Depois de 6 ótimos dias em Bonito, voltamos para Fernandópolis para recarregar as pilhas. Foi um tiro de mais de 900 km e no caminho só chuva, mas ao passar por Três Lagoas e entrar no Estado de SP o tempo secou novamente. Parece que São Pedro não quer mesmo colaborar conosco.
Aproveitamos esse dia para rever a família, comer (muito) e dizer novamente tchau. Depois seguimos de volta para São Paulo, onde passamos 2 dias resolvendo assuntos de banco e outras pendências que não puderam ser finalizadas até a nossa saída. No caminho para São Paulo nossa primeira parada policial em Araraquara, mas foi tudo tranquilo.
No fundo foi bom passar em São Paulo. A viagem para Bonito funcionou como uma espécie de teste final para nós e para o carro e, com exceção do botão do vidro elétrico que pifou, mas já foi substituído, fomos todos aprovados com A+. Também aproveitamos essa última passada para trocar o óleo do Godzilla e deixá-lo pronto para encarar mais 10 mil km de estradas.
Até a próxima parada, que será amanhã em Curitiba.
No Hostel de Bonito nós conhecemos uma família francesa – Bastien, Célia e seus filhos, Justine (de 5 anos) e Baptiste (de 2 anos) do blog 8 Moins Sans Cartable (http://8moissanscartable.pagesperso-orange.fr), que significa 8 meses sem mochilas escolares.
Essa incrível família planejou uma viagem de 8 meses pela América do Sul a bordo de um Motorhome 1997 que eles enviaram da França para Montevidéu. O Bastien nos explicou que eles escolheram a América do Sul em razão da estabilidade geopolítica e das boas condições sanitárias.
Eles estarão por aí até março, quando o intervalo terminará para os professores Bastien e Cécilia, mas nós esperamos encontrá-los novamente na estrada antes que eles retornem.
Boa viagem Bastien, Célia, Justine e Baptiste!
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At the Hostel in Bonito we have met a French family Bastien and Célia and their kids Justine (5 years old) and Baptiste (2 years old) from the blog 8 Moins Sans Cartable (http://8moissanscartable.pagesperso-orange.fr), which means 8 months without school backpacks.
This great family has planed a road trip of 8 months through South America on a 1997 Motorhome that they have shipped from France to Montevideo. Bastien explained that they have chosen South America due to its geopolitical stability and good sanitary conditions.
They will be around until March, when the school break finishes for the teachers Bastien and Célia, but we hope to bump with them once again on the road before they go back.
Bon voyage Bastien, Célia, Justine and Baptiste!
Outro casal muito legal que nós conhecemos na estrada. Rand e Diana do blog Com o Vento (http://www.com-ovento.blogspot.com) estão viajando pela América do Sul a bordo de uma Land Rover Freelander chamada Freebie. Eles iniciaram a viagem na Cidade do Rio de Janeiro e estão planejando chegar no Santuário de Machu Pichu, mas tiveram alguns problemas no caminho para Bonito que atrasaram a sua programação.
Apesar dos problemas e desafios, eles continuam na estrada, aproveitando cada dia dessa fantástica experiência – prova de que eles têm o verdadeiro espírito de aventura. Nós não sabemos se eles ainda planejam chegar a Machu Pichu, mas esperamos que nada mais aconteça com eles e com a Freebie.
Curtam a estrada Rand e Diana!
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Another great couple we have met on the road. Rand and Diana from the blog Com o Vento (http://www.com-ovento.blogspot.com) are traveling through South America with a Land Rover Freelander named Freebie. They started the trip in the City of Rio de Janeiro and were planing to reach the Sanctuary of Machu Pichu, but they had some problems on their way to Bonito that delayed their schedule.
Despite of all the problems and challenges, they are still moving and enjoying each day of this great experience – evidence that they have the true overlander spirit. We don’t know if they still want to reach Machu Pichu, but we hope that nothing else happens with them and with Freebie.
