por San Diego.
Como o título da música de Lulu Santos, De repente, Califórnia! Depois do nosso pequeno problema com o Godzilla e de um divertido jantar com o Gerry e a Sandra, saímos de Phoenix hoje (08/05/15) pela manhã e seguimos para o terceiro maior estado dos EUA, logo após o Alasca e o Texas, a Califórnia.
Essa não é a primeira vez que passamos por esse estado, mas na última vez que estivemos na Califórnia em 2012 não tivemos tempo para passar por San Diego. Essa cidade tem um significado especial para mim (Dan) pois há exatos 20 anos (como o tempo passa!) passei as minhas férias de verão estudando inglês e vivendo na casa de uma família americana.
Infelizmente o casal que me recebeu em 1995, Barbara (Baba) e Sylvester (Papa Sy), já faleceu e até tentamos fazer contato com o Sean (neto do casal que morava com eles na época), mas não pudemos encontrá-lo. De qualquer forma, antes de chegar em San Diego passamos na casa que eu morei em La Mesa. A casa mudou de cor (era verde), mas o velho trailer continua parado lá (será que alguém da família mora na casa?); foi muito legal recordar esse período!
No final da tarde chegamos em San Diego debaixo de uma garoa forte e de um frio de 11 graus. Como perdemos um dia com o problema do Godzilla, nosso tempo para aproveitar San Diego será bem curto, mas esperamos que amanhã o tempo melhore e que a gente possa passear por essa cidade incrível.
Em uma viagem longa como essa a única certeza que nós temos é que imprevistos acontecem. Não importa o quanto gastamos com manutenções preventivas ou redundâncias, sempre vai acontecer alguma coisa e temos que estar preparados para isso.
No nosso caso o primeiro imprevisto aconteceu hoje (07/05/15), após 40 mil quilômetros com apenas alguns inconvenientes, mas sem nem um pneu furado sequer. Já estávamos a cerca de 100 quilômetros de Phoenix quando ouvimos um forte estampido ao arrancar de um semáforo no meio da estrada. Paramos imediatamente no acostamento e descemos para ver o que tinha acontecido. Olhamos o carro e nada, olhamos a estrada e também não vimos nenhuma peça ou sinal de óleo que vazou.

Onde tudo aconteceu. Na realidade estava tentando ganhar uma corrida de 1/4 de milha contra esse carro de 10 segundos (não sem enganem com a aparência).
Voltamos para o carro e ao sair ouvimos um forte ronco vindo do motor. Obviamente algo estava errado! Conseguimos parar em um posto e ligamos para o Luiz Fraga da The Specialist (http://www.thespecialist.com.br), oficina que realiza a manutenção do nosso carro e que nos ajudou na preparação para essa viagem. A suspeita era de um problema na transmissão e isso não daria para resolver por telefone ou no meio da estrada.
Felizmente o Luiz Fraga tem um grande amigo em Phoenix, Gerry, que prontamente nos ajudou indicando uma oficina em Scottsdale (região metropolitana de Phoenix) especializada em Land Rovers onde poderíamos levar o Godzilla. Fizemos contato com a Rov-N-Techs (http://www.rovntechs.com), explicamos o problema e a suspeita da transmissão e combinamos que levaríamos o carro até lá, mas como fazer? Rebocar o carro ou ir dirigindo e correr o risco de agravar o problema? Para piorar estávamos a quase 100 quilômetros de distância. Resolvemos correr o risco e dirigir até a oficina.
Chegando lá fomos atendidos pelo Kevin que trabalhou muitos anos em uma autorizada Land Rover em Phoenix e outros 11 anos com Land Rovers na terra da Rainha. Demos uma volta, ouvimos o ronco, testamos a transmissão e voltamos para a oficina. Não parecia ser um problema de transmissão, mas o barulho não era normal.
Após uma busca detalhada descobrimos qual era o problema. Uma peça de plástico sem função aparente estava batendo na ventoinha do alternador e acabou quebrando a peça. O estampido que ouvimos foi da ventoinha se partindo e o ronco era causado pelo que restou dela.
Ufa! Ficamos aliviados que não era um problema mais grave. Como estamos carregando um alternador reserva, tiramos a peça que quebrou do nosso reserva e montamos tudo de novo. Pronto, problema resolvido! De quebra ainda aproveitamos para trocar as pastilhas dianteiras do Godzilla que já estavam no fim da vida.
No final da tarde, já com o Godzilla arrumado, encontramos com o Gerry e sua esposa Sandra (que é brasileira da nossa terrinha) para um ótimo jantar de agradecimento. Foi um prazer conhecê-los!
Ao Gerry e Sandra, e em especial ao Luiz Fraga, nosso mais profundo agradecimento pela ajuda prestada. A nossa maior tranquilidade nessa viagem é saber que podemos contar com pessoas como vocês!
Hoje (05/05/15) cruzamos a fronteira do nosso décimo sétimo país, os Estados Unidos da América. Essa não é a primeira vez que entramos nos EUA e tampouco é a nossa primeira visita à Costa Oeste, mas entrar dirigindo o Godzilla após 248 dias e 39.542 quilômetros dá um gostinho todo especial.

Entramos nos EUA pelo estado do Arizona, na Cidade de Nogales, que faz fronteira com a Cidade de Heróica Nogales no México. Existem dois pontos em Heróica Nogales para atravessar a fronteira, uma no centro da cidade (31.332845, -110.942305), que normalmente é mais movimentada, e outra fora da cidade chamada Nogales-Mariposa (31.332289, -110.964977), que é bem mais tranquila.
Obviamente optamos pela segunda e fomos seguindo as placas que indicavam USA, mas levamos um susto quando chegamos a uma fila de carros que esperavam para passar pela aduana americana. Faltou algo! Onde ficou a imigração mexicana? Passamos? Não! Não havia indicação nenhuma!
Ao chegar na cabine falamos com o oficial da aduana que confirmou que já estávamos em território americano! Holy crap! A imigração mexicana estava escondida em algum lugar lá atrás! Voltamos? Seguimos? Bom, já estávamos do lado americano e se tivermos um problema no México será somente na próxima vez que visitarmos esse país; como a baixa da importação temporária do Godzilla estava ok decidimos seguir assim mesmo.
Da cabine da aduana, fomos encaminhados para a área de inspeção, mas todos os oficiais foram muito simpáticos e estavam mais interessados na nossa viagem e nas várias modificações do Godzilla (microondas, armários e geladeira) do que em propriamente revistar o carro. Só para ter uma ideia de como chamamos atenção, apareceram pelo menos 8 oficiais, além das duas que estavam fazendo a inspeção.
Em menos de 15 minutos e no meio desse auê todo fomos liberados para seguir viagem, mas ainda estávamos com a sensação de que faltava algo e, após checar os passaportes, descobrimos o que era: a imigração americana!
Por mais improvável que isso possa parecer, nós brasileiros de descendência asiática dirigindo um carro estrangeiro, quase entramos nos EUA sem passar pela imigração. Ainda bem que checamos tudo e questionamos várias vezes os oficiais se não estava faltando nada ou teríamos sido presos 40 quilômetros adiante no posto de fiscalização da Polícia de Fronteira (Border Patrol).
Fomos encaminhados ao prédio da imigração onde novamente fomos atendidos com muita simpatia por um oficial americano que após os procedimentos normais carimbou o nosso passaporte. Na verdade, segundo ele, os passaportes não são carimbados (hum!), apenas entregam a folhinha da imigração com o carimbo de entrada (hum! hum!), mas como isso NUNCA aconteceu conosco, insistimos para que ele carimbasse os nossos passaportes (dissemos que queremos encher o passaporte e para isso precisávamos do carimbo de entrada nos EUA). Tudo resolvido com muita tranquilidade e gentileza!
Resolvemos tudo em menos de 50 minutos e logo seguimos pelas ótimas estradas americanas (nessas horas faz falta um motor V6 ou V8) até a Cidade de Phoenix, onde ficaremos 2 noites para comprar algumas peças e equipamentos para o Godzilla.
Quando entramos no México estávamos animados e ao mesmo tempo preocupados com os inúmeros relatos de problemas com a polícia, milícias e exército que outros viajantes reportaram, mas no final foi tudo bem, fomos parados algumas vezes pela polícia e pelo exército, mas sempre foram muito simpáticos e corretos.
Passamos 28 dias incríveis no México e conhecemos um México que não é diferente do Brasil com sua Riviera Maia cheia de resorts caros e lotados de turistas americanos e europeus (como os nossos resorts do Nordeste); cuja malha rodoviária é extensa, mas com muitos trechos mal cuidados e esburacados (como as nossas rodovias federais); e com um povo hospitaleiro, alegre e sempre disposto a ajudar.