Enjoy the road Rand and Diana.

Preparar um carro para uma viagem de 1 ano e 70 mil km não é fácil. Além da revisão e manutenção preventiva, é necessário levar uma quantidade considerável de peças de reposição para manutenção normal do carro em rota e outras para situações emergenciais.
A longa lista de peças sobressalentes abrange desde itens simples como o óleo do carter e um segundo estepe até peças mais complicadas como o alternador e a bomba d’água, passando por correias, filtros, rolamentos, mangueiras e pastilhas de freio. Muitas dessas peças nós esperamos nem utilizar durante a viagem, mas não podemos desprezar a máxima da Lei de Murphy que diz que se algo pode dar errado, dará.
Essa parte da preparação foi sem dúvida o que mais consumiu tempo e dinheiro, já que tivemos que passar pelo menos 4 vezes pela oficina para realizar a revisão geral, manutenção preventiva e preparação da Defender para a viagem, mas é sem dúvida a parte mais importante de toda essa fase.
Infelizmente, ao contrário do que parece, o custo de manutenção da Defender não é baixo, e isso deve principalmente ao custo das peças, que são na sua grande maioria importadas. O carro é robusto, confiável e tem uma mecânica simples, mas suas peças não são baratas e pior, são difíceis de encontrar por aqui.
Das poucas empresas que trabalham com peças de reposição para Land Rovers, nós tivemos o privilégio de conhecer a Getset Parts, que fica em São Paulo e seu dono Airton Franca, que além de ser muito gentil e atencioso, é outro landeiro de carteirinha.
Durante a fase de preparação nós já tínhamos comprado várias peças da Getset Parts e sempre recebemos tudo direitinho. Agora, para a viagem, nós pudemos contar com uma ajuda especial da Getset Parts, que forneceu em consignação diversas peças de reposição para a nossa Defender.
É claro que esperamos não usá-las, mas como o próprio Airton diz, a Defender só vai e volta porque carregamos outra Defender desmontada nas caixas de peças do bagageiro. Então, ao Airton e à Getset Parts, toda nossa gratidão pela atenção e disposição para nos ajudar a realizar esse projeto de vida.

Quando estávamos procurando o nosso Defender o mais importante era encontrar um carro com a manutenção em dia, feita em uma oficina de confiança, ou seja, um carro com pedigree.
O nosso é assim, apesar de ter passado por 3 proprietários antes de nós, o carro tem um histórico de manutenção quase impecável e uma longa lista de equipamentos já instalados, como por exemplo tanques extras de água e combustível, garantindo autonomia e conforto. Na prática isso se traduz em economia e tranquilidade, já que não tivemos grandes surpresas na revisão e preparação da Defender para a viagem.
A manutenção e preparação do carro ficou por conta do Luiz e Felipe Fraga da The Specialist (www.thespecialist.com.br), que desde o primeiro dia, quando fomos ver o carro como potenciais compradores, foram muito muito solícitos e atenciosos. A oficina está sempre cheia (reflexo de um ótimo trabalho), mas mesmo assim não escolheríamos outro lugar para deixar nosso carro.
Revisar e preparar o carro na The Specialist nos deixou muito mais tranquilos para iniciar a viagem. Também agradecemos ao Felipe e Luiz pela ajuda com a montagem do kit de peças de reposição e por se colocarem à nossa disposição para resolver eventuais problemas no caminho.
O primeiro casal que nós conhecemos, ainda durante a preparação para a viagem, foi o Sergio e a Eleni do Projeto Mundo Cão (http://projetomundocao.com.br | https://www.facebook.com/pages/Projeto-Mundo-Cão/500840866663901). Eles também estão se preparando para pegar a estrada rumo ao Alaska em uma Defender 110 chamada Mundrunga. Obviamente nós combinamos de nos encontramos novamente em algum lugar entre o Mexico e o Canada para terminar a subida ao Alasca juntos.