Com isso, seguem os números da nossa passagem pelo México:
GPS
| Km total rodado | 5.034 |
| Km médio/dia | 180 |
| Dias com o carro parado | 13 |
| Paradas policiais | 3 |
| Paradas exército | 3 |
| Paradas fitosanitárias | 3 |
Diesel
| Litros consumidos | 627,27 |
| Autonomia média Km/L | 8,09 |
| Litro mais caro (USD) | 0,951 |
| Litro mais barato (USD) | 0,930* |
| Valor médio diesel (USD) | 0,946 |
* O preço do combustível é tabelado em 14,20 MX/litro e só existem postos da estatal Pemex. A diferença dos valores foi gerada pela variação cambial do dólar.
Calendário
| Data inicial | 07.04.15 |
| Data final | 05.05.15 |
| Número de dias total | 28 |
| Estados | 18 |
Clima
| Condição | Dias |
| Sol | 24 |
| Nublado | 2 |
| Neve | |
| Chuva | |
| Sol/Chuva | 2 |
| Calor > 20 | 28 |
| Normal | |
| Frio < 10 | |
| Frio < 0 |
Acomodação
| Condição | Dias |
| hotel | 28 |
| camping | 4 |
| hostel | |
| casa |
E o trem quebrou! Voltamos no dia 02/05/15 para Los Mochis, mas a locomotiva do trem apresentou um problema mecânico logo após a saída de Creel e teve que ser substituída. Em razão desse problema, a chegada em Los Mochis, prevista para às 21h30 atrasou quase 2 horas e meia.
Tínhamos combinado de encontrar o Xixo, Bárbara e Francisco da Nossa Grande Viagem (http://www.nossagrandeviagem.com | https://www.facebook.com/pages/Nossa-Grande-Viagem/476918712450520?fref=ts) em Los Mochis antes que eles embarcassem no ferry para a Baja California, mas com o problema do trem ficamos apenas com o registro feito por eles da Lola (Defender da Nossa Grande Viagem) e o Godzilla no estacionamento do hotel em Los Mochis.
No dia seguinte (03/05/15) saímos de Los Mochis e seguimos até Hermosillo, onde aproveitamos para trocar o óleo do Godzilla (lá se vão 40 mil quilômetros desde que iniciamos a viagem) e iniciar os preparativos para cruzar a fronteira com os EUA. Como não fomos para a Baja California, decidimos entrar nos EUA por Nogales – Arizona, e esperamos que seja tranquilo.
Saímos de Hermosillo no dia 04/05/15 e imediatamente notamos um aumento sensível da presença da polícia e do exército na estrada. Inclusive fomos parados em um posto de fiscalização do exército e pela primeira vez fizeram uma vistoria no Godzilla, mas foi super tranquilo.
Antes de entrarmos em Heroica Nogales, cidade mexicana que faz fronteira com os EUA, passamos pelo posto fiscal e cancelamos a importação temporária do Godzilla. Não tivemos nenhum problema com o documento que foi preenchido a mão pela oficial de aduana quando entramos no México, mas ainda temos que aguardar o reembolso do depósito de 300 USD que deve ser creditado em nosso cartão de crédito nos próximos dias.
Como já passava das 13h quando chegamos em Heroica Nogales e nem tínhamos almoçado, decidimos passar a noite em território mexicano e cruzar a fronteira apenas na manhã seguinte, descansados e dispostos a encarar qualquer contratempo.
Nossa passagem pelo México foi muito legal. Estávamos um pouco preocupados com o que encontraríamos pois outros viajantes tiveram muitos problemas com a polícia, exército e até milícias armadas (“polícia comunitária”), mas encontramos um país encantador, tão grande e culturalmente rico quanto o Brasil, e sairemos amanhã com a certeza de que o tempo foi curto para realmente conhecer esse país.
Já que o assunto é Zanzando na mídia, não poderíamos deixar de registrar a nossa participação como “Overlanders em Destaque” (http://overlanderbrasil.com/na-estrada/overlanders-em-destaque/zanzando/) na única mídia brasileira dedicada exclusivamente a essa forma única e riquíssima de viagem.
Esperamos que ao dividir nossa experiência com outras pessoas, possamos ajudar a cumprir a missão do Overlander Brasil, que é “promover overlanding na sua interpretação mais ampla e inspirar o maior número de pessoas possível a sair e usar seu veículo para viajar, explorar e descobrir mais deste maravilhoso mundo. Criar um ponto de encontro tanto para aqueles que procuram informação, como para aqueles que desejam compartilhar suas aventuras e experiências” (Overlander Brasil).
Aos amigos Robert, Grace, Clemente e Milena, desejamos muito sucesso nesse maravilhoso projeto e agradecemos o gentil convite para fazer parte de tão seleto grupo. Conte conosco sempre!
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