Aqui no Brasil eles tem um interessante projeto com moradores de rua, oferecendo à eles comida e um pouco de carinho. Inicialmente, eles queriam levar esse projeto para a estrada, mas servir comida é complicado quando se cruza tantas fronteiras diferente. Assim, eles decidiram focar em animais abandonados.
Eles irão carregar comida e água para animais abandonados que serão distribuídos ao logo da estrada. Eles sabem que essa simples ação não mudará a realidade desse animal, mas esperam que ao fazer isso possam chamar a atenção de outras pesas para essa questão. Vocês querem ajudar? Nós já estamos!
Encontramos vocês em breve amigos!
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The first couple we have met, during our preparation for the trip, was Sergio and Eleni from Projeto Mundo Cão (http://projetomundocao.com.br | https://www.facebook.com/pages/Projeto-Mundo-Cão/500840866663901). They are also preparing to take the road to Alaska in a Defender 110 named Mundrunga. Obviously we have agreed that we will meet again somewhere between Mexico and Canada and finish the way up to Alaska together.
Here in Brazil they have an interest project with homeless people, offering them food and a a little joy. Initially they wanted to take this project to the road, but serving food is quite challenging when you are crossing so many borders. So they have decided to focus on abandoned pets.
They will carry food and water for pets that will be distributed along the way. They know that this single action will not change the reality of such pet, but by doing this they expect to draw the attention of other people like us to this situation. Do you wanna help? We are!
See you soon my friends!

Nossa chegada a Bonito foi tranquila pois o site do hostel dava algumas dicas de qual estrada pegar ou não, e isso nos ajudou muito. Por exemplo, evitar o caminho por Aquidauana pois depois haveria um trecho longo de terra que duraria mais de 1h para atravessar, bem como evitar seguir o GPS pois ele também indicaria essa rota. Fomos por Jardim mas acabamos pegando a estrada mais longa e com 25km de terra pois não havia muitas placas indicativas. Mas chegamos!
O hostel é muito bem equipado e o staff bem gentil e atencioso, há uma agência de viagens para marcar os passeios dentro do próprio hostel, já que todos os passeios devem ser reservados e terem um guia. O bom disso tudo é que todos os passeios são tabelados, entretanto, não marque vários passeios para o mesmo dia ou com um horário muito apertado entre uma atividade e outra, pois não há um rigor britânico em relação aos horários e isso pode prejudicar ou até mesmo fazer você perder uma atividade.
A maioria dos passeios fica longe da cidade e só se consegue chegar lá com carro. Por conta disso há diversas empresas que fazem o traslado já que não há locadoras de carro aqui (a mais próxima fica em Campo Grande). Todas as atrações são muito bem sinalizadas com placas e não tivemos nenhuma dificuldade para chegar aos locais.
Algumas atrações ficam em fazendas, e o receptivo delas é excelente (pelo menos as que conhecemos). O staff é muito atencioso e educado, explica o passeio, mostra o lugar e está sempre sorrindo. Quanto aos guias, pegamos alguns muito bons e outros mais ou menos, como acontece em qualquer lugar. Como é obrigatório ter um guia em todo passeio, eles estão se preparando e vimos que alguns mais novos estão chegando e aprendendo.
Para uma cidade cujo turismo começou mesmo a partir de 1992, a infraestrutura está muito boa. Há diversos hoteis e pousadas para todos os gostos e bolsos. Mas ressalte-se que Bonito não é uma cidade financeiramente acessível se se quiser fazer os principais passeios; muito pelo contrário, gasta-se muito neles. Como vários acontecem na água, os equipamentos são checados, revisados e inspecionados com frequência; todos os passeios possuem um seguro para cada turista; as normas de segurança são repassadas sempre; e vários melhoramentos estão sendo feitos para um maior conforto dos visitantes.
Desde o começo não sabíamos o que esperar da cidade e dos passeios, e ficamos bem surpresos com tudo que vimos.
E assim termina nosso primeiro momento natureza.
Nos últimos dias aqui em Bonito, nós tivemos a oportunidade de conhecer pessoas de diferentes países, mas nós nos demos conta que nosso site está apenas em português.
Nós não vamos traduzir tudo para o inglês, mas vamos dedicar parte da nossa página para nossos novos amigos (Brasileiros ou não) e para torná-lo amigável a todos, vamos manter esse tópico em inglês e português.
Esperamos que vocês curtam e peguem a estrada conosco.
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In the last couple of days here in Bonito we had the chance to meet people from different countries, but we realized that our website is in Portuguese only.
We will not translate everything to English, but we will dedicate part of our home page to our new friends (Brazilian or not) and in order to keep it foreign friendly, we will leep this section in English and Portuguese.
We hope you enjoy it and get your kicks on the road with us.

Uau! Que lugar! Essa foi a nossa impressão do lugar.
Todos em Bonito, sem exceção, disseram que esse era o melhor passeio e que todo o esforço seria recompensado e eles estavam certos. O Abismo Anhumas tem uma beleza ímpar e a dificuldade do acesso valoriza ainda mais o passeio.
Para começar são cerca de 25km em estrada de terra, depois uma trilha curta de 300m até o ponto de encontro com os monitores. De lá, após equipar, são 72m em rapel que começa em uma fenda de 3m de diâmetro na rocha até se abrir em uma imensa caverna.
Lá embaixo equipamos e caímos na água (GELADA – 18/19 graus) para um mergulho de 18 metros (máximo permitido para qualquer mergulho) e 30 minutos entre as formações submersas em formato de cone (como a cabeça do Sato). Como o mergulho é feito praticamente no escuro e não existe muita vida aquática, a impressão que temos é que estamos em outro mundo…
De volta a superfície trocamos de roupa e fizemos um passeio de bote inflável para ver as estalactites e estalagmites que insistem em desafiar as leis da física.
Por fim, uma penosa (para mim – Dan – pelo menos) subida pela mesma corda até o ponto de início do passeio. Na volta nos perguntamos sobre o que torna esse lugar tão especial e não achamos a resposta. Talvez vocês tenham que conferir pessoalmente e tirar suas próprias conclusões sobre esse lugar.
Para nós, essa foi a chave de ouro que precisávamos para fechar nossa passagem por Bonito.
Agora é pé na estrada novamente até o nosso próximo destino.

Hoje fizemos mais um passeio incrível pela nascente do Rio Sucuri.
O Rio Sucuri e o Rio da Prata são os dois principais passeios de flutuação em Bonito, mas não é só a beleza natural que impressiona. O receptivo e toda a infraestrutura do lugar tornam o dia ainda mais agradável (até esqueci que não gosto de buffet – kkk). É possível passar o dia lá já que há outras atividades como cavalgada e quadriciclo, além da própria estrutura da fazenda (piscina, pomar, redário, restaurante).
Para nós, que somos de São Paulo, a simples possibilidade de nadar em um rio já é motivo para celebrar; imagine então nadar em uma água super limpa e cheia de vida…realmente impagável, como diria o Wagner Santos.
Amanhã é nosso último dia aqui em Bonito e reservamos o melhor para o final, segundo todos os guias que conversamos: o Abismo Anhumas ou “o buraco” como é chamado por eles. Será uma descida de 72m em rapel por uma fenda na rocha, até uma caverna com magníficas formações e um lago de águas cristalinas, onde faremos mais um mergulho com cilindro.
Esse é o passeio que mais exige preparo do visitante, já que a única forma de entrar e sair é pela corda, além do mergulho que é uma atividade somente para pessoas com curso e credencial. Por esse motivo tivemos que fazer um treinamento hoje à noite na operadora, sendo que somente tivemos a confirmação do passeio após a avaliação do instrutor. E fomos aprovados!
Hoje nós conhecemos a Gruta do Lago Azul em Bonito. O lugar, tombado pelo Iphan, é impressionante não apenas pelo incrível tom azul do lago que se forma no fundo da Gruta, mas também pelas estalactites e estalagmites que levam anos para crescer apenas milímetros. Segundo a explicação do nosso guia, o azul da água resulta da incidência da luz nas rochas brancas do fundo do lago, cuja visibilidade ultrapassa os 20 metros.
A profundidade do lago é desconhecida, já que 87 metros é o máximo que um mergulhador já atingiu. Durante nossa visita, ficamos sabendo que a Gruta tem uma idade aproximada de 60 milhões de anos (relativamente nova), mas mesmo assim, em 1992 um grupo franco-brasileiro, durante a exploração da parte submersa da Gruta, encontrou fósseis de animais pré históricos entre eles a preguiça gigante, que permanecem no local.
E por falar em preguiça gigante, tiramos o resto do dia para descansar e repor as energias.
Bonito é realmente um lugar especial. O ecoturismo é o ponto forte dessa região e a infraestrutura nos impressionou até agora.
Hoje conhecemos duas atrações muito populares, a Lagoa Misteriosa e o Rio da Prata. A lagoa leva esse nome porque até hoje ninguém sabe ao certo qual é a profundidade dela. O mergulho mais profundo realizado nessa lagoa chegou a impressionantes 220 metros e nem sinal do fundo dela. Nosso guia disse que até prefere não saber a profundidade para que o lugar não perca seu charme.
Para quem tem credencial de mergulho, é possível fazer um mergulho com cilindro na Lagoa Misteriosa. Não existe muita vida aquática, mas a visibilidade (hoje estava em mais 20 metros) e a temperatura da água (constante em 25 graus) tornam o mergulho muito agradável – a Liene que o diga… e por falar nela, olha só quem apareceu para dar um oi…
Depois do mergulho, nós fomos para o Rio da Prata fazer um passeio de flutuação. Já ouvi muitas histórias sobre a incrível visibilidade que esse lugar tem e a quantidade de vida aquática que existe, mas nada supera ver tudo ao vivo. Pacus, Piraputangas (em Tupi – do rabo vermelho), Dourados e muito mais… esse passeio foi incrível e você acaba nem se dando conta que passou mais de 2 horas na água e nadou quase 2 km.
Ainda de ressaca da nossa despedida, partirmos no último domingo para o primeiro dia da nossa viagem. O destino já era conhecido, a casa da avó da Liene em Fernandópolis, interior de São Paulo. São mais de 600 km, mas dessa vez a sensação era diferente, pois esses seriam os primeiros 600 km de uma longa jornada.
E lá fomos nós ao encontro da mãe da Liene, a Batian (avó da Liene), os tios Haruo e Tadashi, as tias Sumie e Tê e as nossas primas Harumi e Erika…depois de passar a noite por lá, partimos para a nossa segunda parada, Campo Grande. Até daria para seguir direto para Bonito, mas combinamos que evitaríamos sempre que possível trechos muito longos e, principalmente, não iríamos dirigir à noite.
Assim, passamos uma noite em Campo Grande, jantamos em um restaurante muito legal, que faz parte da Associação dos Restaurantes da Boa Lembrança (Cantina Masseria), e dormimos cedo para poder sair cedo para o destino dessa etapa da viagem, Bonito/MS. Bonito não é exatamente o pantanal selvagem, mas suas belezas naturais encantam, e muito.
No caminho, encontramos alguns verdadeiros vaqueiros tocando a boiada no meio da estrada (só no MS mesmo)…
Aqui ficaremos hospedados no primeiro Hostel da viagem. O escolhido foi o Bonito HI Hostel, que tem uma infraestrutura fantástica, com quartos coletivos e privativos, área de recreação, cozinha, piscina, redário etc.. Ainda, conta com uma área externa onde se pode parar o carro e acampar, utilizando apenas os banheiros e outras partes comuns do Hostel. Vimos um carro de um casal overlander da França estacionado nessa área…esperamos ter a oportunidade de conhecê-los e ouvir suas histórias.
Em Bonito, jantamos em um restaurante super aconchegante, que serve uma das melhores traíras com pirão que já tivemos oportunidade de comer, a Casa do João. Esse restaurante que foi inaugurado em 2007 impressiona pelo ambiente, pela qualidade da comida e pelos preços razoavelmente acessíveis para dois paulistas desempregados…nota 10!
Hoje foi um dia muito especial para nós, o dia de dizer até logo para nossos amigos e família. Mesmo sabendo que em breve retornaremos, nunca é fácil dizer tchau para as pessoas queridas.
Se estamos prontos? Não sei, mas vamos partir mesmo assim e no caminho ajustaremos o que for necessário…começando pelas chaves do carro que misteriosamente sumiram…
Gostaríamos de agradecer à todos que passaram na nossa despedida, mandaram emails, mensagens e recados. Levaremos conosco todos os votos de boa viagem e todos omamoris que ganhamos. Se depender de proteção e torcida, essa será uma viagem super tranquila.
Ah! E para os curiosos, com 38% dos votos válidos (sem margem de erro), o nome escolhido para a nossa Defender foi Godzilla. Valeu Chamie pela sugestão!
Agora é pé na estrada! Nos encontramos ZANZANDO por aí.
Um grande abraço,
Dan e Liene
Muitas pessoas nos questionam sobre o custo de uma viagem como essa e outras simplesmente afirmam que estamos com a vida feita para ficar tanto tempo fora “vivendo de brisa”. Bom, é verdade que não gastamos pouco, mas acreditem, estamos muito longe de estar com a vida resolvida.
Mas enfim, qual é o preço de um sonho?
Hoje, passada a fase de preparação, entendemos que não existe um número mágico que possa servir de base para qualquer outro viajante, até porque o quanto você irá gastar depende do quão preparado você quer estar, do nível de conforto que gostaria de ter durante a viagem e principalmente, dos recursos que você conseguiu juntar para essa finalidade.
No nosso caso, a preparação consumiu dois terços do custo total orçado, sendo que as despesas com o carro (manutenção, instalação de acessórios/equipamentos e preparação para a viagem) corresponderam a aproximadamente 70% do valor total gasto.
No final o importante é que, gastando muito ou pouco, indo de carro ou a pé, para uma volta ao mundo ou até a praia, você se planeje, junte os recursos necessários e principalmente estabeleça uma data razoável para sair. Não façam planejamentos muito longos…prazos mais curtos te incentivam e ajudam a manter o foco…
Diferentemente de uma viagem curta, onde precisamos apenas de uma mala, para essa viagem tivemos que adaptar o carro para poder carregar tudo que precisamos. A longa lista inclui roupas, comida, ferramentas, peças de reposição do carro, equipamentos de camping, mergulho e fotografia, guias, livros etc.
Transportar coisas soltas em um carro é um perigo, já que em um acidente ou mesmo em uma freada mais brusca tudo acaba sendo projetado podendo machucar os ocupantes. Para evitar esse tipo de problema e também pensando na organização do minúsculo espaço que dividiremos por 1 ano, decidimos que o melhor a fazer seria transformar o Defender em uma verdadeira casa sobre rodas.
Assim, fizemos um projeto com a ajuda do meu primo Gilson e levamos a ideia maluca de fazer armários dentro de um carro para o João Miyamoto executar. Depois de 20 dias de trabalho na marcenaria e 1 dia e meio de montagem, o resultado é esse…e para fingir que eu ajudei, pedi que fizessem uma foto minha atrapalhando o João.
O Projeto
O João
A execução
Eu atrapalhando
O resultado final
Uma outra preocupação nessa viagem é o dinheiro. Como fazer para se manter durante 1 ano, passando por tantos lugares diferentes? Levar tudo em espécie é inviável, principalmente em razão da segurança, e usar somente o cartão não é uma alternativa, já que podemos encontrar lugares que não aceitam cartões, além do IOF incidente sobre transações com cartões de crédito, débito e pré-pagos.
A melhor dica que nós recebemos é usar o cartão para tirar dinheiro e o dinheiro para pagar as coisas. Legal, isso resolveu uma parte do problema, mas ainda restam dois outros, o IOF e a variação cambial. Ainda que a gente conseguisse equacionar o nosso orçamento para conviver com um IOF brutal de 6,75% de tudo que gastássemos durante a viagem, ainda estávamos vulneráveis a flutuação do câmbio.
Toda nossa conta, inclusive a preparação para a viagem, foi feita em USD a um câmbio pré-determinado. Imaginem o que pode acontecer se houver uma desvalorização forte do real. Isso pode impactar negativamente a nossa viagem e até mesmo interrompe-la por falta de recursos. Francamente, essa não é uma opção…
Ainda, com a mudança da regra do IOF, tanto os travelers checks quanto os cartões pré-pagos passaram a ser tributados na alíquota máxima de 6,75% (desse jeito não dá!), o que nos deixou sem muitas alternativas.
A alternativa mais viável foi abrir uma conta offshore, onde os recursos que utilizaremos durante a viagem serão depositados e posteriormente sacados em caixas eletrônicos pelo caminho. Essa é uma opção bastante interessante pois nos protege da variação cambial e ainda minimiza os impactos do IOF no nosso orçamento.
Existem diversos bancos tantos nacionais quanto estrangeiros que oferecem esse tipo de conta, sendo que cada um tem uma tarifa/exigência específica para abertura e manutenção da conta. Quem tiver interesse, vale a pena buscar informações e ver se esse tipo de produto atende as necessidades de vocês.
Normalmente quando viajamos tomamos os cuidados básicos, como fazer um seguro viagem e cuidar da alimentação etc, mas o que fazer em uma viagem tão longa e, especialmente, passando por tantos países diferentes?
Sem dúvida, esse é um dos assuntos mais importantes na fase de preparação para uma viagem, e quanto antes for providenciado melhor, mesmo porque algumas vacinas, como por exemplo as vacinas contra hepatite A, hepatite B e raiva, tem que ser tomadas em períodos pré-determinados, que podem levar até 6 meses.
O seguro saúde também é fundamental, imagine ser internado em um hospital nos Estados Unidos e ter que pagar a conta da internação, remédios etc. e se for uma emergência ou um acidente? Acreditem, o custo de contratação é muito baixo perto do risco de se viajar sem um bom seguro saúde.
Como moramos em São Paulo, aproveitamos um serviço público do Hospital Emílio Ribas que se chama Medicina do Viajante. O processo de agendamento da consulta é um tanto confuso, mas a consulta foi ótima. O médico pergunta sobre a rota e países a serem visitados, atividades que pretendemos fazer no caminho para depois falar sobre os perigos que podemos enfrentar e os cuidados básicos que teremos que tomar durante a viagem.
Ainda, como parte da consulta, saímos de lá com uma relação de vacinas a serem tomadas (hepatite A – 2 doses, hepatite B – 3 doses, raiva – 3 doses, febre tifóide, dupla viral, tétano e difteria, gripe, febre amarela etc.). O importante é que essas vacinas são prescritas conforme os países que serão visitados e com base no histórico de cada um. Assim, não leve em consideração qualquer lista como uma relação das vacinas a serem tomadas. O melhor é consultar um médico e, se você for de São Paulo, consultar o Médico do Viajante.
Com exceção das vacinas de febre tifóide, gripe e hepatite A, tomamos todas as demais no próprio Emilio Ribas sem qualquer custo.
O seguro saúde é um caso a parte. Por se tratar de uma viagem muito longa, de carro e com várias atividades diferentes durante o caminho (mergulho, trekking etc.) precisávamos de um seguro que fosse flexível em relação a cobertura e com um limite de cobertura muito bom. Pesquisando em sites de overlanders e consultando pessoas que estão ou já fizeram viagens parecidas, conhecemos a World Nomads.
A cobertura médica (unlimited) e as atividades cobertas (de golfe a voo de paraglider) era justamente o que precisávamos e o custo (cerca de USD 3.000,00) nos parecia razoável. Infelizmente não temos muito a acrescentar sobre o atendimento e esperamos não precisar acioná-los para nada, mas fica a dica sobre o seguro saúde.
Uma das coisas que não decidimos até agora é nome do nosso carro. Como assim, dar um nome para o carro?
Sim, a primeira coisa que notamos quando começamos a acompanhar sites de outras pessoas que estão rodando por aí, é que todos, sem exceção, dão um apelido para o seu carro, como Coyote, Farofamovel, Snoopy, Mundrunga, Curumim e por aí vai…
Agora que nome dar para um carro grande, pesado, lento e temperamental, que ao mesmo tempo é confiável, robusto e confortável? Isso sem mencionar a cor, verde..
Pois é, para acabar com essa indecisão, montamos uma enquete e gostaríamos de ouvir a opinião de vocês. Deixamos algumas sugestões, mas caso tenham outras ideias é só mandar…
Esse é um tema recorrente em rodinhas de landeiros. O que fazer para entrar menos poeira e melhorar o conforto térmico/acústico da Defender?
Realmente esse carro é crítico nesses 3 quesitos, tão crítico que ao pegarmos a nossa Defender, a primeira impressão é que o carro nunca tinha sido limpo por dentro e só circulou por estradas de terra. Em seguida fizemos uma viagem agradável de quase 600 km até Fernandópolis, interior do Estado de São Paulo, durante a qual pudemos refletir (já que conversar era impossível) sobre a poeira e conforto acústico.
Tá bom, estou exagerando um pouco (ou não), mas é fato que esses 3 pontos incomodam os felizes proprietários de Defenders. Tanto que em blogs e fóruns de land rovers existem inúmeros posts sobre o isolamento da cabine dos nossos bólidos.
O ponto positivo da nossa Defender é o ar condicionado, como nós temos 2 compressores instalados no carro – o conhecido “gela saco” do painel e um segundo no console central – não sofremos muito no verão, mas sinceramente não sabemos como será no frio.
Por influência do Sérgio do Projeto Mundo Cão (www.projetomundocao.com.br), que tinha feito o isolamento da sua Mundrunga, lá fui eu tentar fazer o mesmo com a minha Defender. Como o interior tinha sido praticamente todo desmontado, o trabalho ficou bem mais fácil, mas mesmo assim não escapei de ter que desmontar bancos, retirar parafusos e guarnições, e lavar o carro (literalmente) por dentro com água e sabão, isso sem mencionar uns bons dias gastos colando a manta asfáltica.
Para os adeptos do faça você mesmo, isolei tanto a parte traseira quanto a dianteira, retirando bancos carpetes etc. Para o serviço, utilizei a manta asfaltica autoadesiva da Vedacit (3 rolos de 10cmX10m e 2 rolos de 30cmX10m) por ser mais fácil de trabalhar (não é necessário um maçarico ou outras ferramentas especiais).
O resultado ao final de alguns dias de trabalho é esse, já com o console refeito e o segundo compressor de ar condicionado funcionado. Deu um trabalhão, mas o resultado foi excepcional. Não apenas minimizou a entrada de poeira e água no carro, como diminuiu sensivelmente os níveis internos de ruído…











































